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sábado, 12 de janeiro de 2019

Germano Romero - E O Amado Pai Partiu...

Carlos Romero

Amigos, peço-lhes para usar este espaço tão nobre, onde meu pai semeou pedaços de si, especialmente colhidos do jardim de suas emoções, com os leitores do Correio. Agora, sou eu quem ofereço flores que amigos sinceros fizeram brotar com seu mais legítimo perfume, por ocasião de seu desenlace, no último domingo.

De George Guedes Pereira: Carlos era um homem que irradiava alegria de ser o protagonista e sua vida plena de paz e harmonia com o mundo que o cercava,expressa invariavelmente  e de forma  cristalina nas suas magníficas e elegantes crônicas semanais do Correio. Como era gostoso ler Carlos. Seu jeito lembrava-me muito o inesquecível personagem de Peter Selers no filme "Muito além de um jardim".Assim como ele, Carlos era um apaixonado admirador da beleza, da perfeição, da grandiosidade e da força da natureza, como a mais perfeita expressão do poder do Criador".

De Gabriel Medeiros: Fiz parte dessa família quase como um agregado de tão bem acolhido que fui ao cuidar do "Professor de Vida" Carlos Romero.

Que se perpetue seu lindíssimo legado para todos nós e que você , Germano. seja sempre lembrado como exemplo de quem amou e cuidou incansavelmente de seu cuidador desde muitos anos.Que bela expressão do ciclo da vida!"

De Gisele Citadino: "Meu amigo Germano, você definiu irretocavelmente o seu amado, e agora saudoso e inesquecível pai.Apenas acrescento , um erudito que enxergou muito além do seu tempo.Para os seus incontáveis amigos, fica o jargão: grandes recordações e imensas saudades.

Que a vida te compense por ter sido esse filho tão espetacular. Eu também tinha uma relação muito próxima e carinhosa com meu pai. Quando ele se foi, ficou para sempre  dentro do meu coração, de onde ninguém poderá tirar. E isso me acalmou muito. Converso com ele todo dia apesar de tantos anos terem se passado.

Saiba que seu pai foi sortudo demais por ter um filho tão dedicado. Abraço muito carinhoso da sua eterna amiga".

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 8 de janeiro de 2019
Opinião. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Germano Romero - O Mundo Que Não Queremos



Ah, mundo...Procuram vida extraterrestre pelas galáxias, gastam bilhões de dólares atrás de saber se tem água na Lua, ou em Marte, e esquecem de que os rinocerontes estão se extinguindo.


Desenvolvem-se tecnologias bélicas, terríveis armamento químicos e nucleares, utilizando quantias milionárias para armazenar arsenais que podem acabar com o planeta em poucas horas, mas esquecem de que os recursos naturais estão se ultimando.

São dispendidas   vultosas quantias em fabricação de incontáveis medicamentos e vitaminas sintéticas, abrem-se inúmeras farmácia, em toda esquina, mas não impedem que a comida seja contaminada por agrotóxicos, sem nenhum controle dos órgãos responsáveis.

Descobrem que as sacolas plásticas de supermercado, que não são recicláveis, passam séculos para se degradar no meio ambiente, mas não se proíbe a sua fabricação, e ainda sacodem por aí, em tudo que é canto. 

Adverte-se que em algumas dezenas de anos a água potável faltará no planeta e será motivo até de guerras entre os povos, mas não se lembram de empreender projetos para despoluir os fios, que viraram esgotos.

Alarmantes são os índices de poluição urbana nas grandes cidades, mas não se investe em trens, metrôs, pelo contrário, aumentam a produção de veículos privados.

As florestas que equilibram o meio ambiente e produzem nosso oxigênio se reduzem a cada ano, mas flexibilizam os códigos florestais para permitir mais desmatamento.

Enchentes crescem a cada ano nas áreas urbanas, mas não se promove a permeabilidade do solo, nem se aumenta a drenagem natural.

Por fim, promulga-se uma lei que proíbe as empresas privadas de doar dinheiro aos partidos políticos, mas os próprios políticos criam um fundo bilionário com dinheiro público para financiar as suas campanhas.

Decididamente, esse é o mundo que não quero para mim.Nem pra ninguém.

Germano Romero
Arquiteto e bacharel e Música.

Publicadono jornal Correio da Paraíba
Edição de 24 de agosto de 2018
Opinião.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Germano Romero - Deus Existe!


Nunca me canso de cultivar reflexões acerca das maravilhas desse mundo, tão pequeninos diante da infinitude cósmica, quanto imenso perante o universo microscópico. Ora, imagino, se aqui na Terra nos foi permitida inteligência humana capaz de criar uma música como a Nona Sinfonia de Beethoven ou o Adagio da Gran Partita de Mozart, o que se pode esperar do além mundo? Maravilhas ainda maiores, evidentemente.

Afinado com a transcendência, lembro de um insight experimentado sob a nave da Notre Dame de Paris, quando num certo domingo, à hora de Maria, com os ouvidos conectados diretamente ao coração, escutei subitamente o mavioso e monumental órgão da bela igreja executar a ária "Acordemos , a Voz nos chama", da Cantata nº 140 de Bach.

Naquele transe íntimo e extasiante pude saborear um pedacinho daquele Reino dos Céus que Jesus conferiu às crianças, aos humildes, aos "pobres de espírito", carentes de perspicácia, mais ricos de pureza e bondade. É o mesmo que sinto ao olhar para esse céu brilhante, ouvir o barulho do mar que se movimenta em ondas macias, bem acolá, e o pio que a corujinha entoa pela noite adentro na relva orvalhada?

Assim, consolido um entendimento profundo em torno da fé que tais imagens refletem na expansão da consciência, provocando um estado d'alma raro e precioso, que nunca deveríamos esquecer.Quisera pudesse permanecer assim, diante das vicissitudes da correria urbana, das nuances de saúde, próprias da condição humana, dos fatos que se nos apresentam equivocadamente como infortúnios e inoportunos por nossa limitada visão.

