quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Onélia Queiroga - A Superstição



um conto- uma crônica

A origem da superstição remonta às concepções dos antigos reis da Pérsia. E consistia em atribuir a certas coisas ou até criaturas um poder enorme, mesmo que elas não o tivessem. A tendência do supersticioso inclinada está ao temor e à ignorância maléfica de certos objetos, de determinados números e, até, de algumas palavras.

As crendices mais comuns que perduram na atualidade são a do azar que traz o chinelo emborcado: da infelicidade, a doença, a ruína nos negócios, tudo é possível. Outros, porém, arrepiam-se, quando ouvem o vem-vem cantar, por saberem que visitas não desejadas chegarão. Quantas vezes, na minha infância, as pessoas adultas recomendavam-me a não passar por baixo de uma escada. A teimosia, segundo elas, seria fatal à atração de infortúnio. O mesmo se diga a de não passar a perna por cima da cabeça das pessoas, porque a vítima estaria fadada a não crescer mais. Há, ainda, a superstição que revela ser imprescindível dar a uma criança para beber água de chocalho, e, assim, ela conseguirá falar mais cedo. A mais interessante dessas superstições era a que os velhos afirmavam para os jovens que não apontassem para as estrelas, pois, com certeza, ficariam com o corpo cheio de verrugas.

Existem dias e meses que não renegados: como o número 13, que, segundo a crença popular, traz má sorte. A primeira segunda-feira de agosto, dizem que é dia aziago. Estas informações são até interessantes, mas, inculcá-las no cérebro, não vale a pena. O melhor, é confiar em Deus e fazer por onde criar o seu próprio destino, com fé, persistência e amor ao próximo.


Onélia Queiroga
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 25 de setembro de 2016
Aos Domingos
Caderno 2

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