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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Chico Xavier - Somos o que atraímos

 




Bang Izal postado em Casos de Chico Xavier

domingo, 31 de agosto de 2025

O dia que um Preto Velho foi expulso de um centro espírita (Por Hugo Lapa)




Chico - Cartas de Paz e Consolação

Essa é uma história verdadeira. Ela de fato aconteceu em um centro espírita de uma pequena cidade do estado de Minas Gerais, há algum tempo atrás.

Conta-se que os médiuns estavam realizando seus trabalhos de esclarecimento e doutrinação num centro espírita do estado de Minas Gerais. Subitamente um preto velho incorporou numa médium e começou a falar. No momento em que os trabalhadores perceberam que o espírito incorporado era um preto velho, mandaram suspender a incorporação.

Nesse centro não eram aceitos pretos velhos, pois os dirigentes consideravam que os pretos velhos são espíritos não muito evoluídos. Por isso, ele não poderia ser admitido a orientar uma atividade de doutrinação. O espírito foi então convidado a se retirar do centro. O preto velho fez o que eles pediram e foi embora.

Logo depois, a médium incorporou um espírito de um filósofo, um doutor de nome difícil, provavelmente europeu, que foi muito bem recebido por todos os presentes. O filósofo deu instruções aos membros do centro, fez os trabalhos de doutrinação e todos ficaram felizes e maravilhados com a intervenção desse espírito, que consideraram um espírito muito elevado.

Os dirigentes então resolveram que já era hora de encerrar os trabalhos. No entanto, a médium novamente começou a incorporar um espírito. Todos olharam com interesse aquela manifestação mediúnica espontânea. Um dos trabalhadores disse que as atividades do dia já estavam terminando e perguntou quem estava ali.

O espírito respondeu que era de novo o preto velho. O dirigente fez cara de tédio e perguntou o que ele ainda queria ali nos trabalhos do centro. O preto velho então disse:

– Zifio… Ce suncê mi permiti, só quiria que ocês sobessem qui o dotô que apareceu agora há poquinho era este preto velho aqui, que agora proseia com vosmicês.

Todos ficaram espantados com a revelação… O preto velho então começou a não mais falar como um preto velho:

– É engraçado isso, meus irmãos, pois quando eu apareci como preto velho, fui praticamente expulso dos trabalhos de vocês. Mas depois quando eu apareci no formato de um doutor, um filósofo europeu prestigiado, que tem conhecimento acadêmico, com toda a pompa e com ar de autoridade, todos me trataram muito bem, ouviram meus conselhos e ficaram felizes e maravilhados com a aparição. Por que isso, meus filhos? Devo alerta-los para esse comportamento de vocês. Prestem muita atenção nisso, meus irmãos…

No plano espiritual, assim como em toda a realidade universal, não existem aparências. As aparências existem apenas aqui na Terra. Deus, em sua sabedoria infinita, oculta aos vossos olhos as verdades do espírito camufladas pelas aparências do mundo… para que vocês aprendam a vê-las com os olhos do coração, com a visão da alma e possam enxergar a verdade como ela é. 

No plano espiritual, meus irmãos, não existem doutores, não existem classes sociais, não existem nacionalidades, não existem religiões, não existem raças, não existem essas divisões humanas que vocês criaram em toda parte para poderem se sentir melhores uns que os outros. 

No plano espiritual o que vale é o que você é lá no fundo, e não o que você tem.

Não, meus irmãos… todas essas divisões são ilusórias.  um é julgado por ser rico ou pobre, branco ou negro, doutor ou uma pessoa simples. Lembram-se do que disse o nazareno sobre isso meus irmãos? O mestre disse: “Deus revela aos simples de coração aquilo que esconde dos doutos”.

Quando cada um de vocês chegar ao plano espiritual, meus filhos, os anjos de Deus não vão perguntar quantos títulos de doutor vocês conquistaram, quantos bens vocês acumularam, quanto sucesso vocês fizeram, quantos altos cargos vocês subiram na empresa ou quanto de boa fama vocês projetaram. Não meus queridos filhos… os anjos vão perguntar quanta luz você espalhou pela Terra; 

quanto você tocou o coração dos outros com justiça e benevolência e o quanto a sua obra foi pautada no amor e na paz… ou se sua passagem na Terra foi apenas um capricho do ego, voltada apenas para seu mundinho egoísta e para os prazeres da matéria.

Vamos tomar cuidado, meus queridos filhos, com o veneno da hipocrisia e do preconceito. Não permitam que as aparências do mundo roubem a sua essência. O importante, meus filhos, é o que cada um traz em sua alma, em seu espírito.

O que importa de verdade é ser simples e verdadeiro… ser honesto e ter caráter, ser caridoso e ter o amor de Deus no coração. Não se deixem levar pelas aparências, todas elas estão erradas e vemos isso muito claramente quando chegamos ao plano espiritual. Lá, meus filhos, não existem discriminações, todos trabalham por Deus e Deus é a essência regente tudo. É isso que vocês devem buscar a partir de agora, meus queridos filhos.

O preto velho despediu-se de todos e então deixou a sala de atendimento do centro espírita. 

Os trabalhadores ficaram envergonhados com seu próprio comportamento, mas adquiriram uma pérola de sabedoria que nunca mais, em toda a sua vida, seria esquecida.