Que meus olhos e meu espírito prossigam iluminados apenas pela intuição desta transcendência que me nutre de fé e esperança na grandeza da Criação Divina...Desse êxtase que incendeia os mais íntimos recônditos do espírito, como se escondesse pra me  sussurrar o grande segredo. Deus existe!  

Germano Romero.Arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 09 de março de 2018
Opinião 

sábado, 9 de julho de 2016

Germano Romero - Como É Bom Fazer O Bem...


um conto - uma crônica

Vivemos de emoções. Não há outra opção. De alegria, tristeza, saudade, ansiedade, a vida é assim, feita de sentimentos. É verdade que, vez por outra, devemos frear o lado emotivo, e procurar a neutralidade do estado "zen". Tentar o vazio mental, na meditação ou em outro plano que canalize novas energias, deixando fluir as velhas.

Mas, cuidado, há emoções que podem ser produzidas por pensamentos negativos, que advêm das armadilhas que a mente nos prepara. E, como disse Rajneesh, "a mente pode ser nossa maior inimiga". Mágoas, ressentimentos, julgamentos equivocados, falta de paciência, orgulho e preconceito provocam emoções ruins, produzidas pelo pensamento, que podem ser evitadas com bondade e sabedoria.

Mas, de todas as emoções, nenhuma se equipara à sensação de fazer o bem. Como é bom fazer o bem!

Manhã de sábado, caminhando à beira-mar, deparamo-nos com um celular de última geração, reluzindo na areia. Apanho-o, olho em volta, e nem sombra do dono. Trazemos para casa e aguardamos alguém ligar, pois o bloqueio de segurança não nos permitiu uma informação de contato.

Uma hora depois, soa o esperado toque. "Alô, bom dia". "Alô, olha, eu perdi esse celular na praia, o senhor o encontrou?""Sim, meu amigo, está aqui, à sua disposição".

Informado o endereço, não se passaram vinte minutos e a campainha toca. Na calçada, somos recepcionados por um semblante ansioso que se refaz em alívio ao recuperar o sofisticado aparelho.

"Moço, eu trabalho com turismo, já perdi uns 10 celulares e esse é o primeiro que recupero". "Puxa, por que?  "Porque ninguém devolve"...

Em seguida, levanta-me os olhos e indaga: "Quanto é?" "Quanto é o quê, meu amigo, o celular é seu!" "Nossa! Muito obrigado, muito obrigado".

Ele ganhou o celular de volta e eu ganhei o dia, pois, não há melhor emoção do que fazer o bem.

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paráiba
Edição de 08 de julho de 2016
Opinião

Germano Romero - Religiosos Sem Religiosidade



um conto - uma crônica

Como é bom falar de coisas boas, de amor, de solidariedade e de tudo o que nos ensinou o maior Mestre de todos os tempos. A União Espírita Chico Xavier é uma casinha branca, pequenina, no meio do verde, à margem da rodovia da Praia de Tabatinga. É lá que, vez por outra, nas tardes de sábado, dou um pulinho para ouvir essas coisas.

Tudo de graça, tudo voluntário, tudo espontâneo, tudo em torno de Jesus, sem dízimo nem cobranças. Aliás, é bom lembrar do que Ele próprio profetizou: "Quando duas ou mais pessoas se reunirem em meu nome, eu estarei presente".

E é óbvio que estará, pois, pela energia do pensamento, já comprovada cientificamente, através do magnetismo, haverá, sim, uma sintonia de vibrações que canalizará a presença da luz que emana do que é verdadeiramente cristão.

É sempre valioso perceber como Jesus deu lições de ecumenismo em todo o seu tesouro evangélico. e de como Ele desprezava as religiões, enfatizando a religiosidade, o sentimento que nos liga às bênçãos da Criação Divina.

Esse foi um dos aspectos ilustrados na palestra do último sábado, no centrinho Chico Xavier, descrito na Parábola do Bom Samaritano, em que Jesus critica a atitude egoísta e indiferente dos sacerdotes e do levita que passaram, ao largo, diante do homem violentado pelos assaltantes, na Estrada de Jericó.

Um exemplo da hipocrisia dos religiosos sem religiosidade. Que ouvem, mas não praticam, que se julgam 'superiores" porque pertencem a uma igreja na qual não evoluem em nada como cristãos. Pelo contrário, ao seguir determinada crença, passam a criticar o comportamento alheio, discriminar os semelhantes, endurecendo os sentimentos de perdão e tolerância.

Ou seja, longe de serem cristãos na essência, configuram-se exatamente nos tais "sepulcros caiados", a quem Jesus se referiu com admirável ironia.

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 01 de julho de 2016
Opinião

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Germano Romero - "Segura Na Mão De Deus"



um conto - uma crônica

"Segura na mão de Deus" é uma frase bem comum no nosso meio, e até compreensível pela imagem antropomórfica que se faz constantemente do Criador.E não fica por aí."Vai com Deus", "Nos braços de Deus", "Ao lado de Deus", são outras tantas maneiras de dar forma humana à Divindade. Conquanto seja o segundo dos dez mandamentos mosaico, estamos pronunciando o nome de Deus a toda hora e por qualquer coisa. Ou seja, baldamente.

O pior é que o fazemos de forma equivocada. Ao invés de se imaginar um Deus antropomorfo, temerário, sentado num trono entre brancas nuvens, deveríamos procurar senti-Lo em todas as coisas.Procurar entender que Ele é a Lei que rege o Universos, que está em tudo e em todos, na luz e na escuridão, em cima e embaixo, dentro e fora, no micro e no macroscópio.

