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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

'Nada como o tédio para escrever': a misteriosa Agatha Christie em rara entrevista à BBC


Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,

A escritora britânica de romances policiais Agatha Christie (1891–1976), em foto tirada em 1926, um ano marcado por sucesso profissional e dor pessoalArticle InformationAuthor,Greg McKevitt
Role,BBC Culture
14 fevereiro 2026

Agatha Christie sabia como poucos se esconder à vista de todos.

Ela se apresentava como uma senhora mais velha e afável, com casaco de pele, amante da jardinagem, da boa comida, da família e dos cães. Por trás dessa aparência gentil, divertia-se tramando histórias  de envenenamentos, traições e sangue — sucessos de venda.

E oferecia poucas pistas sobre o funcionamento interno de sua mente engenhosa.

Christie era cronicamente tímida, mas, em 1955, foi convencida a conceder uma entrevista incomum em seu apartamento em Londres para uma reportagem de rádio da BBC .

Nela, a autora revelou como uma infância pouco convencional despertou sua imaginação, por que escrever peças de teatro era mais fácil do que escrever romances e como conseguia terminar um livro em três meses.

Nascida em 1890, em uma família próspera, Agatha Miller teve sobretudo educação domiciliar.

Quando perguntada sobre por que se dedicou à escrita, Christie respondeu: "Atribuo isso ao fato de nunca ter tido uma educação formal".

"Talvez seja melhor esclarecer admitindo que acabei indo à escola em Paris quando tinha cerca de 16 anos."


"Mas, até então, fora o fato de terem me ensinado um pouco de aritmética, eu não havia recebido nenhuma aula digna de nota."

Christie descreveu a infância como "gloriosamente ociosa", mas acrescentou que tinha um apetite voraz pela leitura.

"Comecei a inventar histórias e a interpretar diferentes papéis. Não há nada como o tédio para escrever. Assim, quando eu tinha 16 ou 17 anos, já havia escrito muitos contos e um romance longo e deprimente."

Ela contou que concluiu sua primeira novela publicada aos 21 anos. Após várias rejeições, O Misterioso Caso de Styles foi publicado em 1920, apresentando sua criação mais famosa, o detetive belga Hercule Poirot.
Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,Ela só se sentava para escrever depois de ter as obras totalmente formadas em sua mente

O método de envenenamento escolhido para essa história surgiu diretamente de sua experiência pessoal durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Enquanto o seu primeiro marido, Archie Christie, estava destacado na França, ela trabalhou no front interno como enfermeira voluntária em um hospital para soldados feridos.

Depois, se tornou auxiliar de farmácia do hospital, o que lhe permitiu compreender melhor medicamentos e toxinas.

Em suas histórias, o veneno é usado em 41 casos, entre assassinatos, tentativas de assassinato e suicídios.

O mistério de Christie

A fórmula típica de Christie começa com um círculo fechado de suspeitos pertencentes ao mesmo meio social e um assassinato que gera pistas até culminar em um confronto decisivo.

No centro da trama está um detetive particular, como Hercule Poirot ou Miss Marple (Jane Marple, uma detetive amadora e idosa), que desvenda o enigma e revela a verdade ao grupo em uma cena final dramática.

Essa estrutura, familiar e ao mesmo tempo infinitamente adaptável, é parte do que torna a obra de Christie tão duradoura.

Em 1926, ela publicou O Assassinato de Roger Ackroyd, livro que consolidou sua reputação profissional; naquele mesmo ano, sua vida pessoal desmoronou.

Sua querida mãe morreu, e seu marido Archie confessou estar apaixonado por outra mulher e pediu o divórcio.

Enfrentando o luto e um bloqueio criativo, Christie se tornou protagonista de um mistério.

Numa noite fria de dezembro, seu carro acidentado foi encontrado em um local isolado de Surrey (sudeste da Inglaterra), mal equilibrado à beira de uma pedreira.

A polícia encontrou no veículo seu casaco de pele e sua carteira de motorista, mas não havia nenhum sinal dela.

Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,A manchete de um jornal da época dizia: 'Cães farejadores procuram a romancista'. A notícia vinha acompanhada de uma foto de Agatha Christie e outra de sua filha

Iniciou-se uma das maiores buscas por pessoas desaparecidas da história do Reino Unido.

A história reunia todos os elementos de um sucesso sensacionalista: a célebre romancista policial havia desaparecido deixando um rastro de pistas tentadoras, a filha de 7 anos abandonada e o marido atraente envolvido com uma amante mais jovem.

