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quinta-feira, 13 de junho de 2019

Onélia Queiroga - O Sertanejo É Um Homem Bom



O sertanejo é um homem sábio e bom. A convivência com a natureza parece dar-lhe uma visão mais elástica do mundo e das coisas. E por que não dizer, também da compreensão dos seres humanos, analisando-os , como ninguém. Desvendando-os , ainda, pelo comportamento, se é honesto ou não; se tem espírito de águia ou se é confiável.

O sertanejo tem raciocínio rápido. Não se deixa hipnotizar pela conversa bonita dos homens de negócio.Basta um gesto, uma maneira singular de o bazofiador expor a outrem as vantagens de adquirir determinada mercadoria e de vender o imóvel seu, para decifrar, antecipadamente , se estas transações devem ou não ser concretizadas.

Existe, ainda, nos dias de hoje, exemplar da espécie acima referida. Reside no alto sertão. Continua vinculado à vida campestre, ao convívio com a natureza e fauna da região; à alimentação farta plantada e colhida por suas mãos e as dos seus agregados. Ninguém igual a ele para decifrar a alma de sua gente.

Muitos o procuram, para aconselhamento. As questões apresentadas diferem em temas e profundidade. Com calma e paciência, ele ouve a todos, mesmo que a história contada seja longa e repleta de trilhas acidentadas ou se comporta maior reflexão, pela seriedade do problema pessoal ou familiar, a exigir uma resposta adequada, precisa e sincera.

O sertanejo verdadeiro é homem devoto. Crê em Deus Pai todo poderoso. E, por incrível que pareça, é justamente na fase de dor e de sofrimento que mais invoca o santo nome do Altíssimo. E, com tanta fé o faz que as suas súplicas são ouvidas.

Essa gente simples, boa acolhedora, quando se acha em alguma necessidade, recorre à promessa não costumeira: a de andar de pés descalços e com coroa de espinhos na cabeça , durante a procissão da Festa da Padroeira, enfrentando, sem nada reclamar, o causticante sol, ao pingo do meio dia.

Como o sertanejo não há. É homem de mesa farta, seja rico, seja pobre, a sua maior alegria é receber as pessoas com um agrado, começando pelo café quentinho coado no pano com suporte de dois pauzinhos. Essa é a autêntica dádiva, a que é entregue de todo coração, plena de amor e de piedade.

Onélia Queiroga
Escritora

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 19 de maio de 2019
Aos Domingos
Caderno 2

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Onélia Queiroga - O Espargir Da Luz





A vida do homem, em alguns momentos, apesenta-se cheia de glória e de sucesso, levando-os a inebriar-se com o forte clarão dos refletores que tanto divulgam a sua vitória e estatus quo. A época envolve-o de doces sonhos e de inúmeras quimeras. E, assim hipnotizado , não avalia a diminuição de sua capacidade de discernimento, para fazer um verdadeiro juízo de valor sobre as censuras positivas e adotadas por algumas pessoas, sobre a amizade recente de outras, não existente em tempos pretéritos, sobre a benevolência de tantos que chega a incomodar.

Empolga-se com o seu alto índice de prestígio e popularidade que pensa ser o mais inteligente e sábio dos seres humanos. As luzes, o ambiente repleto de convidados, os aplausos vibrantes da plateia  inflam-no de vaidade, origem maléfica do culto à sua personalidade. A partir daí, nada vê, nada enxerga. Só poder.

Esse tempo durou mais do que o suficiente para transformar o antigo homem bom, humilde e cordial, em outro, somente igual ao do castelo do homem sem alma. O tempo acabou. O homem petrificado voltou ao se antigo habitat. Iria readaptar-se? Pensou que sim, pois logo os amigos novos e antigos viriam visitá-lo. Esperou dias, meses e anos. Poucos vieram: só os autênticos.Sentiu-se magoado. Como poderiam fazer tamanha desfeita a ele que fora tão atencioso com todos? De repente, reconheceu a face de cada um. Suspirou e disse para si mesmo: O homem de hoje que sou, ainda pode reencontrar aquele que fui.

Vestiu-se com a simplicidade de antes. Com a família viajou para a casa dos pais. Precisava vê-los e as suas raízes: o sino da igrejinha a tocar, o professor das primeiras séries, o gorjeio dos pássaros no arvoredo, o ar que freme, quente. O homem perdido viu tudo. Dormiu em paz. Acordou outro. Recuperou o que fora a alma que se amainara, o espírito que recobrara a luz, na luz do dia que, há pouco, vira nascer e clarear,com segurança, o novo caminho a trilhar.

Por Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB.



Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 26 de agosto de 2018
Aos Domingos
Caderno 2 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Onélia Queiroga - A Delicadeza

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É a forma branda e pura com que muitas pessoas tratam os seus semelhantes, os amigos e, até os passantes que, de inopino, com elas cruzam. A delicadeza é ínsita aqueles que pensam, mais nos outros do que em si mesmos; que os amam gratuitamente; que convivem com pessoas ilustres sem olvidar os mais humildes.