Lembro de um ex-seminarista que perguntou ao sacerdote chefe, se Deus estava realmente em todas as coisas, em todos os lugares. Ao responder que sim, o jovem redarguiu: "Então, Ele também está no Inferno?". É obvio que não houve resposta...

Da mesma maneira equivocada que se imagina um Deus antropomorfo, pensa-se num Diabo de chifre e tridente, que comanda o inferno, mas nunca se escuta dizer que ele vive por aí, aprontando o mal, em total liberdade. Quanta imaginação!...

É mais proveitoso tentar sentir a presença divida, em vez de imaginar a Sua forma. Uma presença que facilmente se identifica na brisa que corre, no marulho calmo e sereno, ou de ondas bravias e revoltas. No bem-te-vi que chama o outro, na coruja que pia na noite escura, na alvorada que traz o dia, na tempestade, na calmaria, no terremoto ou no rio que corre para se jogar no mar, que o recebe com tanto amor.

Senti-Lo nesta vagem de sementes, prestes a desabrochar em flor, que ora toco e me sinto, de verdade, segurando a mão de Deus

Germano Romero, Arquiteto e bacharel em Música.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 15/04/2016
Opinião

sábado, 19 de março de 2016

Germano Romero - O Caminho, A Verdade E A Vida


um conto -  uma crônica

Nesses dias em que só se fala em impeachment, renúncia do governo, operações policiais e julgamentos, de vez em quando, aparece na TV o Supremo Tribunal Federal como palco das pertinentes discussões. E no painel de mármore, atrás das mesas dos nossos magistrados, lá está ele, inocentemente incrustado em um dos módulos da bonita parede. E como eu acho bonito aquele símbolo, não obstante inserido dentro de um contexto tão diverso e adverso de seus ensinamentos.

Trata-se do pequeno crucifixo de Jesus Cristo que decora o cenário da suprema corte, tão imperceptível, insignificante para muitos, e tão alheio àquelas discussões, de um reino que não é de seu mundo. Mas, é bonito de se ver, ainda que fosse preferível uma imagem sem a dor da cruz.

Já o quiseram retirar, alegando-se que o país tem Constituição laica e deve se manter religiosamente neutro. Mas, Jesus não pertence à religião, nem crença específica. Ao mesmo tempo, não há religião ou pensamento filosófico voltado ao bem comum que discorde de sua mensagem. Pois o que ele ensinou está muito acima de qualquer convenção, partido ou igreja.

Sempre que viajamos pelo mundo afora, nos impressiona a força de tudo o que Jesus significa para a humanidade, da penetração de sua imagem, de sua lembrança, por todo o planeta. Desde pequenas capelas, em ilhas de mares distantes, a grandes cidades cosmopolitas, estão lá, ricas ou pobres, manifestações demonstrando que sua passagem pela Terra, pregando o amor e a solidariedade, exortando-nos a respeitar o próximo, a ter olhos para as belezas da Natureza e fé no Criador de todas as coisas, é infinitamente extensa e magnífica.

Ah, que bom seria, se aquele pequenino símbolo na parede do Supremo servisse de inspiração para que o Brasil encontrasse uma saída para o caminho, a verdade e a vida.

Germano Romero. Arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 18 de março de 2016
Opinião.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Carlos Romero - Onde Está O Barulho?


um conto-uma crônica

Onde está o barulho?

Não, eu não quero saber onde está o barulho. Desejo saber onde ele não está. Pois onde há barulho, não há reflexão. Lembremos de que a notável missionária Madre Teresa de Calcutá advertiu: "Não se pode encontrar Deus no barulho".

E começo me referindo ao amanhecer. Aqui para nós, haverá espetáculo mais belo do que o amanhecer, quando o sol começa a iluminar o mundo? O amanhecer é Deus sorrindo, é Deus falando na sua mudez. Cantam os pássaros, sobretudo os bem-te-vis, que são os pássaros mais alegres do mundo. E eu imagino se o nosso amigo urubu tem inveja deles... O urubu não canta. Sim, mas limpa a sujeira. E sabe voar como nenhum outro pássaro.

Mas onde está o barulho? Nas nuvens? Ora, ora, elas deslizam no firmamento, num belo silêncio. Quando eu viajo de avião, abro logo a janelinha para ficar contemplando o desfile das nuvens. E chego a esquecer a viagem.

Será que o barulho está no mar?Também não. O mar só faz marulho. E que dizer do crepúsculo? É também uma despedida silenciosa, nostálgica, que dá saudade. Aliás, tudo que se ausenta dá saudade.

Ah, o barulho está no nosso corpo. ledo engano. Nosso corpo é feito de silêncio.

Quando respiramos, que o oxigênio entra pelas nossas narinas, quanta paz. Os pulmões respiram em silêncio, o coração bate em silêncio, o sangue corre sem zoada. E a sagrada gravidez?

Então, onde estaria o barulho? Na nossa consciência, esse templo sagrado? Ah, a consciência, que silêncio dentro dela!...

Silêncio, barulho, já sei... O homem é que faz barulho. Refiro-me ao homem comum, vulgar, que não pensa, não reflete. Duvido que um filósofo faça barulho. Todo o imenso universo só exala silêncio. Um silêncio místico. Aliás, quem pensa não faz barulho.

Carlos Romero. Membro da Academia Paraibana de Letras.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 7 de fevereiro de 2016
Opinião

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Germano Romero - Não Se Encontra Deus No Barulho




um conto-uma crônioca

Toda vez que passeio pelo mato, por um bosque, por uma floresta, sinto, invariavelmente, uma energia que emana da Natureza e que me transporta para um plano emocional muito acima de onde estou. É rápido. Ocorre assim que experimento o cheiro de mato, a intimidade com as plantas, vejo uma borboleta que namora uma flor, ouço um grilo que canta escondido, o vento na folhagem, um pássaro que sobrevoa e solfeja sua mensagem, ou percebo um feixe de luz que mira o solo por entre os galhos.