(Por Hugo Lapa)

























sexta-feira, 1 de agosto de 2025

A rosa da vizinha




Pedro Silvino
Casos de Chico Xavier

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Certa ocasião, enquanto aguardava - mos Chico Xavier terminar sua sessão de autógrafos, no Grupo Espirita da Prece, aproximou-se de Jerônimo Mendonça uma mulher e pediu para assentar-se ao seu lado, tinha urgência em falar-lhe.
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A mulher foi logo confidenciando:
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- Jerônimo, estou apaixonada pelo meu vizinho da frente. Ele é casado, mas isso não tem importância, dá-se um jeito. Já me insinuei de várias maneiras e ele continua fazendo-se de desentendido. O que você acha? Devo ser mais direta, mais objetiva?
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Jerônimo, com equilíbrio e indulgência, falou com serenidade:
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- Minha filha, carrego um corpo deficitário por dívidas do passado, e nesse assunto, se você nos permitir, gostaríamos de ouvir o Chico, pois ele deve passar por aqui quando acabar de autografar os livros.
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Nisso o Chico se aproximou de Jerônimo e deu-lhes os beijos costumeiros.
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Jerônimo aproveitou a oportunidade para auxiliar a mulher apaixonada:
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- Chico, nossa irmã, muito bondosa, gostaria de saber o que fazer ante à vontade irresistível de colher a rosa do jardim da vizinha.
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Para quem sabe ler um pingo é letra. Chico sorriu e respondeu:
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- Veja, se a rosa é bonita, naturalmente que todos nós podemos admirá-la, mas colher, não. Poderíamos nos ferir nos espinhos, e além do mais a dona da rosa não iria gostar que colhêssemos sua flor tão estimada. E com isso sofreríamos duplamente.
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Chico Xavier


quinta-feira, 31 de julho de 2025

Amigo imaginário da minha mãe




Junior Wolf

Dizem que as crianças costumam ter amigos imaginários. 

Dizem também que alguns idosos se comportam como crianças. 

Minha mãe, já bem idosa, era como uma criança, gentil, terna e carinhosa, por esse mesmo motivo, sempre acreditei que ela havia inventado um amigo imaginário.

Desde que sofreu aquela queda e fraturou o quadril, minha mãe não foi mais a mesma. 

Pela sua força e entusiasmo pela vida, ela conseguiu andar um mês depois, mas apoiada naquele tipo de bastão de quatro patas. 

Ela passava a maior parte do tempo na cama, assistindo televisão ou bordando.

Mãe de oito filhos, todos ausentes. 

Tive que sacrificar meu trabalho e minha família para ficar com ela por temporadas. 

Eu era o único dos oito que poderia cuidar dela. Durante esses três anos viajei constantemente até a casa dela.

Numa dessas viagens, encontrei uma surpresa. Uma criança a visitava todos os dias.

__ Nossa, então uma criança te visita?

__ perguntei divertida.

__ Sim, ele vem todos os dias contar histórias para ele __ minha mãe me contou com entusiasmo.

 Minha mãe era uma excelente contadora de histórias.

__E qual é o nome da criança?

__Ah, bom, não sei. Eu não perguntei a ele. Mas quando ele vier, vou perguntar a ele.

Ele me disse que é loiro e muito bonito. Ele sempre vem correndo, sorrindo e pula na cama onde está deitada. 

Às vezes ele esconde dele as linhas de costura ou os cigarros.

 É porque ele quer que eu lhe conte uma história. 

Quando ela come, ela sempre pede para ele, me dá, me dá, me dá... por isso ela come bem, porque ela nunca come sozinha. 

Quando adormecem, eles se abraçam e ela não sente mais frio porque o corpinho do filho lhe dá calor.

Ambos se dão muito amor.

À tarde minha mãe me contou.

__Meu menino chegou há um tempo, perguntei qual era o nome dele. Ele me disse isso, Emanuel.

__Muito bom e agora onde ele está?

__ Pois olha. Aqui está ele, dormindo profundamente, olha como ele está legal __ Ele estava com o cobertor cobrindo ele segundo ela.

__ Nossa, que lindo __ contei para ela, brincando __ Que história você contou para ele?

__ Torquato e Canuto. Esse também foi o seu favorito, lembra?

__Sim mãe, como posso esquecer. Bom, agora vou ler para vocês mais um capítulo de Rosas não aprendem geografia__ Todas as tardes eu lia para ele.

__ Muito bem, você ficou

E li para ele baixinho para não acordar o filho. 

Aquela criança que, no seu imaginário, veio substituir todos os filhos ingratos que não a acompanharam quando ela mais precisava.

Mas o anjo da minha mãe era real!

Minha mãe, devido a um problema renal, precisou de hemodiálise para que durasse mais um pouco. 

Ela estava com medo dessa cura, ela me implorou para não torturá-la com esse processo por nada no mundo. 

Obviamente eu o obedeci. Foi acabando aos poucos. Ele não conseguia mais andar e se íamos a algum lugar tinha que ser em cadeira de rodas. Sua força se foi.


Uma tarde eu estava me sentindo muito cansada. 

Minha mãe não abria mais os olhos e pedia água constantemente. 

Em seu quarto estavam sua irmã e sua filha. 

Pedi que cuidassem dela por um tempo, tive que mandar uma tarefa para a universidade onde estudo literatura.

Fui para uma sala ao lado e abri meu computador. Mal ia começar a ler quando ouvi aquela vozinha.

__ Olá

Virei-me para a porta para ver quem ali estava aquela criança, muito bonita, vestida de branco...

Ele olhou para mim sorrindo.

“Com certeza alguém veio visitar a minha mãe e esta criança vem com eles” foi o que pensei, naquela pequena cidade todas as pessoas são muito solidárias e visitam muito os doentes.

__ Olá __ eu respondi, ele não tinha mais de três anos, mas falou com muita clareza.

__Você pode me contar uma história? __ me disse entrando na sala e ficando ao meu lado.

__Você gosta de histórias? __Respondi divertida.

__ Sim, sua mãe me conta muitas, mas agora ela está dormindo, ela não pode me contar uma história.

__Então minha mãe conta histórias para você? Qual o seu nome?

__ Meu nome é Emanuel, e sim, ela já me contou muitas histórias. Tudo sobre a vida dela.

__ Nossa, histórias sobre a vida da minha mãe. Por exemplo, qual? __Conheço perfeitamente o enorme repertório de histórias que minha mãe contava.

__ Por exemplo, Príncipe Amed, sua mãe era igualmente um viajante, gostava muito de conhecer outras partes do mundo. 

Também Torquato e Canuto, ela conseguiu superar todos os problemas mesmo que às vezes se sentisse cega.

Cinderela, como ela trabalhou a vida toda para que nada faltasse aos filhos... isso foi , uma história de fantasia.