Até o autor de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, interveio, contratando uma vidente para tentar se conectar com Agatha Christie por meio de uma de suas luvas.

Viagem pelo Oriente Médio

Dez dias depois, ela foi encontrada a 370 quilômetros do local do acidente, em um hotel de Harrogate, em North Yorkshire (norte da Inglaterra).

Proliferavam as teorias: o desaparecimento teria sido causado por perda de memória, por uma tentativa calculada de constranger o marido ou até por uma manobra publicitária?

Christie decidiu não esclarecer o mistério em sua autobiografia e se limitou a escrever: "Assim, após a doença, vieram a tristeza, o desespero e o desamor. Não há necessidade de ficar voltando ao assunto".

Ela era igualmente prática ao falar dos segredos de seu método de trabalho. Em 1955, disse à BBC: "A verdade decepcionante é que não tenho muito método".

"Escrevo os meus próprios rascunhos em uma máquina antiga e fiel que tenho há anos, e considero útil um gravador de voz para contos ou para reformular um ato de uma peça de teatro, mas não para a tarefa mais complexa de escrever um romance."

Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,A escritora Agatha Christie e seu marido, o arqueólogo Max E. L. Mallowan, posam em 1946 nos jardins de sua casa, Greenway House, em Devonshire, na Inglaterra

Em 1930, Christie se casou com Max Mallowan, um arqueólogo 14 anos mais jovem, seis meses depois de conhecê-lo durante uma viagem ao Iraque.

Unidos pela paixão por culturas antigas, as viagens do casal pelo Oriente Médio inspiraram histórias como Morte no Nilo, publicada pela primeira vez em 1937.

A felicidade recém-descoberta pareceu ter um impacto profundo em sua obra: nos nove anos seguintes, ela escreveria 17 romances.

Para Christie, o maior prazer da escrita estava em conceber tramas engenhosas. "Acho que o verdadeiro trabalho consiste em planejar o desenvolvimento da história e se preocupar até que tudo esteja bem polido. Isso pode levar muito tempo."

"Depois, quando se tem todo o material, por assim dizer, resta apenas tentar encontrar tempo para escrevê-lo", acrescenta.

"Três meses me parecem um prazo bastante razoável para concluir um livro, se a pessoa puder se dedicar a isso."

Em um programa de rádio de 1955, o empresário teatral Peter Saunders, produtor da bem-sucedida peça A Ratoeira, disse que Christie tinha um dom extraordinário para criar cenas e histórias completamente formadas em sua mente.

"Uma vez lhe perguntei: 'Como vai a nova peça?'. 'Está pronta', ela me disse. Mas, quando lhe perguntei se poderia lê-la, ela respondeu com charme: 'Ah, eu não a escrevi'. Do ponto de vista dela, a peça, do começo ao fim, já estava elaborada até o último detalhe. Escrevê-la foi apenas um trabalho físico."

Essa avaliação foi corroborada por Allan Lane, fundador da Penguin Books, que afirmou que, em 25 anos de estreita amizade, jamais havia "ouvido o clique de sua máquina de escrever, apesar da quantidade e da qualidade impressionante que ela produzia constantemente".

Ele acrescentou que, "enquanto Agatha Christie fazia várias coisas" — fosse organizar as tarefas diárias de um acampamento em uma expedição ao deserto da Mesopotâmia ou bordar à tarde —, "alguma nova peça ou romance estava sendo gestado em sua mente".

Embora Christie acreditasse que um livro pudesse ser concluído em três meses, dizia que as peças de teatro "eram melhor escritas rapidamente".

A obra mais longeva

Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,Em 2022, o St Martins Theatre celebrou 70 anos em cartaz no palco londrino com A Ratoeira (The Mousetrap), a célebre peça policial de Agatha Christie

Quando a BBC transmitiu a entrevista com Christie, em 1955, três de suas peças estavam em cartaz no West End londrino, principal circuito teatral da cidade.

A Ratoeira (The Mousetrap, em inglês) já quebrava recordes de bilheteria apenas três anos após a estreia. A peça teve origem em um radiodrama da BBC intitulado Três Ratinhos Cegos, exibido em 1947 como parte de uma noite de programação em homenagem ao 80º aniversário da rainha Maria, bisavó do rei Charles 3º.

Segundo Christie, escrever peças de teatro era "muito mais divertido do que escrever livros".