Curiosamente, logo me dá uma vontade de orar. Decerto, o espírito, o perispírito, a aura, ou o subconsciente me informam que, em prece, aquela sintonia se consolidará. Pode ser qualquer forma de prece, desde que seja verdadeira, plena.

Lembrando que uma prece só traz efeitos benéficos se você se esquecer de si próprio, reduzir a individualidade ao máximo, para poder crescer em transcendência cósmica. Procurar viver aquele instante de magia da forma mais intensa e abrangente possível, sem pensar nas suas necessidades, nem ter intenção de pedir algo para si. Ao invés de pedir, tente receber, tente se entregar. Só assim você recolherá as verdadeiras bênção de uma prece.

Deve ser por essa razão que Jesus sempre preferiu o contato com a Natureza, com o silêncio dos montes e das plantas, quando orava. Daí ficarmos impressionados com alguém que seja capaz de imaginar que gritando ao lado de um trio elétrico ensurdecedor, em meio a uma multidão, cantando hinos decorados, esteja em estado de prece.

Alguns que são dados a essa prática, se dizem cristãos, mas contrariam completamente a recomendação do Cristo: "Quando orardes, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo. Não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas, e nas esquinas das ruas, para serem vistos"!.

Também se devem evitar as preces decoradas, reprisadas, para não contrariar outro ensinamento de Jesus: "Orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos".

Na verdade, nesses momentos de interação com as vibrações da Natureza, nem as palavras, ou mesmo os pensamentos devem vir à mente. Basta sentir, respirar, inspirar, diluir-se na magia da existência, da vida, da fala, que brilha em tudo, em todos, e ora junto conosco.

Germano Romero é arquiteto e bacharel e  Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 19 de junho de 2015
Opinião  

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Germano Romero - Seja Apenas Um Rastro De Luz




Um conto-uma crônica

Nenhuma lição é mais proveitosa para o crescimento humano, pessoal e espiritual do que a do desapego. Claro que não é fácil. Talvez seja a mais difícil. No entanto, não restam dúvidas de que é a maneira mais eficaz de evoluir.

O desapego se consegue paulatinamente, a partir da reflexão, da observação da natureza e das mensagens que nela estão implícitas, e muitas vezes explícitas. A mais nítida é a da transitoriedade das coisas. Galáxias, astros, luas, estrelas, auroras e alvoradas,tudo parece e desaparece no turbilhão cósmico. Vegetais, minerais e animais estão sempre se transformando, nascendo, crescendo, morrendo, reencarnando. É a vida efêmera que com o tempo se esvai. O tempo que ninguém segura, que não teve começo, nem fim, apenas passa, como tudo que desfila na passarela da existência.

Da próxima vez que você mirar uma estrela distante, no céu de uma linda noite, lembre-se de que ela pode nem mais existir. O brilho que ora enxergamos percorreu anos-luz até chegar aos nossos olhos. E como todas as estrelas nascem e morrem, o céu que vemos numa abóbada iluminada é sempre uma imagem do passado.

Essa brevidade no  transcorrer dos instantes, que tece o ritmo da vida em tudo o que vemos e sentimos, nos cabelos que embranquecem, nas rugas que chegam, nas folhas que caem, no bem-te-vi que canta, no dia que raia, na tarde que vira noite, no vento, na lua, nas ondas do mar, está sempre a nos ensinar a lição do desapego. A nos conscientizar de que tudo passa, de que aquilo que o mundo nos empresta para usufruto temporário, mesmo as pessoas e as coisas que mais amamos e julgamos nossas, na verdade não nos pertencem. Nas mãos de outrem, e em outros planos, em breve, estarão.

Lembre de que você e sua consciência serão seus únicos companheiros permanentes na jornada do existir. Seu corpo, seus olhos azuis, seus cabelos lisos, seu carro novo, sua casa de campo, todas essas coisas serão transferidas e transformadas pelo tempo. Comece a nutrir o sentimento do desapego por tudo que passa e fica. Valorize as coisas que daqui levará, quando voar livre como um pássaro, que só têm os ninhos como abrigos, mas o Universo como morada.

E nunca esqueça de que só as lembranças em sua consciência continuarão a brilhar com você, mesmo ao morrer, como a estrela que parte, mas deixa no céu o seu rastro de luz.

Germano Romero é arquiteto e bacharel em música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 10 de julho de 2015.
Opinião

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Germano Romero - Um Século De Espiritismo

Allan Kardec


um conto-uma crônica

Eis que o Espiritismo na Paraíba é coroado com os louros de um magnífico Congresso, no seu Centro de Convenções , junto com as comemorações pelo 100 anos da Federação Espírita Paraibana, no último fim de semana.

Espiritismo que com apenas 158 anos de existência, e que, para alguns, ainda é tido como prática esquisita e "proibida pela Bíblia". Como? Se é uma doutrina codificada pelo educador francês, Allan Kardec, há tão pouco tempo, a partir de observações investigativas de fenômenos  mediúnicos ocorridos em Paris, no ano de 1857?

Espiritismo, cuja essência se embasa na comunicação entre os mundos físicos e espiritual, através das mesmas faculdades citadas nas antigas escrituras e no Evangelho de Jesus. Que foram estabelecidas tão claramente nas mensagens recebidas do anjo que anunciou a vinda do Cristo, do que orientou José a fugir para o Egito, e em outros fatos que comprovam a existência da vida extraterrena.

E são tantos registros desta comunicação espiritual no Evangelho! Nas vezes em que Jesus exorcizou obsidiados, nos fenômenos de Pentecostes, quando luzes desceram sobre os que falaram línguas que não conheciam. No Monte Tabor, quando Jesus conversou com os espíritos de Moisés e Elias, na presença de Pedro, João e Tiago.

