quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Germano Romero - Nada Mais Que O Amor

um conto - uma crônica

Por que terá Deus criado as flores?
Inclinado a pensar que tudo tem uma função claramente definida na natureza, e realmente deve ter, fico a pensar, vez por outra, nas flores. É lógico que delas alguém se beneficia na cadeia alimentar. E os mais sensíveis à poesia da vida se nutrem de sua beleza alimentando o coração.

A emoção é como uma plantinha, precisa ser regada, inclusive com carinho. E não há maior dádiva de afeto que a que se recebe ao contemplar as flores. Sobretudo as naturais, que nascem e crescem espontaneamente por aí...

Lá por cima das falésias há recantos rústicos, no meio do mato virgem, tão belos como qualquer paisagem dos campos provençais franceses, ou toscanos. Cheios de florzinhas das mais variadas cores e formas. Miúdas, graúdas, rasteiras, robustas, fortes, delicadas, é incrível a diversidade do reino vegetal aqui dos trópicos.

Por mais que tenhamos nos embevecido perante as florestas dos alpes suíços ou franceses, os pinheirais que bordam as estradas da Alemanha, a exuberância das matas nativas da Nova Zelândia, Austrália, Noruega, o encanto que se experimenta diante dessa nossa variedade floral é incomparável. Mais ainda quando se sabe que tais cenários não foram produzidos artificialmente, como os jardins de Monet, de Luxemburgo ou das Tulleries, que, embora com arte e indiscutível bom gosto, não se comparam a essa montes de Zíneas e salsas, de todas as cores, que surgem por ali, em cima das encostas e trilhas praianas...

Deus as criou, fê-la brotar no meio do nada, e no centro de tudo. Pintou-as de forma que nossa iris as distinguissem em cores mil. Algumas com cheiro de flor, outras com o perfume do amor.
Exatamente! Foi o amor que o Criador quis que despertasse no nosso coração quando semeou os lírios pelos campos da Terra. Está aí a função da flor, nada mais que o amor.

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 28 de agosto de 2015
Opinião

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