Eu o ouvia com espanto. 

Nossa, aquela criança sabia se expressar para a idade dele.

__ Olha só, se você conhece as histórias da minha mãe.

Bem, me diga, qual história você quer?

__Por enquanto nenhuma. Mas voltarei um dia para que você possa me contar.

__Nenhuma por enquanto? Então quando? Ou por quê?

Ele me olhou com um olhar muito profundo, havia um brilho especial em seus olhos quando ele me contou.

__ Porque agora... as pessoas ainda te escutam, eu vou voltar, quando você já for uma sombra, quando precisar de conforto e companhia, quando os seres que você ama não prestarem mais atenção em você, quando sua voz não for ouvida , quando a sua solidão é tão avassaladora que será a mesma, seja dia ou noite. Então irei e lhe darei a alegria de ser uma contadora de histórias novamente. 

Aí você vai me contar da sua vida e vai se sentir importante novamente, é sempre importante saber que você é importante.

__ Quem é? __ perguntei a ele, extremamente intrigado.

__Eu sou a criança que sua mãe vê há muito tempo e que você considera uma fantasia dela. 

Sou real, sou esperança, sou companhia na triste solidão, sou a lembrança da infância de seus filhos, sou alegria em seu coração cansado, Eu Sou.

Eu não tinha palavras para responder a isso. Um nó ficou preso na minha garganta e comecei a chorar.

__Por que posso te ver hoje? __ perguntei com medo.

__ Porque venho te dizer que hoje sua mãe pegará o caminho em direção à cidade de Você irá e não voltará __ Senti como um golpe no peito __ Vou pedir que não a impeça de fazê-lo . 

Não quero que ela continue sofrendo, porque onde quer que você a veja, ela está sofrendo. 

O destino dela já está escrito, assim como o pássaro que fala, a árvore que canta, ela é fonte de ouro.

Você se lembra da história do manto que tornava as pessoas invisíveis? Pois bem, ela será assim, como se estivesse com a capa, você não poderá vê-la, mas ela sempre estará presente.

Ela não irá embora, porque continuará em você enquanto você continuar contando histórias, enquanto houver um halo de fantasia em sua mente, enquanto ela viver em sua memória.

Agora vá, ela precisa de você, vá como o príncipe que beija a rainha, sozinha, ela não vai acordar, mas pelo contrário, com o seu beijo ela começará aquele caminho que não tem volta.

Fechei o computador e corri para o quarto da minha mãe. 

Sua irmã e outros parentes que haviam chegado ainda estavam lá. 

Todos olharam calmamente para minha senhora que, de boca aberta, respirava com dificuldade.

 Aproximei-me dela e sentando na beira da cama a abracei com muito carinho. Eu falei no ouvido dela

 __Emanuel veio te ver __ então peguei um cotonete e molhei na água, molhei os lábios dela, ela ainda respirava com muita dificuldade. Dei-lhe um beijo na testa e depois a abracei enquanto contava.

Vai mamãe, vai curtir o reino das histórias, vai conhecer a montanha magnética e o mundo das princesas, vai onde você continuará sendo rainha, porque aqui e ali, para mim você sempre será rainha.

Sua respiração ficou mais calma.

__ Vá embora mamãe, você já se realizou e se cumpriu muito bem. Vá embora minha rainha, é fácil, voe como as fadas voam. Vá para o mundo deles.

Ela simplesmente deu um suspiro longo, muito longo e ela, a contadora de histórias, a melhor contadora de histórias do mundo, foi para a cidade de Você irá e não retornará.

Eu me senti muito calma. Com tanta paz na alma que nem uma lágrima saiu dos meus olhos. 

Ouvi os gritos angustiados dos meus familiares ao perceberem que ela tinha morrido, seus gritos desesperados, mas nem isso me fez acordar da letargia, pois minha consciência estava cem por cento tranquila, até o último momento em que estive com minha velha senhora. 

Não houve dor nem remorso, simplesmente a lei da vida foi cumprida.

Agradeceria se você deixasse um comentário sobre a história, se você gosta desse tipo de história.


O menino renitente - Chico Xavier




Pedro Silvino
Caso de Chico Xavier

Narrou -nos Chico [Xavier] que um dia foi procurado por um médico, seu particular amigo de muitos anos, espírita militante e colaborador em suas obras psicografadas.

Ele queria saber o que fazer com um velho mendigo, que insistia em dormir no alpendre de sua casa.

Não estava preocupado em tê-lo como hóspede em tão precário lugar, mas, sim, com a má acomodação e a friagem da noite.

Já o havia alertado de que se permanecesse ali acabaria por ficar doente.

Contudo, vendo que seus avisos eram ignorados, dedicou-se a arrumar um lugar onde o mendigo pudesse pernoitar. Depois de conseguir um quartinho na vizinhança, levou-o para lá.

Qual não fora sua surpresa ao dar com ele em sua varanda no dia seguinte.

Pensando que talvez não tivesse gostado do lugar, procurou um albergue que o tratasse melhor. De nada adiantara. O velho voltou a passar as noites no seu alpendre.

O médium então falou-nos:

— O que o médico amigo não sabia era que aquele espírito carregava consigo um grande complexo de culpa. Passei então a narrar -lhe as cenas que os amigos espirituais me haviam mostrado.

Aquele mendigo, doutor, na existência anterior havia sido um cruel fazendeiro que expulsara impiedosamente muitas famílias de suas terras, deixando-as ao relento, sem rumo...

Depois que desencarnou, a partir daquelas lembranças formara-se o complexo de culpa.

E o sofrimento perdura até os dias atuais, não permitindo que ele permaneça alojado em lugar nenhum.

Chico concluiu:

— Então eu disse ao amigo: 

Não adianta tentar melhorar sua situação, deixe-o dormir no seu alpendre. 

Mais uns dias e ele procurará outro lugar para deitar-se ao relento. Essa situação perdurará até que o complexo de culpa deixe de atormentá-lo.