Mas, quanta descrença ainda  há, inclusive entre doutores e pós-doutores, tal como antigamente.

Bem lembrou o médium Divaldo Franco, no seminário deste memorável Congresso, que eram muitos os mundos ocultos que se revelaram com a ciência. E que, da mesma forma como o microscópio descobriu um universo minúsculo, e o telescópio desvendou bilhões de galáxias, a mediunidade revelou o mundo espiritual.

Um mundo maravilhoso e eterno do qual Divaldo nos fala com tanta eloquência, exortando-nos a crer na vida futura, que não se finda no túmulo, e por isso é bela e infinita como toda a Criação Divina.

Germano Romero, Arquiteto e bacharel em Música

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 15 de janeiro de 2016
Opinião  

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Gentilezas Salvadoras - Brígida Brito - Redação Momento Espírita

Cantinho da paz

Quando você afasta do piso uma casca de fruta deixada pela negligência de alguém, não pratica apenas um ato de gentileza. Evita que algum desavisado escorregue, sofrendo tombo violento.



Ao ceder o lugar no transporte coletivo a um idoso, você não realiza um gesto de cortesia somente. Atende a um corpo cansado, poupando as energias de quem poderia ser seu avô ou seu pai.



Se você oferece auxílio na condução de um volume qualquer, poupando aquele que o carrega, não pratica unicamente uma delicadeza. Contribui fraternalmente para a alegria de alguém que, raras vezes, encontra ajuda.

Utilizando a boa palavra em qualquer situação, você não atende exclusivamente à finura do trato. Realiza entre os ouvintes o culto do verbo são, donde brotam proveitosos e salutares ensinamentos.

Silenciando uma afronta em público, você não demonstra apenas refinamento social. Poupa-se ao diálogo violento, que dá margem a ódios irremediáveis.

Se você oferece agasalho a quem necessita, não só atende à delicadeza humana, por filantropia. Amplia a cultura da caridade pura e simples.

Ao sorrir, discretamente, dando oportunidade a um desafeto de refazer a amizade, você não age tão-somente em tributo à educação. Apaga mágoas e ressentimentos, enquanto "está a caminho com ele".

Procurando ajudar um enfermo cansado a vencer um obstáculo, você não age apenas por uma questão de gentileza. Coopera para que a vida se dilate no debilitado, propiciando-lhe ensejos evolutivos.

Atendendo uma criança impertinente que o incomoda, num grupo de amigos, você não se situa só na formosura da conduta externa. Liberta um homem futuro de uma decepção presente.

No exercício da gentileza, a alma dilata recursos evangélicos e vive o precioso ensino do Mestre ao enfático doutor da Lei, com afabilidade e doçura, quando Ele afirmou: “Vai e faze o mesmo!”

No exercício da afabilidade e da doçura, que atrairá para você as correntes da simpatia, use a compaixão para com todos e guarde, acima de tudo, a boa vontade e a sinceridade no coração.

Na alegria ou na dor, no verbo ou no silêncio, no estímulo ou no aviso, acenda a luz do amor no coração.

A doçura é essa gentileza das maneiras, uma das formas de benevolência para com o nosso próximo, caracterizada pela disposição de acolher o outro como alguém a quem queremos bem.

É uma coragem sem violência, uma força sem dureza, um amor sem cólera.

A doçura, a afabilidade, atraem. A dureza, a cólera, afastam.

Cultive a brandura sem afetação; e a sinceridade, sem espinhos. Somente o amor sabe ser doce e afável, para compreender e ajudar, usando situações e problemas, circunstâncias e experiências da vida, para elevar o Espírito eterno ao templo da luz Divina.

Se algo sobre a Terra merece o nome de felicidade, é aquela íntima satisfação, aquele íntimo sentimento moral que resulta do emprego das faculdades na pesquisa da verdade e na prática da virtude.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Gentilezas
salvadoras, do livro Glossário espírita-cristão, pelo Espírito
Marco Prisco, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal
e no cap. Afabilidade e doçura, do livro Escrínio de luz, pelo
Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier,
ed.O clarim.

Brígida Brito
Médica e terapeuta de regressão

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 04/05/06/11/2015
Espaço do Ser 
Caderno 2 C 5

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Germano Romero - Nada Mais Que O Amor

um conto - uma crônica

Por que terá Deus criado as flores?
Inclinado a pensar que tudo tem uma função claramente definida na natureza, e realmente deve ter, fico a pensar, vez por outra, nas flores. É lógico que delas alguém se beneficia na cadeia alimentar. E os mais sensíveis à poesia da vida se nutrem de sua beleza alimentando o coração.

A emoção é como uma plantinha, precisa ser regada, inclusive com carinho. E não há maior dádiva de afeto que a que se recebe ao contemplar as flores. Sobretudo as naturais, que nascem e crescem espontaneamente por aí...

Lá por cima das falésias há recantos rústicos, no meio do mato virgem, tão belos como qualquer paisagem dos campos provençais franceses, ou toscanos. Cheios de florzinhas das mais variadas cores e formas. Miúdas, graúdas, rasteiras, robustas, fortes, delicadas, é incrível a diversidade do reino vegetal aqui dos trópicos.

Por mais que tenhamos nos embevecido perante as florestas dos alpes suíços ou franceses, os pinheirais que bordam as estradas da Alemanha, a exuberância das matas nativas da Nova Zelândia, Austrália, Noruega, o encanto que se experimenta diante dessa nossa variedade floral é incomparável. Mais ainda quando se sabe que tais cenários não foram produzidos artificialmente, como os jardins de Monet, de Luxemburgo ou das Tulleries, que, embora com arte e indiscutível bom gosto, não se comparam a essa montes de Zíneas e salsas, de todas as cores, que surgem por ali, em cima das encostas e trilhas praianas...