"Você não precisa se preocupar com longas descrições de lugares e pessoas, nem com a forma de distribuir o material. E é preciso escrever muito rápido para manter o tom e fazer com que o diálogo flua com naturalidade."

Em 1973, Christie compareceu à comemoração dos 21 anos de A Ratoeira no Hotel Savoy, em Londres.

Também esteve presente o protagonista original da peça, Richard Attenborough, que previu que o espetáculo "poderia permanecer em cartaz por mais 21 anos".

Acrescentou: "Não a compararia à Catedral de São Paulo (St. Paul's Cathedral), mas os americanos certamente acham que a melhor coisa a fazer, se vierem a Londres, é assistir a A Ratoeira".

A peça se tornou a mais longeva em cartaz no Reino Unido já em 1957, e só foi interrompida pela pandemia de covid-19, em 2020. Em março de 2025, alcançou a marca de 30 mil apresentações e segue em cartaz.

Attenborough também foi entrevistado no programa da BBC de 1955 e afirmou que Christie era "praticamente a última pessoa do mundo que alguém associaria ao crime, à violência ou a qualquer coisa assustadora ou dramática".

"Não conseguíamos conciliar o fato de que uma mulher tão tranquila, precisa e digna pudesse nos arrepiar e fascinar pessoas do mundo inteiro com seu domínio do suspense e seu talento para criar, no palco e na tela, uma atmosfera de terror tão intensa."

Embora a entrevista de Christie à BBC ofereça uma visão fascinante de seus métodos de escrita — a ausência de uma técnica rígida, a confiança na imaginação, o prazer em arquitetar tramas —, o enigma da mulher por trás da obra permanece vivo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A vida e a obra de Agatha Christie,

Agatha Christie
Fotografia de Agatha Christie em 1946 / Crédito: Getty Images

A vida e a obra de Agatha Christie, escritora que faleceu há 50 anos

Agatha Christie, a romancista que mais vendeu livros na história, faleceu em 12 de janeiro de 1976, deixando um imensurável legado

Por Giovanna Gomes
Publicado em 12/01/2026, às 08h00

Em 12 de janeiro de 1976, há exatos 50 anos, o mundo se despediu de um dos maiores talentos da literatura: Agatha Christie. Autora de uma obra monumental, traduzida para dezenas de idiomas e lida por milhões de pessoas ao redor do planeta, ela foi a romancista que mais vendeu livros na história.

Nascida em 15 de setembro de 1890, em Torquay , no sul da Inglaterra Christie era filha de Frederick Miller, um americano abastado, e de Clara Boehmer. 

Cresceu em Ashfield, uma grande casa com jardim, onde teve uma infância confortável e pouco convencional. 

Educada em casa nos primeiros anos, aprendeu a ler sozinha ainda muito jovem, aos 5 anos de idade.

Nesse período, teve a imaginação profundamente estimulada pelas histórias contadas por Clara e pelas leituras infantis, desenvolvendo o hábito de criar seus próprios mundos e personagens.

Sua educação prosseguiu na França, onde estudou música, canto e piano. 

Chegou até mesmo a considerar seguir carreira na área, mas abandonou a ideia devido à timidez. 

Foi nesse período que se consolidou seu amor por viagens, uma influência decisiva em sua obra futura.

O nascimento de Poirot

Durante a Primeira guerra Mundial , Agatha trabalhou como enfermeira e, posteriormente, em um dispensário hospitalar.

Essa experiência foi crucial para sua escrita, já que o contato com medicamentos e substâncias tóxicas forneceu o conhecimento técnico que tornaria os envenenamentos uma marca registrada de seus enredos. 

Em meio à guerra, aceitou uma aposta da irmã Madge e decidiu escrever um romance policial. 

Assim nasceu O Misterioso Caso de Styles, publicado em 1920, que apresentou ao mundo o detetive belga Hercule Poirot.

Naquela época, milhares de refugiados belgas buscaram abrigo na Inglaterra, e a cidade de Torquay os recebeu com hospitalidade. 

Agatha Christie imaginou então que um desses refugiados — um antigo e brilhante policial belga —seria o detetive ideal para protagonizar seu romance.

Agatha Christie em 1926 e em 1950 – Crédito: Getty Images; Creative Commons

Para o método do crime, Agatha recorreu naturalmente ao veneno, valendo-se do conhecimento adquirido em seu trabalho no dispensário durante a guerra. 