Em nossas cogitações, vem-nos à mente a lição: para exercer a caridade é necessário usarmos do bom senso e não insistirmos quando o necessitado se nega a receber o benefício. 

Sempre haverá uma razão que justifique situações como a que nos foi narrada.

Do livro: ‘’Inesquecível Chico’’, de Romeu Grisi e Gerson Sestini

Abençoar e compreender-Chico Xavier


Emanuel

Pedro Silvino 
 Casos de Chico Xavier

1 Ressentimento não se constitui tão só do azedume que se nos introduz no espírito, quando a incompreensão nos torna intolerantes, à frente das grandes dificuldades de alguém.

2 Existem igualmente os pequeninos contratempos do cotidiano que, sem a precisa defesa da vigilância, acabam por transformar-nos o coração em vaso de fel, a expelir germes de obsessão e desequilíbrio, ambientando a enfermidade ou favorecendo a morte.

3 Analisemos essas diminutas irregularidades que nos será lícito classificar como sendo cargas de sombra íntima:

4 o descontentamento à mesa porque a refeição não apresente o prato ideal;

5 a impaciência ante a condução retardada;

6 a indisposição contra o clima;

7 a contrariedade em serviço;

8 o constrangimento para desculpar um amigo;

9 o mal-estar perante um desafeto;

10 o melindre desperto, em ouvindo opiniões que se nos mostrem desfavoráveis;

11 o desagrado nas compras;

12 o desgosto injustificável em família, unicamente pelo motivo desse ou daquele parente não pensar pela nossa cabeça;

13 os cuidados exagerados com obstáculos naturais na experiência comum;

14 a pressa e a agitação desnecessárias;

15 o descontrole ante uma visita-problema;

16 a exasperação diante de uma tarefa extra- programa;

17 o desespero contra as provas inevitáveis que a vida nos oferece a cada um.

18 Tanto pesa na balança o quilo de chumbo em massa, quanto o quilo de palha nela depositado, de haste em haste.

19 Meditemos, em torno disso, e reconheceremos que o perdão incondicional deve também alcançar as mínimas circunstâncias que se nos façam adversas.

20 Em síntese, para que a paz more conosco, assegurando-nos proveito e alegria, nos caminhos do tempo, é forçoso não apenas trabalhar e servir sempre, mas igualmente compreender e abençoar.

Mãos unidas — Emmanuel










sábado, 2 de novembro de 2024

Sobre o Dia De Finados


O dia 2 de novembro, feriado de finados no Brasil, é dedicado a homenagear aqueles que não estão mais entre nós, fisicamente.

Com respeito aos credos e manifestações religiosas diversas, aos Espíritas, é um dia comum. uma vez que compreendemos que as homenagens aos entes queridos podem ser prestadas a qualquer momento ou em qualquer lugar.

Por isso, o dia de finados não é mais importante, para os desencarnados, do que outros dias. desencarnados com mais força e se ligam a eles pelo pensamento.

Para o Espiritismo, a postura que devemos adotar em homenagem aos nossos amores, é a mesma de respeito para com qualquer pessoa encarnada. Preces e pensamentos de carinho são muito válidos para os entes que já não estão fisicamente entre nós.

O túmulo não é o lugar que os espíritos moram ou ficam. Dependendo da data do sepultamento, às vezes, nem corpo existe mais ali.

Os espíritos de nossos entes queridos e amigos, assim como todos os demais espíritos, estão muito vivos.

Ninguém morre! eus não tem nenhum filho morto.

Todos vivem! E se não estão materializados conosco, estão vivendo em algum lugar nesse imenso Universo, que é a casa do Pai, onde, segundo Jesus, existem muitas moradas.

Cabe a nós, nos libertarmos dos atavismos firmados no período do entendimento da Fé cega e, agora, sabedores das verdades espirituais novas, assimilarmos esses conhecimentos e criar novos hábitos para exaltarmos a vida e não a morte das pessoas que amamos e por elas somos amados.

Racionalmente, chegamos a conclusão que o cemitério não é o melhor lugar para os espíritos nos reencontrar e serem homenageados, sobretudo se tiverem recém-desencarnados.

A aproximação deles junto do lugar onde estão os seus despojos carnais, ainda trarão a eles um desconforto e constrangimento muito grande.

Muitos nem suportam ficar ali por perto, por muito tempo.

Existe uma maneira muito singela, amorosa, fraterna que podemos habituar a fazer para que os espíritos familiares e amigos possam se sentirem lembrados e homenageados por nós, não só em finados, mas todos os dias:

uma prece sincera em favor da harmonia, Paz e de que estejam felizes ao lado da família espiritual deles.

Podemos também colocar em nossos lares, ou local de seu antigo trabalho, um recadinho do coração, uma flor perto de um porta retrato com a foto do desencarnado.

Assim sentirão lembrados, amados e fortalecidos por ver que estamos exaltando a vida e não a morte.

Sempre virão ao nosso encontro os espíritos dos nossos parentes e amigos desencarnados.?

Não!

Muitos deles, demoram para aproximar dos entes queridos que ficaram na Terra, pois isso depende das condições espirituais em que se encontram e das possibilidades de vir junto dos familiares e amigos.

Outros, nem querem vir, pois muitas vezes nossos sentimentos não são sinceros, e o Espírito não se interessa por essa hipocrisia.

Eles vem muito mais pelo pensamento e sentimento puro, pois podem observar e sentir todos os nossos pensamentos, como telepatia.

Sabemos que tudo o que se faz no cemitério não passa, em muitos casos, de demonstração de posses materiais.

Seja para demonstrar para a sociedade uma atitude de respeito, às vezes desprovida até de sinceridade.

Portanto, todos são livres para fazer o que acham que devem, principalmente sendo de coração aberto e sincero, numa legítima demonstração de amor.

Então, que tal aprendermos a referendar os nossos "mortos-vivos" em nossa casa, recolhidos com a família e em prece proferida com sentimento?

Aproveitar a oportunifdade de amor e carinho entre os que ainda estão encarnados, para mostrar a harmonia e a fraternidade dos descendentes, que possibilitam um sentimento mais elevado ao desencarnado.