Há pessoas que cultivam a vaidade, que se julgam mais brilhantes que as estrelas, que refutam conviver com os mais simples; que estão acima dos desprovidos de recursos. A sua vaidade é tamanha que guardam no seu eu, a indelicadeza, propiciando às pessoas entreolharem-se, quando esta se aproxima, causando mal-estar aos presentes, por reprimir as suas expansões naturais.



A indelicadeza, ao falar-lhe, não capita ser a atenção recebida forçada, nem o repúdio aos elogios dispensados a si mesma, nem as críticas feitas aos demais, sem admitir sequer, constetação.Por isso, a plateia, quando pode, foge dela.



O presunçoso nunca é delicado, nem amável. Estes pendores são provas da 'delicadeza pura'que sempre conserva a dignidade no seio das respeitosas demonstrações feitas sem afetação. Esta espécie de delicadeza jamais se avilta na adulação.



Os estudiosos atribuem várias qualidades à 'delicadeza'', dentre tantas estão: 1 - Qualidade de delicado, como firmeza, tenuidade, igual à "Delicadeza dos Ramos; 2 - Suavidade e leveza, como 'Delicadeza do Vinho'; 3 -  Sensibilidade, sutileza e finura, como 'Delicadeza do Espírito'; 4 - Sagacidade, perspicácia e cortesia, como 'Delicadeza Intelectual'.



A delicadeza é tudo isto e muito mais: é esmero, mimo, brandura, afabilidade e ternura.



Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 18 de março de 2018
Aos Domingos
Caderno 2
  

quarta-feira, 28 de março de 2018

Onélia Queiroga - O Progresso E O Futuro


Antigamente, as viagens tornavam-se mais demoradas e cansativas, por causa das velhas estradas de barro, com a poeira cobrindo os olhos dos viandantes e de  imundícies os veículos.

A era asfáltica trouxe muito alento e prazer aos amantes de excursões por terra próximas ou distantes. A esse avanço, outro maior ainda, o da cibernética garantiu aos homens informações rápidas nunca vistas.

Mas impressionante tornou-se ouvir a voz do amado, dos pais, dos filhos e familiares num átimo. Nessa fase, tudo era tão incrível que até chegava a ser inacreditável. O progresso, em todas as searas do conhecimento humano, facilitou a vida das pessoas.

A televisão possibilitou a comodidade do cinema em casa, de notícias, ao vivo, atualíssimas, boas e também ruins. Sem falar, no uso de eletrodomésticos plurais, mais cortinas fechadas e abertas por controle remoto.

As aeronaves cruzam os céus, conduzindo os tripulantes para lugares longínquos do planeta, embora, ultimamente, de forma lamentável, são explodidas nos ares, pelas cruéis ações de espíritos maléfico.

A modernidade dos inventos não impediu, contudo, que o mundo se tornasse mais louco, mais cruel e mais incógnito em seus desígnios. Esta fase de terror inibe as pessoas de irem à praça, às compras, ao cinema ou de singrarem por mares nunca dantes navegados. Será que isso é progresso ou arte do maligno?

Será que não temos mais o direito de ir e vir? Será que a evolução dos tempos vai nos impedir até de sonhar? Se isto acontecer, é sinal de que o mundo vai se acabar. Que Deus nos salve, antes que a tragédia aconteça.

Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB.



Publicada no jornal Correio da Paraíba

Edição de 25 de março de 2018
Aos Domingos
Caderno 2

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Onélia Queiroga - A Tristeza

A tristeza é um estado psíquico que leva à alma vontade de chorar, por lembrar fatos repletos de mágoas e de desalento.

A tristeza provoca em quem a sente um desânimo da vida, carregado de nostalgia, de sentido de abandono, de desencanto, de perda nunca mais recuperada.

A tristeza, muitas vezes, leva ao isolamento, nos momentos mais sofridos e nas horas mais dolentes propiciadas pela natureza. Estima-se que esta compreende o por que da solidão de alguém, por isso,também, ela própria se estremece em solidariedade àquela que sofre.

Sofrer com resignação talvez represente um pouco de esperança na reconquista do bem perdido. Esperar com calma é preciso; é a magia de quem põe à prova as forças guardadas para esses instantes de transes de cruz.  

Tristeza vem, tristeza vai. A tristeza às vezes, fica por longo tempo de prova de resistência de cada um. A tristeza que vai, para nunca mais voltar, é aquela que já sabe que a dor do outro está completamente curada, pronta para acolher um novo dia, uma nova oportunidade de viver, uma nova era marcada por planos diferentes dos existentes outrora.

A tristeza não mora para sempre no coração do sofredor, porque há dias de chuva e dias de sol; há dias de escassez e dias de prosperidade; há dias de pessimismo e dias de esperança. Há dias para o fracasso e há dias para todas as vitórias.

Os que trazem no rosto a marca de ferro da tristeza, a dor, deve apagá-la. Deve ir em busca da felicidade que é alegria, que é luz e bondade. A sua conquista relacionada está à sabedoria de cada um. Os que a alcança, terão sempre um sorriso no semblante. São chamados de venturosos. 


Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB



Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 03 de dezembro de 2017
Aos Domingos
Caderno 2

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Onélia Queiroga - Encontrar O Tempo

O tempo chega, no momento em que choramos forte, ao nascer. Os vagidos encantam os expectadores presentes àquela data tão importante para toda a família. Os amigos e a vizinhança inteira sempre fizeram parte desta plateia que vibra, que anseia ver o novo membro da família. Ao vê-lo, cada um manifesta a sua opinião,  assim: 

- Parece com o pai. Com o pai, não, diz  a  irmã. Parece com a mãe! Até os olhos claros, as feições idênticas e os cabelos estiradas. Discussão à parte, o que vai prevalecer, doravante, será a formação definitiva das feições , disse a tia, pois, no futuro, aquelas poderão apresentar-se com contornos distintos, que os próprios membros da família comentarão:

- Como esse menino mudou! Agora, está tal e qual o bisavô: bonito, elegante e sabido. O menino que era calmo tornou-se um jovem expansivo, educado e elegante no vestir. O tempo transformou num belo jovem, desejado pelas moças mais prendadas da cidade. O jovem, no entanto, encontrou a eleita do seu coração. Formam um par harmonioso. 

O tempo também conduziu-os à nova etapa da vida, a dos filhos tão amados, Estes tornaram-se homens de bem, profissionais respeitados. Bendita prole! É o maior orgulho dos genitores que todos os dias, agradecem ao Senhor por tantas dádivas e por viverem juntos no caminhar perene, até chegarem, de mãos dadas, ao último tempo.

Onélia Queiroga
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB
Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 24 de setembro de 2017
Aos domingos C3 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Onélia Queiroga - As Flores

Existem lindas flores nos jardins do mundo; nos jarros das janelas de moradias diversificadas, enfeitando-as, feericamente. Não deixam de ser flores, de todas as espécies e de todas as cores, com mil finalidades.

As rosas brancas, reunidas num buquê, trazem fluídos positivos. Lembram a harmonia entre os seres humanos; a paz entre as nações;  a reconciliação entre rivais. Lembram, com intensa alegria, a entrada dos nubentes, na Igreja, rumo ao altar, para receber a consagração do Sacerdote, na benção final do "sim".


As rosas azuis transmitem mensagens de final defendidos por correntes ideológicas distintas, por respeito à regra de que cada um tem o direito de escolher a teoria em que acredita e defende.



As rosas amarelas adornam as festas, os lares, praças e jardins e, vez por outra,os cabelos das mulheres charmosas e belas. As rosas vermelhas são de espécies e tonalidades múltiplas, destacando-se a chamada "Rosa da montanha", de flores vistosas que se desfazem, facilmente, e de folhas penadas, vermelhas, quando novas.



As rosas vermelhas ornam os cabelos de belas dançarinas. Nas arenas das touradas são jogadas, após a vitória, pelos toureiros à sua amada, como na película cinematográfica, "Sangue e Areia", pelo famoso galã  hollywoodiano, Tyrone Power.



Hoje, a Rosa Vermelha é escolhida, para ornar Igrejas, nos casamentos, para embelezar as alfaias antigas das requintadas mansões, durante recepções principescas.




Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB


Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 30 de julho de 2017
Aos Domingos
Caderno 2

sábado, 18 de março de 2017

Onélia Queiroga - A Caridade

A caridade é uma virtude que, se utilizada pelo homem, certamente fortalecerá a humildade e afastará a soberba que o tenta a só pensar na riqueza, na amizade de amigos abastados e na oportunidade de crescer na esfera social.

A nossa verdadeira intenção e amar a Deus deve ser consubstanciada através da caridade, revelada mediante nova disposição de amar a Deus e ao próximo como a  nós mesmos, com atos de dignos cristãos.

A ausência de caridade em nossos pensamentos e em nossas ações representará possível nascente  de comportamentos ignóbeis, capazes de traírem pessoas de boa fé, acarretando deslealdade para com os justos e necessitados de afetos.

O homem deve banir de suas atitudes a maldade que pode dar-lhe somente desgosto e uma vida pesada de culpa, pelos maus atos praticados. E, quantas vezes, até mesmo os confiantes são arrastados pela indolência dos bons, quando hipnotizados pela ganância de oferta de vida opulenta.

O ser humano deve sempre vigiar as suas decisões, se dignas ou indignas, para evitar caminhos pedregosos e examinar o que existe de bom no seu coração e segui-lo, com destemor e altivez. A caridade nos leva a amar a temperança. Esta, diante dos falsos acenos do mundo, representa o equilíbrio verdadeiro que garante o sossego espiritual.

A aliança entre estas duas virtudes é a fortaleza que nos conduz ao estágio da paz. Estágio que nos possibilita descobrir, quando o Senhor fala conosco.



Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 05 de fevereiro de 2017
Aos Domingos
Caderno 2

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Onélia Queiroga - A Superstição



um conto- uma crônica

A origem da superstição remonta às concepções dos antigos reis da Pérsia. E consistia em atribuir a certas coisas ou até criaturas um poder enorme, mesmo que elas não o tivessem. A tendência do supersticioso inclinada está ao temor e à ignorância maléfica de certos objetos, de determinados números e, até, de algumas palavras.