A precisão com que descreveu o envenenamento foi tamanha que, após a publicação do romance, ela recebeu um reconhecimento incomum para uma autora de ficção:

uma resenha elogiosa no Pharmaceutical Journal. 

Para concluir o manuscrito, isolou-se por duas semanas no Moorland Hotel, em Dartmoor, onde, durante longas caminhadas, encenava cenas e dialogava em voz alta como se fosse suas próprias personagens. 

Apesar do esforço, o texto foi inicialmente rejeitado por diversas editoras.

O ano de 1919 marcou uma virada decisiva.

Após o fim da guerra, Archie Christie — com quem Agatha era casada desde 1914 — conseguiu emprego na capital, de modo que o casal se mudou para um apartamento em Londres. 

Em 5 de agosto, nasceria Rosalind, a única filha da escritora.

Nesse mesmo ano, o editor John Lane, do The Bodley Head — o sétimo a avaliar o manuscrito — aceitou publicar O Misterioso Caso de Styles e contratou a escritora para produzir mais cinco livros, sugerindo alterações que incluíam o famoso desfecho na biblioteca, em vez de um clímax no tribunal.

Novas obras

Nos anos seguintes, Agatha ampliou sua produção literária, experimentando novas formas de suspense, como O Adversário Secreto, que apresentou a dupla Tommy e Tuppence. 

Em 1922, ela e Archie embarcaram em uma longa viagem pelo Império Britânico, deixando Rosalind aos cuidados da família. 

A experiência rendeu episódios curiosos — como Agatha tornar-se a primeira mulher britânica a surfar em pé — e forneceu material para obras ambientadas na África, como O Homem do Traje Marrom

De volta à Inglaterra, a família se estabeleceu em Sunningdale, onde Agatha publicou seu segundo romance de Poirot, Assassinato no Campo de Golfe, e decidiu mudar de editora, passando a trabalhar com a William Collins and Sons, atual HarperCollins, em busca de condições mais justas para sua carreira.

Eram meados da década de 1920 e o sucesso literário de Christie crescia. 

Mas no ano de 1926 sua vida pessoal entraria em colapso, com a morte da mãe e o fim do casamento.

Nesse mesmo ano, protagonizou um episódio que se tornaria um dos mais intrigantes de sua biografia:

seu desaparecimento por onze dias, amplamente divulgado pela imprensa. 

Encontrada em um hotel utilizando um nome falso e alegando não reconhecer o próprio marido, Agatha jamais comentou publicamente o ocorrido.

No final de 1927 Agatha criou Miss Jane Marple, uma detetive amadora de inteligência notável. 

Pouco depois, conheceu o arqueólogo Max Mallowan, com quem se casou em 1930. Ao lado dele, passou longas temporadas no Oriente Médio, participando ativamente de escavações arqueológicas.

 Essas viagens influenciaram diretamente romances como Assassinato no Expresso do Oriente, Morte no Nilo e assassinato na Mesopotânia 

Durante a Segunda Guerra Mundial, Agatha manteve uma produção intensa, escrevendo algumas de suas obras mais sombrias , como E Não Sobrou Nenhum

Nesse período, redigiu também Cai o Pano e Um Crime Adormecido, os romances finais de Poirot e Miss Marple, guardados para publicação futura. 

Paralelamente, investiu no teatro, alcançando sucesso com A Ratoeira.

Ao longo das décadas seguintes, Christie consolidou sua posição como ícone literário. 

Ela chegou a explorar outros gêneros sob o pseudônimo Mary Westmacott e recebeu inúmeras honrarias, incluindo o título de Dama do Império Britânico, em reconhecimento à sua contribuição à literatura. 

Faleceu tranquilamente em 1976, aos 85 anos de idade.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.

Giovanna Gomes

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Cipreste Triste, de Agatha Christie: uma narrativa em quatro tempos

Agatha Christie

Por Jean Pierre Chauvin, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USPPost category:Jean PIerre Chauvin

A desordem reconduzida à ordem e esta voltando à desordem; a irracionalidade perturbando a racionalidade; a racionalidade restaurada após as sublevações irracionais: aí está o cerne da ideologia do romance policial (Ernest Mandel).

O romance Cipreste Triste (Sad Cypress) foi publicado no Reino Unido em 1940. O leitor familiarizado com a extensa obra policial de Agatha Christie (1890-1976) provavelmente o reconhecerá como uma das tramas mais engenhosas da escritora.