Preciso ainda lembrar que, muitos espíritos que se encontram no Plano Espiritual, não ligam a mínima para certos fatos que a nós, encarnados, enche de orgulho.

Pois, muitos deles, estão acima das nossas conveniências e ilusões terrenas.

Bruno Henrique de Sírius Chico Xavier um homem chamado amor

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

O velho André era um escravo resignado e sofredor




Pedro Silvino 
Chico Xavier um homem chamado  amor

O velho André era um escravo resignado e sofredor

Certo dia, ele soube que Jesus nos ensinara a santificar o nome de Deus e prometeu a si mesmo jamais praticar o mal.  

Se o feitor da fazenda o perseguia, André perdoava e dizia de todo o coração:

- Louvado seja Deus. 

Se algum companheiro tentava-o a fugir das obrigações de cada dia, considerando as injustiças que os cercavam, ele dizia contar com a Bondade Divina, indicava o céu e repetia: 

- Louvado seja Deus.

Quando veio a libertação dos cativos, o dono da fazenda chamou-o e disse-lhe que a pobreza e a doença lhe batiam à porta e pediu-lhe que não o abandonasse. 

Todos os companheiros se ausentaram, embriagados de alegria, mas André teve compaixão do Senhor, agora humilhado, e permaneceu no serviço, imaginando que Deus estaria satisfeito com o seu procedimento.

O proprietário da terra, pouco a pouco, perdeu o que possuía, arruinado pela enfermidade, mas o generoso servidor cuidou dele, até à morte, afirmando sempre: 

- Louvado seja Deus.

André estava cansado e envelhecido, quando o antigo patrão faleceu. 

Quis trabalhar, mas o corpo encarquilhado curvava-se para o chão, com muitas dores.

Esmolou, então, com humildade e paciência e, de cada vez que recebia algum pão para saciar a fome ou algum trapo para cobrir o corpo, exclamava alegremente:

 - Louvado seja Deus.

Certa noite, muito sozinho, com sede e febre, notou que alguém penetrava em sua choça de palha.

Quem seria?

Em poucos instantes, um anjo erguia-se à frente dele.

Acanhado e aflito, quis falar alguma coisa, mas não pôde. O anjo, porém, sorrindo, abraçou-o e exclamou:

André, o nome de Nosso Pai Celestial foi exaltado por seu coração e vim buscar você para que a sua voz possa louvá-lo agora no céu.

No dia seguinte, o corpo do velho escravo apareceu morto na choupana, mas, sobre o teto rústico as aves pousavam, cantando, e muita gente afirmou que os passarinhos pareciam repetir: 

- Louvado seja Deus!

Francisco Cândido Xavier - Da obra: Pai Nosso - Meimei.

Nada é por acaso




Maria Betânia 
Chico Xavier um homem chamado amor

Nada é por acaso

Richard Simonetti conta, no livro Encontros e Desencontros, que um grande trabalhador Espírita desencarnou muito jovem. 

Sua esposa ficou revoltada, pois questionava a Justiça Divina. 

Dizia ela que com tanta gente má no mundo, por que Deus levou seu marido que era tão bom e fazia tanta caridade?

Numa comunicação mediúnica os Espíritos mandaram um recado à ela dizendo que: “estava programado, antes deles nascerem, que o rapaz sofreria um derrame cerebral e ficaria 10 anos na cama sob os cuidados dela. 

O amor ao próximo que ele praticou, cobriu uma multidão de débitos, livrando-o do sofrimento.

Este fato mostra duas coisas:

1º) - Na vida colhemos o que plantamos, nesta ou em outras encarnações. Mas, Deus é tão bom, que nos dá a chance de quitar nossos débitos, com Sua Lei de Amor, através do bem sincero que praticarmos.

2º) - Mostra também que nada é por acaso, a Lei Divina é perfeita e que, tudo tem uma razão de ser, tanto numa doença, numa desencarnação, numa cura ou num fato qualquer da vida.

Como diz Meimei: "As vezes, o mal na vida, é o bem mal interpretado."

Chico Xavier e o Anjo Bom



Pedro Silvino 
Chico Xavier um homem chamado amor

Dois anos de surras incessantes.

Dois anos vivera o Chico junto da madrinha.

Numa tarde muito fria, quando entrou em colóquio com Dona Maria João de Deus, Chico implorou:

— Mamãe, se a senhora vem nos ver, porque não me retira daqui?

O Espírito carinhoso afagou-o e perguntou:

— Por que está você tão aflito? Tudo, no mundo, obedece a vontade de Deus.

— Mas a senhora sabe que nos faz muita falta...

A Mãezinha consolou-o e explicou:

— Não perca a paciência. Pedi a Jesus para enviar um anjo bom que tome conta de vocês todos.

E sempre que revia a progenitora, o menino indagava:

— Mamãe, quando é que o anjo chegará?

— Espere, meu filho! — era a resposta de sempre.

Decorridos dois meses, o Sr. João Cândido Xavier resolveu casar-se em segundas núpcias.

E Dona Cidália Batista, a segunda esposa, reclamou os filhos de Dona Maria João de Deus, que se achavam espalhados em casas diversas.

Foi assim que a nobre senhora mandou buscar também o Chico. 

Quando a criança voltou ao antigo lar contemplou a madrasta que lhe estendia as mãos.

Dona Cidália abraçou-o e beijou-o com ternura e perguntou:

— Meu Deus, onde estava este menino com a barriga deste jeito?

Chico, encorajado com o carinho dela, abraçou-a também, como o pássaro que sentia saudades do ninho perdido.

A madrasta bondosa fitou-o bem nos olhos e indagou:

— Você sabe quem sou, meu filho?

— Sei sim. A senhora é o anjo bom de que minha mãe já falou...