As crendices mais comuns que perduram na atualidade são a do azar que traz o chinelo emborcado: da infelicidade, a doença, a ruína nos negócios, tudo é possível. Outros, porém, arrepiam-se, quando ouvem o vem-vem cantar, por saberem que visitas não desejadas chegarão. Quantas vezes, na minha infância, as pessoas adultas recomendavam-me a não passar por baixo de uma escada. A teimosia, segundo elas, seria fatal à atração de infortúnio. O mesmo se diga a de não passar a perna por cima da cabeça das pessoas, porque a vítima estaria fadada a não crescer mais. Há, ainda, a superstição que revela ser imprescindível dar a uma criança para beber água de chocalho, e, assim, ela conseguirá falar mais cedo. A mais interessante dessas superstições era a que os velhos afirmavam para os jovens que não apontassem para as estrelas, pois, com certeza, ficariam com o corpo cheio de verrugas.

Existem dias e meses que não renegados: como o número 13, que, segundo a crença popular, traz má sorte. A primeira segunda-feira de agosto, dizem que é dia aziago. Estas informações são até interessantes, mas, inculcá-las no cérebro, não vale a pena. O melhor, é confiar em Deus e fazer por onde criar o seu próprio destino, com fé, persistência e amor ao próximo.


Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB


Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 25 de setembro de 2016
Aos Domingos
Caderno 2

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Onélia Queiroga - A Tristeza


um conto-uma crônica

A tristeza é um estado psíquico que leva à alma vontade de chorar, por lembrar fatos repletos de mágoas e de desalento. A  tristeza provoca em quem a sente um desânimo da vida, de sentido de abandono, de desencanto, de perda nunca mais recuperada.

A tristeza, muitas vezes, leva ao isolamento, nos momentos mais sofridos e nas horas mais dolentes propiciadas pela natureza. Estima-se que esta compreende o por que da solidão de alguém por isso também ela própria se estremece em solidariedade  àquele que sofre.

Sofrer com resignação talvez represente um pouco de esperança na reconquista do bem perdido. Esperar com calma é preciso; é a magia de quem põe à prova as forças guardadas para esses instantes de transes de cruz.

A tristeza, às vezes, fica e às vezes vai. Não mora sempre no coração do sofredor, porque há dias de chuva e dias de sol; há dias de escassez e dias de prosperidade; há dias de pessimismo e dias de esperança. Há dias para o fracasso e há dias para todas as vitórias.

A tristeza somente dura enquanto a felicidade não chega. Quando aporta na casa de alguém, vai embora, em busca de outro lugar, onde encontre espaço para se abrigar.

O ser humano, por toda a sua vida, caminha ao encontro de dias melhores. Daí ser a tristeza sempre errante e a felicidade arraigada à natureza de todas as criaturas, sendo, assim, a sua maior conquista.

Os que trazem no rosto a marca de ferro da tristeza, a dor, deve apagá-la. Deve ir em busca da felicidade que é a alegria, que é luz e bondade. A sua conquista relacionada está à sabedoria de cada um. Os que a alcança, terão sempre um sorriso no semblante. São chamados de venturosos. 


Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 04 de setembro de 2016
Aos Domingos
Caderno 2 


terça-feira, 24 de maio de 2016

Onélia Queiroga - A Caridade


um conto - uma crônica

A caridade é uma virtude que, se utilizada pelo homem, certamente fortalecerá a humildade e afastará a soberba que o tenta a só pensar na riqueza, na amizade de amigos abastados e na oportunidade de crescer na esfera social.

A nossa verdadeira intenção de amar a Deus deve ser consubstanciada através da caridade, revelada mediante nova disposição de amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos, com atos de dignos cristãos.

A ausência de caridade em nossos pensamentos e em nossas ações representará possivelmente de comportamentos ignóbeis, capazes de traírem pessoas de boa-fé, acarretando deslealdade para com os justos e necessitados de afetos.

O homem deve banir de suas atitudes a maldade que pode dar-lhe somente desgosto e uma vida pesada de culpa, pelos maus atos praticados. E, quantas vezes, até mesmo os confiantes são arrastados pela indolência dos bons, quando hipnotizados pela ganância de oferta de vida opulenta.

O ser humano deve sempre vigiar as suas decisões, se dignas ou indignas, para evitar caminhos pedregosos e examinar o que existe de bom no seu coração e segui-lo, com destemor e altivez.

A caridade nos leva a amar a temperança. Esta, diante dos falsos acenos do mundo, representa o equilíbrio verdadeiro que garante o sossego espiritual.

A aliança entre estas duas virtudes é a fortaleza que nos conduz ao estágio da paz. Estágio que nos possibilita descobrir, quando o Senhor fala conosco.



Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB



Publicada no jornal Correio da Paraíba

Edição de 7 de fevereiro de 2016
Aos Domingos
Caderno 2



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Onélia Queiroga - Carnaval

um conto-uma crônica

É a melhor festa tradicional do mundo. Agrada o corpo e a alma Basta a orquestra tocar, o espírito anima-se, incorpora o ritmo e transmite toda a sua carga energética aos passistas.

O folião nato não resiste ao frevo e ao samba, principalmente, quando a escolha recai em frevo como: "Vassourinha", de "Felinto, Pedro Salgado, Guilherme e Penelon, cadê seus blocos famosos"? E, ainda mais, em "Voltei Recife", "Foi a saudade que me trouxe pelo braço/Quero ver, novamente, vassoura na rua passando, tomar umas e outras e cair no passo".