Deus as criou, fê-la brotar no meio do nada, e no centro de tudo. Pintou-as de forma que nossa iris as distinguissem em cores mil. Algumas com cheiro de flor, outras com o perfume do amor.
Exatamente! Foi o amor que o Criador quis que despertasse no nosso coração quando semeou os lírios pelos campos da Terra. Está aí a função da flor, nada mais que o amor.

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 28 de agosto de 2015
Opinião

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Germano Romero - Só Pode Ser Do Bem

Chico Xavier

um conto - uma crônica

Essa foi contada lá no pequeno centro espírita de Tabatinga, no litoral sul, numa das agradáveis tardes de palestras, sempre aos sábados. Um ex-diácono de Junco do Seridó, que se tornara espírita após as dificuldades inerentes a tal mudança, sobretudo tendo acontecido no seio de uma família católica, enfrentava ainda mais obstáculos para fundar um centro espírita.

Após batalhar muito, tentando angariar recursos para a obra, conseguiu a doação de um terreno, que ninguém queria mesmo, ao lado do cemitério da cidade. E começou a construção. À época, Junco era um reduto de total predominância católica, mais um óbice ao seu projeto.

Mas, imbuído da fé que move montanhas, ele decidiu levar o plano adiante. Acontece que os recursos foram se acabando e eis que chegou um dos meses mais difíceis, pois não havia dinheiro para a folha dos pedreiros. Só não lhe faltavam força e fé.

Na véspera do pagamento, abasteceu o carro com um pouco do dinheiro que lhe restava e partiu para tentar conseguir recurso nas prefeituras da redondeza. Foi a cinco, percorreu 500 quilômetros, sem nenhum êxito, sequer um real. Voltou pra casa desolado, trancou-se no quarto e orou, desabafando ao Pai: "Fiz minha parte, não aguento mais, agora é com o Senhor".

Dia seguinte, saiu pra trabalhar e teve que reabastecer o carro, pois o tanque se esvaziara na véspera. Nisso, avistou o dono do posto, que possuía fama de avarento, mas, ainda teve a ousadia de abordá-lo e pediu ajuda. O homem lhe indagou: "Esse Espiritismo é o mesmo de Chico Xavier?" - 'Claro,"- o ex-diácono respondeu. "Pois, tome!" E lhe deu um pacote de dinheiro. "Só lhe peço pra não contar a ninguém, mas vou lhe confessar: minha mãe tem um câncer avançado e muita dor. A única coisa que lhe acalma é quando lê as mensagens desse Chico, que eu nem gosto dele, mas, só pode ser do bem".

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 18 de setembro de 2015. 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Germano Romero - Isso É O Que Importa

Francisco Cândido Xavier

E foi surpreendente. Era tarde de sábado, brisa amena, sossego do lar, quando veio a vontade de dar um pulinho no centrinho espírita que tem em Tabatinga, no litoral sul, chamado "União Espírita Chico Xavier". Só o nome já atrai, pois homenageia o "Maior brasileiro de todos os tempos", título auferido em votação nacional ao maior médium do "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", outro título que o próprio Chico deu ao nosso país e a um de seus quase 500 livros, assinado por Humberto de Campos, há 77 anos.

E setenta e sete até lembrou o significado de uma passagem evangélica, quando, de tanto falar em amor, incondicional e ilimitado, Jesus foi interpretado pelos discípulos acerca de quantas vezes teriam de perdoar? A resposta foi: "Setenta vezes sete!". Claro que o Mestre não estava sugerindo que perdoássemos só 500 vezes, e sim infinitamente. O perdão deve ser um estado permanente de compreensão e tolerância, que só benefícios nos traz, pois, ao extirpar o ressentimento, diminui o peso do carma, o que nos fará evoluir mais rápido e ascender aos estados elevados de transcendência espiritual.

E veio a ideia: Ir à União Espírita Chico Xavier de bicicleta, juntando o útil ao agradável, exercitar corpo e espírito! Lá chegando com o sangue quente e bem dispostos, uma boa surpresa ao ver o amigo Almir Laureano como palestrante da tarde,falando numa casa simples, acolhedora, pequena no tamanho, mas grande na ideia.

E Almir soube dar conta do recado. Reforçou a fé na imortalidade da alma, na resignação diante dos fatos inexoráveis e dolorosos a que todos estamos naturalmente sujeitos, como esse acidente que matou o jovem cantor goiano. Ressaltou a noção de ecumenismo, de amor ao próximo, ao dizer que o ateu não é inferior ao crente, apenas por ver as coisas de uma maneira diferente, desde que ame os seus semelhantes, sem preconceito ou discriminação.

Relembrou que os tais direitos humanos, hoje tão decantados, não são nenhuma novidade, pois foi Jesus quem deu início aos princípios de direitos humanos, há mais de dois milênios, ao pregar a maior mensagem de irmandade entre os semelhantes, ensinando a orar começando pela reverência ao Criador, chamando-o de Pai Nosso!

Ora, se o Pai é nosso, que sejamos irmãos em tudo, sem distinção alguma. Isso é o que realmente importa.

Germano Romero é arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de  03 de julho de 2015
Opinião

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Germano Romero - Não Se Iludam!


um conto - uma crônica

Hoje vamos falar , mais uma vez, de Jesus. Sabia que tem gente que não gosta? Pois é, por incrível que pareça, há quem ache "caretice", outros, bobagem. Há os ateus, hereges, materialistas. Há os cheios de ego, capazes de pensar que Deus nem existe. Há até quem imagine que Jesus nunca veio à Terra, assim como que o homem nunca pisou na Lua...

Também há os que confundem religiosidade, transcendência, filosofia de vida, expansão da consciência, com religião. E como as religiões estão tão "queimadas", deturpadas, esses têm até um pouco de razão, pois religiões que só visam lucros materiais, que preconizam o acúmulo de bens, que se transformam em "empresas" e meio de vida, são exatamente aquelas de cujos líderes Jesus advertiu que viriam em seu nome: os falsos profetas!