E, desde então, entre os dois, brilhou o amor puro com que o Chico seguiu a segunda mãe, até à morte


(Do livro Lindos casos de Chico Xavier
por Ramiro Gama)

segunda-feira, 31 de julho de 2023

A lição da súplica




Maria Betânia
Chico Xavier um homem chamado amor

Certa noite, o Chico alquebrado pelos obstáculos, orava, antes do sono, rogando a Jesus múltiplas medidas e soluções para os problemas que o apoquentavam.

Mais de quarenta minutos já havia empregado no petitório, quando lhe surgiu Dona Maria João de Deus que lhe falou bondosa:

— Meu filho, faça suas orações, porque sem a prece não conseguimos a renovação de nossas forças espirituais, entretanto, não será por muito falar que você será atendido.

— Então, como devo fazer em minhas súplicas? — perguntou o Médium desapontado.

— Você sabe que Jesus também pede alguma coisa de nós... — disse o espírito maternal.

— Sim, Nosso Senhor recomenda-nos humildade, paciência, fé, bom ânimo, caridade e amor ao próximo no cumprimento de nossos deveres.

— Pois, façamos o que Jesus nos pede e Jesus fará por nós o que lhe pedimos. Está certo?

E o Chico recebendo a lição aprendeu que orar não é falar e mover os lábios, indefinidamente.

Lindos Casos de Chico Xavier.

"Não é por muito falar usando belas palavras que entrarás no reino dos céus.
O verdadeiro louvor a Deus vem do nosso coração sincero e da nobreza em nossas atitudes.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Macumba Pega? Chico Xavier





Uma senhora passou o dia todo de pé em uma longa fila só para ter a chance de fazer uma única pergunta para Chico Xavier.

No cair da noite, finalmente ficou frente a frente com ele e, cheia de medo e preocupação, disse:

– Chico, tenho uma única pergunta. Macumba pega?

Chico sorriu e falou pausadamente:

– Minha filha, me responda você, uma coisa: se eu jogo uma pedra em uma grande parede com um buraco bem no meio dela, o que acontece?

– Bom… – disse a mulher – A pedra entra!

– E se não houver buraco?

– Ela vai bater e voltar…

– Exatamente!

Não dê abertura ao mal, não pratique o mal, não o desenvolva dentro de você e você estará imune a ele.

A cada vez que você fizer de sua língua uma arma venenosa, a cada ato de perversidade ou falsidade que cometer, você aumentará o buraco de sua parede.

Quem joga pedras, cedo ou tarde levará uma pedrada.

Asuma os riscos ou benefícios da parede que você construiu. 

Assuma a dor de causar dor ou usufrua a paz de promover paz. 

A escolha é sua e as consequências também.

Nem tudo é feitiço na maioria das vezes é a Lei do Retorno!!!

A esmola da compaixão





Chico Xavier, um homem chamado Amor

✍ Heloisa Ignacio 

De portas abertas ao serviço da caridade, a casa dos Apóstolos em Jerusalém vivia repleta, em rumoroso tumulto. 

Eram doentes desiludidos que vinham rogar esperança, velhinhos sem consolo que suplicavam abrigo.

Mulheres de lívido semblante traziam nos braços crianças aleijadas, que o duro guante do sofrimento mutilara ao nascer, e, de quando em quando, grupos de irmãos generosos chegavam da via pública, acompanhando alienados mentais para que ali recolhessem o benefício da prece. 

Numa sala pequena, Simão Pedro atendia, prestimoso. 

Fosse, porém, pelo cansaço físico ou pelas desilusões hauridas ao contato com as hipocrisias do mundo, o antigo pescador acusava irritação e fadiga, a se expressarem nas exclamações de amargura que não mais podia conter.

Banheiro humilde que lhe prestava concurso, — aquele é Roboão, o miserável que espancou a própria mãe, numa noite de embriaguez… 

Não é justo sofra, agora, as consequências?

E pedia para que o enfermo não lhe ocupasse a atenção. 

Logo após, indicando feridenta mulher que se arrastava, buscando-o, exclamou, encolerizado: 

— Que procuras, infeliz? 

Gozaste no orgulho e na crueldade, durante longos anos… 

Muitas vezes, ouvi-te o riso imundo à frente dos escravos agonizantes que espancavas até à morte…

Fora daqui! Fora daqui!… 

E a desmandar-se nas indisposições de que se via tocado, em seguida bradou para um velho paralítico que lhe implorava socorro: 

— Como não te envergonhas de comparecer no pouso do Senhor, quando sempre devoraste o ceitil das viúvas e dos órfãos? 

Tuas arcas transbordam de maldições e de lágrimas…

O pranto das vítimas é grilhão nos teus pés… 

E, por muitas horas, fustigou as desventuras alheias, colocando à mostra, com palavras candentes e incisivas, as deficiências e os erros de quantos lhe vinham suplicar reconforto. 

Todavia, quando o Sol desaparecera distante e a névoa crepuscular invadira o suave refúgio, modesto viajante penetrou o estreito cenáculo, exibindo nas mãos largas nódoas sanguinolentas.

No compartimento, agora vazio, apenas o velho pescador se dispunha à retirada, suarento e abatido. 

O recém-vindo, silencioso, aproximou-se, sutil, e tocou-o docemente.

O conturbado discípulo do Evangelho só assim lhe deu atenção, clamando, porém, impulsivo:

— Quem és tu, que chegas a estas horas, quando o dia de trabalho já terminou? 

E porque o desconhecido não respondesse, insistiu com inflexão de censura:

 — Avia-te sem demora! 

Dize depressa a que vens… 

Nesse instante, porém, deteve-se a contemplar as rosas de sangue que desabotoavam naquelas mãos belas e finas. 

Fitou os pés descalços, dos quais transpareciam, ainda vivos, os rubros sinais dos cravos da cruz e, ansioso, encontrou no estranho peregrino o olhar que refletia o fulgor das estrelas…

Perplexo e desfalecente, compreendeu que se achava diante do Mestre, e, ajoelhando-se, em lágrimas, gemeu, aflito

 — Senhor! Senhor! Que pretendes de teu servo? 