Vale lembrar os famosos Sambas: "Na cadência do samba" /Sei que vou morrer, não sei o dia/Levarei saudades da Maria", de Ataulfo Alves e Paulo Gesta; o "Saudosa Maloca",/Maloca querida, dimdim/Donde nós passemos os dias felizes de nossas vidas", de Adoniran Barbosa.

Essas lembranças chegaram à minha mente, para arrastar-me até a Sede Operária de Pombal, quando jovem,era, e, pelo braço do meu querido cunhado, Avelino Elias de Queiroga, saíamos do Clube para o carnaval dos seus amigos e seguidores. Na Sede, a orquestra nos recebia com música. Os foliões construíram a grande roda. O frevo explodiu. E eu, no meio, marcava o passo para os eleitores do meu cunhado. Abaixava-me e levantava-me, de inopino. Ao tocar o piso, cruzava os pés, num emaranhado de passos e trejeitos de braços, pés e mãos, em incrível cena coreográfica. Agora, em hipnose, atravesso as barreiras da eternidade da minha inesquecível irmã, Oneide, e peço-lhe, que juntas, cantemos o nosso hino de foliãs: "Saca rolha": "As águas vão rolar/Garrafa cheia eu não quero ver sobrar/Eu passo a mão na saca-saca, saca-rolha/ E bebo até me afogar".

Onélia Queiroga
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 7 de fevereiro de 2016
Aos Domingos
Caderno 2 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Onélia Queiroga - Um Sonho De Uma Janela

Um conto - uma crônica

O jovem rapaz, há mais de três meses, seguia o mesmo itinerário. Nada o demovia desse intento tão prazeroso, pleno de fantasia novelesca que o levava a assim se comportar.

Estava na flor da idade, com apenas dez anos. E, aos poucos, os sonhos amorosos passaram a dominá-lo, por inteiro. O forte motivo fora a causa de sua mudança interior, levando-o até a pensar em próximas núpcias.

O horário do passeio era o  de sempre. Coincidia, quase, com o das cores agônicas do cair da tarde, tempo em que o vento já soprava uma agradável brisa. Fenômeno bom, contudo, incapaz de controlar as aceleradas batidas do coração do jovem, quando se aproximava da mágica Casa Amarela.

O jovem esbelto, consigo mesmo, assim invocava ao Senhor: - "Ah! Meu Deus! Preciso ver de novo, a linda normalista, com aquele olhar fixo na minha pessoa, penetrante, como a dizer-me mensagem idílica.

Olhava-a, frente a frente, quando passava bem juntinho de sua janela. Era um forte sentimento, a dois, silencioso, mas tão profundo! Vez por outra, voltava a cabeça para a janela. Lá, ela, ainda permanecia a fitá-lo. Esse mesmo ritual foi cumprido durante muito tempo, com amor verdadeiro que, até hoje perdura, em fase platônica, com saudades.

A lembrança dessa cena entranha-se, agora, na mento do sonhador, sob a forma de página de ouro, a ser guardada como a primeira vitória sentimental de um moço eternamente guapo, na juventude, que se enamorou de uma linda mulher, debruçada em emoldurada janela de casario antigo.

Onélia Queiroga 
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB



Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 25/10/2015
Aos Domingos
Caderno 2 C 3   

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Onaldo Queiroga - Copacabana, Princesinha Castigada




um conto-uma crônica

Sua beleza é algo indescritivelmente sublime e inesquecível. Sua calçada é internacionalmente conhecida, pois seu desenho se harmoniza com as ondas do mar, com o céu de azul intenso que abriga o sol de 40 graus, a espalhar o amarelo das saborosas cervejas e do chope. Sua graça é simetria das sereias que tanto inspirou violões poéticos e corações apaixonados.


Não é a toa que o maestro Jobim a exaltava cantando:
"Existem praias tão lindas cheias de luz
Nenhuma tem o encanto que tu possuis
Tuas areias, teu céu tão lindo
Tuas sereias sempre sorrindo
Copacabana, princesinha do mar
Pelas manhãs tu és a vida a cantar
E a tardinha o sol poente
Deixa sempre uma saudade na gente
Copacabana o mar eterno cantor
Ao te beijar ficou perdido de amor
E hoje vive a murmurar
Só a ti, Copacabana
Eu hei de amar".

Recentemente, te visitei. Como antes, ali estava o cenário exuberante. Mas, havia algo que arranhava o encanto daquele quadro natural de grandiosa formosura. O homem, sempre ele, vem te maltratando. Nas águas do teu mar, uma faixa grande de resíduos, decorrentes da poluição, boiava, manchando tua beleza. Tinha, ainda, algo que incomodava muito: o mau cheio dos esgotos.

Esse mal cheiro não senti só no cenário de Copacabana, mas desde a saída do aeroporto do Galeão, quando passamos pelo complexo da Maré, pelo Aterro do Botafogo e pela Lagoa Rodrigues de Freitas. Maratona, meia maratona, ou provas similares, tudo isso, na imagem da TV, é bacana. Não se pode dizer o mesmo quanto aos participantes, que correram "sob incentivo" do insuportável mau cheiro.