O enredo gira em torno de duas mortes: a de Laura Welman, que estava com a saúde debilitada havia algum tempo, e a de Mary Gerrard, jovem agregada da família que vinha sendo protegida e beneficiada financeiramente pela Sra. Welman. 

Dentre as personagens principais, temos Elinor Carlisle (sobrinha de Laura Welman) e Roderick Welman (sobrinho do falecido marido de Laura) – que conviviam desde pequenos e pretendiam se casar –, além das enfermeiras O’Brien e Hopkins, que se revezavam nos cuidados da Sra. Laura sob a supervisão do médico Peter Lord.

Disposto em vinte e sete seções (o prólogo mais vinte e seis capítulos), o enredo se divide em quatro tempos:

(1) o julgamento de Elinor, anunciado no “Prólogo” e retomado no capítulo 21;

(2) os eventos próximos da morte de Laura Welman, entre os capítulos 1 e 5;

(3) os diálogos entre as personagens diretamente envolvidas com a falecida, nos capítulos 6 e 7;

(4) o ingresso de Hercule Poirot no enredo, quando passa a entrevistar as personagens suspeitas, entre os capítulos 8 e 20.

A exemplo de numerosas histórias legadas por Dame Christie, lá estão os retratos físicos e psicológicos, traçados ágil e objetivamente pela narradora; a aproximação de personalidades contrastantes, como uma das fontes de tensão no enredo; as questões de ordem pecuniária, capazes de estimular disputas pela fortuna deixada por Laura Welman; e o método analítico de Poirot que, ao final das entrevistas, percebe que todos os suspeitos haviam mentido para ele.

Por falar no caricato detetive, cumpre observar que sua atuação é mais discreta, se comparada aos outros contos e romances em que se fez presente. 

Em Cipreste Triste, ele só participa da trama a partir do oitavo capítulo, ou seja, quando um terço da narrativa já havia transcorrido. 

Uma possível explicação para isso poderia estar no modo como Agatha Christie organizou as partes do enredo, dispensando a presença mais assídua do detetive belga. A segunda razão pode estar relacionada com o fato de que a escritora passou a se incomodar com a onipresença do detetive – um “egoísta completo”, como ela o descreve em Uma Autobiografia, publicada em 1977 – um ano após a sua morte.

Assim como acontece em outros romances da autora, diversas passagens de Cipreste Triste lembram cenas de uma peça teatral (outro gênero literário que ela admirava e cultivou): a sucessão de diálogos enxutos, interrompidos com a saída repentina de um dos atores; a condução de breves entrevistas pelo detetive; o modo conciso como a narradora descreve os ambientes; a rápida transição entre os capítulos, que evoca certos recursos utilizados pelos cenógrafos no tablado etc.

Esses e outros artifícios asseguram que o leitor se veja envolvido na reconstituição dos crimes, cioso por desvendar os motivos torpes que teriam levado alguém a assassinar a frágil Sra. Laura Welman e a encantadora Mary Gerrard. Como ensinou Ernest Mandel (1923-1995), as tramas detetivescas resultam mais eficazes à proporção que alimentam, no leitor, o desejo de resolver enigmas, reestabelecer a ordem social e fazer a justiça possível. Eis o quadro maior em que se inscreve Cipreste Triste.

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terça-feira, 20 de maio de 2025

5 livros de Agatha Christie para quem ama um bom mistério

Agatha Christie 

Por Helena Oliveira
em Livros
18/05/2025 - 08:59

Se você é do tipo que não resiste a um bom enigma, daqueles que fazem o cérebro trabalhar mais do que café forte em segunda-feira chuvosa, então prepare-se para uma jornada literária digna de lupa e cachimbo (mesmo que só no imaginário). Agatha Christie , a rainha indiscutível do crime literário, tece tramas tão engenhosas que até o mais astuto dos leitores se pega dizendo: “Ah, essa eu não vi chegando!”. Seus livros são convites irresistíveis para mergulhar em mundos onde cada detalhe importa e cada personagem pode ser o culpado — ou não.

Mas não se preocupe, aqui não há spoilers, apenas pistas suficientes para aguçar sua curiosidade. Afinal, parte da diversão está em tentar desvendar o mistério antes do detetive — e falhar gloriosamente na maioria das vezes. Com uma escrita elegante e personagens memoráveis, Christie transforma o ato de ler em um jogo de xadrez mental, onde cada movimento é calculado e cada reviravolta, uma surpresa bem-vinda.