Foi então que Jesus redivivo afagou-lhe a atormentada cabeça e falou em voz triste:

— Pedro, lembra-te de que não fomos chamados para socorrer as almas puras… 

Venho rogar-te a caridade do silêncio quando não possas auxiliar! 

Suplico-te para os filhos de minha esperança a esmola da compaixão… 

O rude, mas amoroso pescador de Cafarnaum, mergulhou a face nas mãos calosas para enxugar o pranto copioso e sincero, e quando ergueu, de novo, os olhos para abraçar o visitante querido, no aposento isolado somente havia a sombra da noite que avançava de leve.

Por: Irmão X, Do livro: Contos e Apólogos, Médium: Francisco Cândido Xavier

O espírito que influenciou um barbeiro a cortar a garganta do Chico Xavier



Pedro Silvino
Chico Xavier um homem chamado amo

O espírito que influenciou um barbeiro a cortar a garganta do Chico Xavier para impedir que o livro Nosso Lar fosse concluído.

Chico estava psicografando "Nosso Lar" . 

Numa das raras pausas que se permitia, saiu para fazer a barba. 

O barbeiro era dos antigos. 

Metódico, colocou-lhe a toalhinha sobre o queixo, ensaboou-lhe o rosto. 

Essa rotina ordeira foi interrompida na primeira raspada.

-Chico, estou sentindo muita tonteira. Parece que vou desmaiar.

Posto em descanso no relativo conforto da cadeira, 

Chico inquietou-se, abriu os olhos e viu um espírito trevoso que enleava o barbeiro, dizendo-lhe aos ouvidos:

- Corta a garganta dele...corta.

Com o fio da navalha no pescoço do Chico, o pobre homem não via e nem ouvia o espírito, mas sofria-lhe as influências. 

Daí, aquelas sensações estranhas, o afrouxamento dos controles. 

Voltou a dizer:

- Chico, não sei se vou dar conta de terminar a sua barba.

- Não se preocupe, meu irmão. Barba, é assim mesmo, a gente faz quando dá certo. Se não der hoje, a gente faz amanhã.

Naquele momento, conta o Chico depois de uma pausa na conversa, tudo o que eu queria era que ele tirasse a navalha do meu pescoço.

Concluindo, explicou que eram as trevas querendo impedir que "Nosso Lar" fosse concluído e viesse à luz espargir luz.

Ao relembrar e escrever este caso, reflito que Nosso lar é o livro mais lido de toda a literatura mediúnica recebida por Chico Xavier. Um verdadeiro best seller, com milhões de exemplares vendidos.

Livro: Momentos com Chico Xavier
Autor: Adelino da Silveira.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

A história de um pão ofertado a um órfão




Pedro Silvino
Chico Xavier um homem chamado Amor ·

Em média são 300 pães doados por dia: 'Pode se servir à vontade'.

História de um Pão: 

Quando Barsabás, o tirano, demandou o reino da morte, buscou debalde reintegrar-se no grande palácio que lhe servira de residência. 

A viúva, alegando infinita mágoa, desfizera-se da moradia, vendendo-Ihe os adornos.

Viu ele, então, baixelas e candelabros, telas e jarrões, tapetes e perfumes, jóias e relíquias, sob o martelo do leiloeiro, enquanto os filhos querelavam no tribunal, disputando a melhor parte da herança.

Ninguém lhe lembrava o nome, desde que não fosse para reclamar o ouro e a prata que doara a mordomos distintos.

E porque na memória de semelhantes amigos ele não passava, agora, de sombra, tentou o interesse afetivo de companheiros outros da infância...

Todavia, entre eles encontrou simplesmente a recordação dos próprios atos de malquerença e de usura.
Barsabás, entregou-se as lágrimas de tal modo, que a sombra lhe embargou, por fim, a visão, arrojando-o nas trevas.

Vagueou por muito tempo no nevoeiro, entre vozes acusadoras, até que um dia aprendeu a pedir na oração, e, como se a rogativa lhe servisse de bússola, embora caminhasse às escuras, eis que, de súbito, se lhe extingue a cegueira e ele vê, diante de seus passos, um santuário sublime, faiscante de luzes.

Milhões de estrelas e pétalas fulgurantes povoavam-no em todas as direções.

Barsabás, sem perceber, alcançara a Casa das Preces de Louvor, nas faixas inferiores do firmamento.

Não obstante deslumbrado, chorou, impulsivo, ante o Ministro espiritual que velava no pórtico.

Após ouvi-lo, generoso, o funcionário angélico falou sereno:

- Barsabás, cada fragmento luminoso que contemplas é uma prece de gratidão que subiu da Terra ...

- Ai de mim - soluçou o desventurado - eu jamais fiz o bem...

- Em verdade - prosseguiu a informante -, trazes contigo, em grandes sinais, a pranto e a sangue dos doentes e das viúvas, dos velhinhos e órfãos indefesos que despojaste, nos teus dias de invigilância e de crueldade; entretanto, tens aqui, em teu crédito, uma oração de louvor...

E apontou-lhe acanhada estrela, que brilhava a feição de pequenino disco solar.

- Há trinta e dois anos - disse, ainda, o instrutor -, deste um pão a uma criança e essa criança te agradeceu, em prece ao Senhor da Vida.

Chorando de alegria e consultando velhas lembranças, Barsabás perguntou:

- Jonakim, o enjeitado?

- Sim, ele mesmo - confirmou a missionário divino. - 

Segue a claridade do pão que deste, um dia, por amor, e livrar-te-ás, em definitivo, do sofrimento nas trevas.

E Barsabás acompanhou a tênue raio do tênue fulgor que se desprendia daquela gota estelar, mas, em vez de elevar-se as Alturas, encontrou-se numa carpintaria humilde da própria Terra.

Um homem calejado aí refletia, manobrando a enxó em pesado lenho...

Era Jonakim, aos quarenta de idade.

Coma se estivessem as dois identificados no doce fio de luz, Barsabás abraçou-se a ele, qual viajante abatido, de volta ao calor do lar... (...)

Decorrido um ano, Jonakim, a carpinteiro, ostentava, sorridente, nos braços, mais um filhinho, cujos louros cabelos emolduravam belos olhos azuis.