Até quando isso vai perdurar? 2016 é ano de Olimpíadas. independentemente, precisamos perfumar a princesinha e devolver todos os seu encantos, antes que a sujeira do homem a destrua de vez.

Onaldo Queiroga é Juiz de Direito

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 06/9/2015
Opinião  
Foto: en.wikipedia.org.4288x2848Pesquisa por imagem

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Onélia Queiroga - A Tristeza

A tristeza é um estado psíquico que leva à alma vontade de chorar, por lembrar fatos repletos de mágoas e de desalento.

A tristeza provoca em quem a sente um desânimo da vida, carregado de nostalgia, de sentido de abandono, de desencanto, de perda nunca recuperada.

A tristeza, muitas vezes, leva ao isolamento, nos momentos mais sofridos e nas horas mais dolentes propiciadas pela natureza. Estima-se que esta compreende o por que da solidão de alguém, por isso, também, ela própria se estremece em solidariedade àquele que sofre.

Sofrer com resignação talvez represente um pouco de esperança na reconquista do bem perdido. Esperar com calma é preciso; é a magia de quem põe à prova as forças guardadas para esses instantes de transe de cruz.

Tristeza vem, tristeza vai. A tristeza, às vezes, fica por longo tempo de prova da resistência de cada um. A tristeza que se vai, para nunca mais voltar, é aquela que já sabe que a dor do outro está completamente curada, pronta para acolher um novo dia, uma nova oportunidade de viver, uma nova era marcada por planos diferentes dos existentes outrora.

A tristeza não mora para sempre no coração do sofredor, porque há dias de chuvas e dias de sol; há dias de escassez e dias de prosperidade; há dias de pessimismo e dias de esperança. Há dias para o fracasso e há dias para todas as vitórias.

A tristeza somente dura enquanto a felicidade não chega. Quando esta aporta na casa de alguém, a tristeza vai embora, em busca de outro lugar, onde encontre espaço para se abrigar.

O ser humano, por toda a sua vida, caminha ao encontro de dias melhores. Daí ser a tristeza sempre errante e a felicidade arraigada à natureza de todas as criatura, sendo, assim, a sua maior conquista.

Os que trazem no rosto a marca de ferro da tristeza, a dor, deve apagá-la. Deve ir em busca da felicidade que é alegria, que é luz e bondade. A sua conquista relacionada está à sabedoria de cada um. Os que a alcança, terão sempre um sorriso no semblante. São chamados de venturosos.    


Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB


Publicada no jornal Correio da Paraíba
Coluna: Aos Domingos
Caderno: Cultura/Lazer

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Onélia Queiroga - Copa Do Mundo


um conto-uma crônica

A cada quatro anos, os brasileiros cultivam, mais ainda, o sentimento de brasilidade, em seus corações. Mas, em todos esses anos, o Brasil tornou-se, realmente, o país do futebol, o país de um povo alegre e feliz, mesmo que os tempos sejam ásperos.

Em 1958, Didi, Pelé e Vavá bailaram lá na Europa e a Copa veio p'ra cá. Gilmar, Di Sordi e Belini, Zagalo, Zito e Garrincha, Nilton Santos e Orlando foram os campeões do mundo e o Brasil saudou, pela primeira vez, os cinco a dois (5x2), Vitória!

Em 1962, o Chile sediou a Copa. A seleção brasileira compunha-se de estrelas, como Gilmar, Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos, Zito, Didi, Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagalo.

Pelé contundiu-se, na segunda partida, e foi substituído por Amarildo que brilhou em todos os jogos. Nova Taça para o Brasil. Bicampeão!

Em 1970, a Copa foi no México. Ano glorioso! A Nação inteira cantou, com empolgação nunca vista: "Noventa milhões em ação, p'ra frente Brasil, salve a seleção. De repente, é aquela corrente p'ra frente, parece que todo Brasil deu a mão! Foi gol no peito; gol na garganta, com Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza, Everaldo, Gerson, Clodoaldo; Pelé, Jairzinho, Tostão e Rivelino. Outra taça para o Brasil. Tricampeão!

Em 1994, nos Estados Unidos, o Brasil deu a volta por cima e bailou. Na casa da minha querida irmã, Oneide, no último jogo, implorávamos ao Pai para que aquela Taça fosse novamente nossa. O jogo final foi decidido nos pênaltis. E haja coração! Valeu o grito final. Salve Romário, o grande artífice da nossa glória. Brasil, Tetracampeão!

Em 2002, no Japão e Coreia do Sul,o time era composto de verdadeiros atletas gregos. No último jogo, fomos a Buenos Aires. Fiz promessa de usar a mesma roupa em todos os jogos, rezando, no intervalo, uma oração. Terminado o primeiro tempo, saí do hotel e fui cumprir a minha palavra aos Santos.

No segundo quarteirão, vi uma placa, assim escrita: "Nueva vitória". Gritei tão alto que a turma correu para a calçada e foi ao meu encontro. Disse-lhe: a Taça é nossa! E apontei para o alto. Fotografei-a. Salve Ronaldo Fenômeno! Brasil, Pentacampeão!

Agora, aguardamos o Hexa!