Mas religião não tem nada a ver com religiosidade. Assim como fazer o bem não tem nada a ver com crer em Deus. Existem os que "entram" numa religião cristã, por exemplo, mas a mensagem evangélica nunca entra neles, nem de longe. Há os que passam a vida dentro de uma igreja, orando e comungando, mas, quando saem de lá, continuam egoístas, preconceituosos e desonestos.

Há até quem acredite que um sujeito possa praticar o mal durante toda a sua existência, mas, se antes de morrer, se arrepender, estará perdoado de todos os pecados, quanta incoerência.

E os que acreditam em inferno eterno? Imagine se um crime, desses que chamam de "pecado mortal", cometido durante poucos segundo impensados de uma vida que dura apenas algumas dezenas de anos, justificaria a punição eterna dentro de um inferno? Um inferno de onde o seu chefe maior - o Diabo - tem inteira liberdade de sair e viver azucrinando a vida de todo mundo lá fora, como bem disse o cronista Carlos Romero em suas crônicas.

Não, amigos, a verdadeira religião é a da conduta, do amor, da solidariedade indiscriminada. Isso foi o que Jesus pregou, há mais de dois mil anos, e muito poucos entenderam a praticaram até hoje. Não é crendo, orando, se arrependendo que alguém se torna realmente bom e será feliz quando daqui partir, pois da vida só se levam o espírito e a consciência.

Talvez seja por isso que muita gente não gosta de falar, muito menos de praticar a lição de Jesus. Preferem o Velho Testamento, suas igrejas, dogmas, e outras ilusões que justifiquem seus erros e defeitos.

Germano Romero é arquiteto e bacharel em Música.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Opinião.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Germano Romero - Porque Deus Criou A Flor



um conto -uma crônica

Fico sempre a pensar: por que Deus teria incluído as flores em Sua Criação Universal? Exatamente no nosso planeta, esse grãozinho minúsculo solto na imensidão cósmica, composta de bilhões e bilhões de galáxias...

As flores, por quem imaginamos que a Natureza nos sorri e abençoa, estão entre as mais sutis e elevadas expressões de beleza da Terra. E uma beleza tão efêmera e passageira... De repente nascem ali, no mato ou na montanha, pouco mais vão se murchando.

Como em toda a Natureza tudo tem sua função, dá até pra imaginar que aquelas borboletas são sua razão de ser. Igualmente tão perfeitas, tendo pétalas como asas, vez por outra se confundem num  jardim ensolarado. As que voam saem beijando uma a uma por aí, e em troca recebendo outros beijos perfumados. Fazem parte, aprendemos, da magia criadora, pois que distribuem no pólen a semente de outra flor.

Mas quiçá no beija-flor também possa incidir a razão que o Criador teve para colocar neste mundo tão diverso algo que além da cor pudesse nos nutrir. As que mais encantam a vista são aquelas que renascem pelas margens dessas trilhas. Espontâneas e ao léu, surgem sem ninguém cuidar. Salpicadas pelo mato, relva, prado ou barro seco, estão sempre a brotar aos olhos que enxergam. Um fenômeno tão bonito sobre o qual volto a pensar: Por que Deus criou as flores, se não fossem para amar?

Sim, amar é saber ver com imensa gratidão o que a vida tem de belo. Mesmo quando o panorama possa vir a se mostrar com tristeza ou nostalgia, pela perda ou a saudade de alguém que já se foi, pare e veja uma flor, que tem vida passageira mas nos deixa a certeza de que tudo se renova desde o dia em que se nasce.

De botões se viram em pétalas, que se abrem ao Sol. Nas cores infinitas, das nuances mais suaves ao fulgor de um vermelho, do amarelo e até do azul, elas cantam sua beleza que em muitas se completa com bênção do perfume.

Foi por isso que não pude resistir e trouxe algumas, na esperança de que aqui, mais do que qualquer cuidado ou adubo com carinho, a ternura mais sincera lhes faria companhia. E é com grande emoção que as vejo na manhã, ou ao céu do entardecer, com olhar de gratidão, por saberem que eu entendo porque Deus criou a flor.

Germano Romero é arquiteto e bacharel em Música

Publicado no jornal Coreio da Paraíba
  

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Germano Romero - Calma, Não Percam A Fé!



Por mais tristes e chocantes que sejam as notícias de que tomamos conhecimento pelos jornais da noite passada, ou durante o dia através da instantaneidade midiática, um novo amanhecer é invariavelmente um show de esperança.

É a vida que parece recomeçar nas coisas que, aos poucos, recebem de volta, pela manhã, as cores que a noite lhe tira. os bem-te-vis que passam cantando na janela, o rugir dos pneus no asfalto lembrando-nos que a engrenagem do progresso já retoma o seu ritmo frenético, e todo esse conjunto que emerge da tranquilidade noturna, do sono e dos sonhos são sempre uma mensagem de esperança.

Há quem diga que o mundo se deteriorou, que tempo bom era o de outrora, que a vida moderna está cada vez mais violenta e estressante, que os governantes e políticos não merecem mais confiança, que o Brasil nasceu errado e não tem mais jeito.

Há quem diga que a culpa é da má gestão, da falta de educação, do modelo social injusto e desigual, e um monte de outras razões cheias de razões. E não há como negar a degeneração dos costumes, da vida dantes tranquila e sem poluição, da eloquência e da riqueza artística das grandes obras de arte, do nível da musica e da dança que encantavam o mundo com poesia e delicadeza.