Com a benção de um pão dado a um menino triste, por espírito de amor puro, conquistara Barsabás, nas Leis Eternas, o prêmio de renascer para redimir-se.

Pelo Espírito Irmão X

Xavier, Francisco Cândido. O Espírito da Verdade. Espíritos Diversos. FEB.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

História de Chico Xavier

História de Chico Xavier

Bruno Henrique de Sírius

Manhãzinha fresca em Uberaba, Chico reune um grupo de pessoas e passeia pelas vizinhanças, conversando alegremente.

Quando vê, do outro lado da rua, um preto velhíssimo, pés descalços, varrendo o chão de terra batido.

Chico imediatamente pede licença e cruza a rua indo para junto do velhinho. 

Lá, curva-se e beija sua mão empoeirada.

À noite, estando a sós, este volta ao assunto do velhinho. 

Me disse que aquele homem que varria a rua, era na verdade um espírito de tanta Luz, que iluminava o quarteirão nas noites.

Estava ali, no pó, para dar um último retoque em um defeito seu, que ainda carregava, chamado; vaidade.

Chico Xavier

terça-feira, 28 de junho de 2022

Chico e o Recado de Maria



Pedro Silvino Chico Xavier um homem chamado amor

Chico Xavier contou que, num dos seus dias de profunda amargura, solicitou ao seu benfeitor espiritual que levasse o seu pedido de socorro a Maria de Nazaré, para que ela o consolasse, já que seus problemas eram graves.

Após alguns dias, Emmanuel retornou, dizendo-se portador de um recado da Mãe de Jesus.

Chico, imediatamente, pegou papel e lápis e preparou-se para anotar.

- Pode falar, tomarei nota de cada palavra.

Emmanuel, o educador atencioso, falou-lhe:

- Anote aí, Chico. Maria me pediu para que lhe trouxesse o seguinte recado:

- "Isso também passará". Ponto Final.

Chico tomou nota rapidamente e perguntou ao guia:

- Só isso?!

Emmanuel respondeu, enfatizando:

- É, Chico. A Mãe de Jesus pediu-me para dizer-lhe: Isso também passará...

Como Chico Xavier, muitos de nós, quando visitados pela dor, gostaríamos de receber uma mensagem individual de consolo.

Pensando que fomos esquecidos pela Divindade, rogamos que nos seja concedida uma deferência especial por parte dos benfeitores espirituais.

Todavia, Deus tudo sabe e tudo vê. 

Nada acontece sem o seu consentimento, basta que depositemos confiança em suas soberanas Leis.


Todas as coisas na Terra passam. 

Os dias de dificuldade, passarão. 

Passarão também os dias de amargura e solidão. 

As dores e as lágrimas passarão. 

As frustrações que nos fazem chorar, um dia passarão. 

A dor da saudade do ser querido que parte, passará, ficando em nossa memória os momentos felizes
.
Os dias de glórias e triunfo mundanos em que nos julgamos maiores e melhores que os outros, igualmente passarão. 

Essa vaidade interna que nos faz sentir como o centro do universo, um dia passará. 

Dias de tristeza, dias de felicidade... são lições necessárias que, na Terra, passam, deixando no espírito imortal as experiências acumuladas.

Se hoje, para nós, é um desses dias repletos de amargura, paremos um instante, elevemos o pensamento ao Alto e busquemos a voz suave da Mãe amorosa a nos dizer carinhosamente:

Isso também passará.

E guardemos a certeza, pelas próprias dificuldades já superadas, que não há mal que dure para sempre.

Assim, façamos a nossa parte, o melhor que pudermos, sem esmorecimento,
 
e confiemos.

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Chico Xavier



Pedro Silvino Chico Xavier um homem chamado amor


Lindo caso de Bazerra de Menezes

Caso sucedido com Dr. Bezerra de Menezes: Quando era estudante de medicina, ele estava em sérias dificuldades financeiras, precisando da quantia de 50 mil réis, para pagar taxas da faculdade e outros gastos com habitação, pois estava ameaçado de despejo.
Como não era incrédulo, ergueu os olhos ao alto e apelou a Deus. Poucos dias após bateram-lhe à porta. Era um moço simpático, de atitudes polidas que queria tratar algumas aulas de matemática. Bezerra recusou a princípio, alegando ser esta matéria a que menos gostava. Entretanto, o moço pediu licença para efetuar o pagamento das aulas adiantadamente, alegando que poderia esbanjar a mesada do pai. Bezerra relutou à princípio, mas depois cedeu. O moço entregou-lhe então a quantia de 50 mil réis. E assim, combinaram dia e hora para início das aulas, o moço despediu-se, e Bezerra feliz por poder quitar seus débitos procurou livros na matéria, mas o rapaz nunca mais apareceu.

Postado por Grupo de estudos Allan Kardec

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

A alegria dos outros


Certo jovem, muito inteligente, aproximou-se de Chico Xavier e indagou-lhe:

- Chico, eu quero que você pergunte a Emmanuel, pois eu necessito muito de uma orientação.

Eu sinto um vazio enorme dentro do meu coração.

O que me falta, meu amigo?

Eu tenho uma profissão que me garante altos rendimentos, uma casa muito confortável, uma família ajustada, o trabalho na Doutrina Espírita como médium, mas sinto que ainda me falta alguma coisa...

Nada consegue preencher o vazio que vai por dentro de minha própria alma.

O que me falta, Chico?

O médium, olhando-o profundamente, ouviu a voz de Emmanuel, que lhe respondeu:

- Fala a ele, Chico, que o que lhe falta é a alegria dos outros!

Ele vive sufocado com muitas coisas materiais;

É necessário repartir, distribuir com o próximo...

A alegria de repartir com os outros tem um poder superior, que proporciona a alegria de volta àquele que distribui.

É isso, meu filho, o que lhe falta – a alegria dos outros!

(Livro: Chico Xavier, mediunidade e luz de Carlos A. Baccelli)
Pedro Silvino