Onélia Queiroga
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Coluna: Aos Domingos

Caderno: Cultura/Lazer

Onélia Queiroga - Palavras Cruzadas


um conto-uma crônica

Cruzar palavras em quadrinhos é um passatempo dos mais saudáveis. É atividade mental que diverte, ativa o cérebro e, ao mesmo tempo, transmite ao pesquisador vários conhecimentos.

A busca de vocábulos, para preencher os espaços, deve ser correta. Interpretação errônea do enunciado pode provocar rasuras. O que não deve desestimular o cruzadista.

Ao folhearmos as páginas, deparamo-nos com enormes desafios; com caminhos labirínticos a serem percorridos, com paciência, até que se encontre a porta de saída. Surgem, ainda, surpresas boas que podem nos levar a tantas alegrias!

Dessa forma, no "Caça Palavras", encontrei a Pequena Notável, Maria do Carmo Miranda da Cunha, a nossa Carmen Miranda, cantora e atriz internacional, mas de alma inteiramente brasileira.

Carmen Miranda nasceu em Portugal, em Marco de Canavenses, em 9 de fevereiro de 1909. Chegou ao Brasil, bebê. Para ajudar a família, começou a trabalhar aos quatorze anos e logo foi demitida dos dois empregos: o da loja de gravatase e o da chapelaria, por cantar durante o expediente.

Josué de Barros descobriu-a. Logo a encaminhou ao seu destino: as gravadoras e o teatro. A chance de verdade surgiu com a marchinha: "Pra você gostar de mim". Estourou nas paradas do sucesso e a pequena garota transformou-se em estrela internacional, em Buenos Aires e nos Estados Unidos.

Eis-me, de novo, nas cruzadas. Agora, defronte do "quadro" das definições, disposta a encontrar as respostas certas, a fim de transpô-las para o "diagrama", onde surgirão o nome do autor e a respectiva frase.

Completadas as duas tarefas, enchi-me de júbilo e lembrei-me de Hello Boy! Nas casas em destaques do quadro, o nome da autora: Mayana Neyva, atriz de novelas, como " Cordel Encantado" e "Sangue Bom". No diagrama, a bela frase da querida aluna: "Deus é tudo.Rezo todos os dias (...). Trabalho com o coração dos personagens. Me desloco de mim para fazê-los. E ter essa conexão é muito importante".

Em outro quadro e diagrama, li o pensamento de Fernando Sabino: "Quando eu morrer, com certeza vou para o céu. Assim que chegar lá, vou procurar São Francisco de Assis para ficar amigo dele".

Palavras cruzadas! A luz que irradia de suas páginas são verdadeiros estímulos à leitura, à pesquisa e ao raciocínio.


Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB



Publicada no jornal Correio da Paraíba

Coluna: Aos Domingos

Caderno: Cultura/Lazer

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Onélia Queiroga - O Sertanejo

um conto - uma crônica

O sertanejo é um homem sábio. A convivência com a natureza parece dar-lhe uma visão mais elástica do mundo e das coisas. E por que não dizer, também, da compreensão dos seres humanos, analisando-os, como ninguém. Desvendando-os, ainda, pelo comportamento, se é honesto ou não; se tem espírito de água ou se é confiável.

O sertanejo tem raciocínio rápido. Não se deixa hipnotizar pela conversa bonita dos homens de negócios. Basta um gesto, uma maneiro singular de o bazofiador expor a outrem a vantagem de adquirir determinada mercadoria e de vender o imóvel seu, para decifrar, antecipadamente, se estas transações devem ou não ser concretizadas.

Existe, ainda, nos dias de hoje, exemplar da espécie acima referida. Reside no alto sertão. Continua vinculado à vida campestre, ao convívio com a natureza e fauna da região; à alimentação farta plantada e colhida por suas mãos e as dos seus agregados. Ninguém igual a ele para decifrar a alma de sua gente.

Muitos o procuram, para aconselhamento. As questões apresentadas diferem em temas e profundidade. Com calma e paciência, ele ouve a todos, mesmo que a história contada seja longa e repleta de trilhas acidentadas ou se comporta maior reflexão, pela seriedade do problema pessoal ou familiar, a exigir uma resposta adequada, precisa e sincera.

O sertanejo verdadeiro é homem devoto. Crê em Deus Pai todo poderoso. E, por incrível que pareça, é justamente na fase de dor e de sofrimento que mais invoca o santo nome do Altíssimo. E, com tanta fé o faz que as suas súplicas são ouvidas.

Essa gente simples, boa acolhedora, quando se acha em alguma necessidade, recorre à promessa tão costumeira: a de andar de pés descalços e com coroa de espinhos na cabeça, durante a procissão da Festa da Padroeira, enfrentando, sem nada reclamar, o causticante sol, ao pingo do meio-dia.

Como sertanejo, não há. É homem de mesa farta, seja rico, seja pobre, a sua maior alegria é receber as pessoas com um agrado, começando pelo café quentinho, coado no pano com suporte de dois pauzinhos.

Essa é a autêntica dádiva, a que é entregue de todo coração.


Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB



Publicada no jornal Correio da Paraíba
Coluna: Aos Domingos
Caderno: Cultura/Lazer
Foto: www.mundodastribos.com

sábado, 26 de outubro de 2013

Onélia Queiroga - Evento Cheio De Graça

Papa Francisco e a presidenta Dilma Rousseff chegando ao Brasil 

Eleito, o Papa Francisco escolhe o Brasil, primeiro país a recebê-lo como Pontífice da Igreja Católica, na abertura da Jornada Mundial da Juventude.

A boa nova encheu a Nação de alegria e felicidade.É que a notícia tocou profundamente os nossos corações. A primeira visita chegou como um sinal do Céu, para todos os fieis, mormente, para os jovens, titulares do grande encontro religioso.

Francisco aportou no Brasil com um largo sorriso. Com o espírito pleno de harmonia, acreditando mais ainda na sua missão divina de acolher os humildes, de dedicar-se à toda prova, à recuperação dos desviados dos caminhos do Pai.

E Deus se revelou de forma inesperada, no cenário das grandes avenidas do Rio de Janeiro, através do Papa, quando circulava com o vidro aberto, acenando para a grande multidão que cercava o Papa Móvel.

O calor do povo tão espontâneo e tão entusiasta encontrou acolhida na humildade de Francisco, manifestada na sua intenção de sempre estar perto das pessoas, de acolhê-las, de ouvi-las e confortá-las nos momentos de súplica.

O Papa, figura divina, tornou-se mortal. Fez-se homem e integrou-se à massa. Estendeu-lhe as mãos, sorrindo, segurou crianças nos braços, afagando-lhes os cabelos;  abriu as mãos para todos, como num longo abraço fraterno.

Esse é o nosso Pontífice.Francisco por convicção, por fé e amor ao próximo. Externou e deixou a sua marca. Veio até nós  revelou a sua verdadeira missão.Foi tocado, também, pelo carinho das pessoas. Tomou-o como manifestação nova, sem reservas, mesmo não tendo aquela situação inusitada sob controle próprio ou dos seguranças.

Francisco enfrentou o fato com tranquilidade. Confiou em Deus, na cena inovadora que poderia mudar a vida de muita gente. Essa confiança já fora revelada em "A voz  do Papa", ao dizer que "Em toda a história da salvação, quando Deus Se revela traz novidades, transforma e pede para confiar totalmente n'Ele. E aponta, como exemplo, o de Noé que constrói uma arca, no meio da zombaria dos demais, e salva-se.

Francisco é um Papa  iluminado. E no cumprimento da novidade que viu nas ruas, não medirá esforços, para levar às pessoas clarividência necessária, para que possam acolher a Boa Nova de Cristo, irmanando-se e acolhendo a todos na unidade do Espírito Santo.


Onélia Queiroga

Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB



Publicada no jornal Correio da Paraíba

Coluna: Aos Domingos

Caderno: Cultura/Lazer
Edição 28/07/2013.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Onélia Queiroga - Os Passos Do Senhor



um conto-uma crônica

O Senhor está em nosso caminho, em todos os momentos. Acompanha-nos, em silêncio, com os seus passos divinos, guiando-nos,protegendo-nos , velando-nos, para seguirmos a trilha do bem.

Muitas vezes, invocamos, assim, o seu Santo nome: - Ó, Deus! Precisamos do seu amparo, do seu dom de cura, do seu apoio de Pai. Nesses momentos de aflição, o pedido reveste-se sempre com conotação de socorro, de urgência inadiável.

O apelo de uma alma aflita dirigido ao Senhor para ser acolhido, deve, antes, ser examinado, porque o valor das circunstâncias de quem solicita recursos pronto e rápido pode receber tratamento distinto sob a ótica divinal.

As soluções que desejamos para o bom desenrolar de determinado problema que nos angustia, às vezes, têm que esperar pelo tempo, para que o verdadeiro êxito que nos fará feliz chegue em outro momento, o propício, à nossa vida.

Quando o homem fraqueja e se deixa dominar pela luxúria, entregando-se à lascívia, desrespeita os deveres de consorte; tropeça e, quantas vezes, sua alma não se aflige. O Pai, que não o perde de vista, fará o seu julgamento "na justiça de sua verdade".

A bondade do Pai é tão grande que Ele não descuida da salvação do desviado. Acompanhá-lo-á ao retorno do bom caminho, pelo verdadeiro conhecimento. E isto se dá pelo arrependimento, pela mudança de vida, pelo novo pulsar do seu coração. Assim sendo, o servo receberá a misericórdia do Senhor, com a remissão dos seus pecados.

O Pai acolhe a todos. Cobre-os com o Seu manto, vocábulo que tem inúmeros significados, tais como: agasalha-os, protege-os, ajuda-os em todos os tempos, bons ou ruins; de abastança ou dificuldades. O importante é que Ele sempre vela por nós, por ser o nosso Pai, e nós os filhos Dele.

Feliz é o homem que segue os ensinamentos do Senhor. Será sempre um bom homem: o que acolhe os humildes; o que ajuda aos necessitados; o que socorre os doentes; o que alimenta os famintos; o que veste os esfarrapados; o que segura na mão dos incrédulos e os conduz pelos caminhos da fé, do bem e da luz.


Onélia QueirogaEscritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Coluna: Aos Domingos
Caderno: Cultura/Lazer
Edição 09/06/2013.