Tudo isso é evidente e justifica o desespero e as consequências ora experimentadas pela humanidade, traduzidas em crises econômicas, estresse, escassez de recursos naturais, acúmulo de lixo, poluição, congestionamento e um iminente colapso nas cidades que crescem sem controle, sob um modelo genericamente equivocado. Sobretudo a reação que se vê na Natureza, que grita sufocada pelo progresso urbano, e nas manifestações populares que ora surpreenderam o nosso País. Manifestações que se misturam à efervescência exacerbada dos viscerais sentimentos futebolísticos, contrapondo-se aos de revolta diante da progressiva injustiça e desigualdade social.

Entretanto, mesmo à frente de evidências tão desoladores, o Sol continua renascendo incandescente, as flores brotando, a chuva abençoando a terra, o vento que vai e vem, nuvens que dançam no céu e o mar que continua a brilhar, a cada crepúsculo. Como se o Criador de todas as coisas quisesse nos dizer: "Calma. Tudo isso faz parte, não percam a fé"!

Germano Romero é arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 23/05/2014
Opinião.   

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Germano Romero - O Jesus Que Tentam Esconder

Está certo dizer "Só Jesus salva"?. Não! Assim, seres humanos como Krishna, Buda, Sócrates, Tales de Mileto, Confúcio, Moisés, que não conheceram a sua palavra, estariam condenados...

Essa e muitas outras questões vêm deturpando a essência cristã ao longo da História. inclusive o que é mais essencial na mensagem de Jesus. Exatamente porque se esqueceram do caráter crítico, combativo e revolucionário do maior mestre de todos os tempos. Pior: andam fazendo tudo o que ele mais condenou.

Jesus soube ser firme e enérgico com censuras construtivas. Foi um dos maiores críticos das religiões, defendendo, acima de qualquer crença, o amor integral pela natureza humana. As narrativas evangélicas evidenciam sua postura de questionamento e rejeição a inúmeros costumes, tradições e leis vigentes rigorosamente respeitados e arraigados na civilização da época.

Mas ele soube dirigir farpas lancinantes à cultura predominante e foi o mais ferrenho censor das religiões até seu tempo. Exumou vícios, equívocos e, sobretudo, a hipocrisia dos religiosos cheios de egoísmo, vaidade e orgulho, que se exibiam nos templos orando em voz alta, e nas ruas para serem vistos. Ah, se ele visse os cultos, caminhadas e romarias de agora.

Mas poucos, até hoje, seguem a recomendação do Mestre para evitar preces repetitivas, feitas em público, de forma ostensiva e barulhenta, ao invés de preferir o sossego de sua silenciosa intimidade.

Jesus contrariou leis vigentes, rejeitando o apedrejamento público em caso de adultério, chamou de sepulcros caiados os religiosos que agem com soberba, hipocrisia, interesses materiais. Mandou dar de graça o que se recebe, e não tornar pública a caridade que se faça, advertindo para que "a mão direita não saiba o que dá a esquerda". Quebrou tradições de guardar os sábados, não discriminou ninguém, e enfatizou que nem sua mãe, nem seu pai, eram mais importantes do que todos os que fazem o bem.  

Jesus não escolheu nenhuma crença acima de nada. Proferiu solenemente que os seus discípulos "se conhecerão por muito se amarem". Elegeu, enfim, a religião da conduta, do amor incondicional, solidário e sem qualquer tipo de preconceito.

Mas, cuidado, esse é o Jesus que estão tentando esquecer!

Germano Romero é arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 16/05/2014

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Germano Romero - Vendo O Sol Se Despedir


www.melhorpapeldeparede.com



um conto-uma crônica


Penso que de todos os espetáculos da Natureza, a aurora transmite, junto com o nascer da lua, e dentre as mensagens explícitas e implícitas nas paisagens e fenômenos da Criação Divina, uma das mais significativas lições. Não somente de estética, mas da "vã" filosofia.

Ora, ora, vejam só que lá venho eu de novo por aqui poetizar. Mas, é quase impossível ver o Sol no mar sorrir, ou atrás desses coqueiros, sem parar para pensar.

São tantas as visões que ele imprime pelos céus. Seja aqui ou muito longe, como aquela que nós vimos, de repente sem esperar, na descida para Honfleur, quando a tarde  se fez noite e com ela o luar. Esta foi inesquecível,mas de outras tão bonitas será jamais possível deixar de lembar.

São cenas infinitas, na beleza e na virtude que nos têm a ensinar, e aos que isso querem ver. Pois Jesus já nos dizia que a pior deficiência é daqueles cujos olhos não mais querem enxergar que no rastro dessas nuvens, desfilando lá por cima, há mensagens tão profundas, mas que passam de repente como a tarde que se vai. Nem sequer percebem as cores com as quais o Sol se despe, tão diversas como aquelas que há na curva do arco-íris.

E são muitos os lugares onde o dia segue a luz, pra nascer do outro lado pelas trilhas da aurora. Muitas vezes sobre o mar, tantas outras sobre os montes, ora foge pelos campos, pela relva e manguezal, ora desce por detrás do mais lindo coqueiral. Nesta tarde foi assim, não dourado como ontem, mas em prata, de propósito, para que, enfileirados, os coqueiros desta praia se mostrassem ao longe numa dança memorável.

Os coqueiros que no vento traçam tantas nostalgia... Seus acenos são de vida, de alegria e movimentos, mas por trás do por do Sol é como se daqui também estivessem dando adeus.

E o que não é esta vida senão feita de adeus? Toda hora ou minuto estão sempre a dizer que o tempo é fugaz. Não se prende, não se pega, mesmo assim é possível ser feliz pela lembrança que nem ele é capaz de levar ou apagar.

É por isso que devemos ser atentos à beleza que nos passa e tantas vezes esquecemos de olhar. Mas olhar com muito amor, para tudo e para todos. Só assim você verá quando o dia, tarde ou noite não fizerem diferença, que a paz de consciência será sua companhia, e de tudo o que aprendeu vendo o Sol se despedir...

Germano Romero é arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 20/05/2013
Opinião.