Então, afie sua mente, prepare seu bloco de anotações e venha conosco explorar cinco obras essenciais de Agatha Christie. Estes livros não são apenas histórias de assassinato; são verdadeiras aulas de narrativa, lógica e, claro, suspense. Pronto para o desafio? Vamos lá!

O Assassinato de Roger Ackroyd (1926), Agatha Christie

Na pacata vila de King’s Abbot, onde as aparências escondem segredos profundos, um crime abala a tranquilidade dos moradores. Roger Ackroyd, um homem respeitado e influente, é encontrado morto em sua mansão, pouco depois de receber uma carta reveladora sobre o passado obscuro de sua falecida noiva. O detetive belga, conhecido por sua mente analítica, é chamado para investigar o caso. Com a ajuda do médico local, que narra os acontecimentos, ele mergulha em um emaranhado de pistas falsas, segredos de família e motivos ocultos. Cada personagem apresenta uma faceta intrigante, e a trama se desenrola com maestria, conduzindo o leitor por caminhos inesperados. A conclusão surpreendente desafia as convenções do gênero policial, consolidando esta obra como uma das mais inovadoras e impactantes da autora.


Assassinato no Expresso do Oriente (1934), Agatha Christie

Em uma noite gelada de inverno, o luxuoso Expresso do Oriente é forçado a parar nos trilhos devido a uma nevasca intensa. Na manhã seguinte, um dos passageiros é encontrado morto em sua cabine, brutalmente esfaqueado. Com o trem isolado e sem possibilidade de comunicação, o renomado detetive belga, presente a bordo, assume a investigação. À medida que interroga os passageiros, descobre que todos possuem álibis aparentemente sólidos, mas também motivos ocultos. A trama se desenrola com maestria, revelando segredos e conexões inesperadas entre os viajantes. A solução do crime desafia as convenções do gênero policial, levantando questões profundas sobre justiça e moralidade. Uma obra-prima que exemplifica o talento de Christie para criar mistérios envolventes e complexos.

Morte no Nilo (1937), Agatha Christie

Quando uma jovem rica e bela embarca em um cruzeiro pelo Nilo com seu recém-casado marido, ela não imagina que aquela viagem será seu último suspiro. A bordo, todos parecem ter um motivo oculto para desejá-la longe — de um ex-amor desprezado a parentes endividados. O detetive belga, presente por acaso na embarcação, se vê obrigado a desvendar o crime em meio ao calor escaldante do Egito e a uma sucessão de pistas falsas. Em um ambiente fechado, sem escapatória e cercado de suspeitos, cada detalhe importa. Os conflitos à espreita entre os passageiros ganham novas camadas à medida que as tensões aumentam e mais revelações vêm à tona. A ambientação exótica, a trama engenhosa e os personagens densos criam uma atmosfera de suspense crescente. À medida que o navio avança pelas águas do rio, a verdade se aproxima como um golpe inevitável — fatal, elegante e absolutamente lógico.

Os Crimes ABC (1936), Agatha Christie

Uma série de assassinatos começa a assombrar a Inglaterra, seguindo uma estranha lógica alfabética: a vítima, o local e a data obedecem à sequência das letras. Ao lado de cada corpo, encontra-se um exemplar do Guia ABC, uma pista deixada pelo próprio criminoso. Chamado ao caso, o detetive belga se vê diante de um desafio incomum: um assassino metódico, provocador e aparentemente impessoal, que parece brincar com a lógica para confundir e manipular. A cada novo assassinato, a angústia cresce, e as conexões entre os crimes tornam-se mais inquietantes. O detetive precisa correr contra o tempo para interromper a série antes que o alfabeto se complete. Em meio a pistas falsas, armadilhas e uma rede de mentiras cuidadosamente construída, a linha tênue entre o acaso e a intenção se esvai. O desfecho, como sempre, surpreende, desafiando até os leitores mais atentos a enxergar além do óbvio.


E Não Sobrou Nenhum (1939), Agatha Christie

Dez pessoas sem qualquer ligação aparente são convidadas a passar alguns dias em uma ilha isolada. Na primeira noite, uma gravação os acusa de crimes que jamais foram julgados, e pouco depois, um deles morre. A tensão cresce quando percebem que estão presos e que o assassino está entre eles. Seguindo os versos de uma antiga cantiga infantil, os convidados vão caindo um a um, e o medo transforma a busca por respostas em uma luta desesperada pela sobrevivência. A estrutura do suspense é magistral: cada morte obedece a um padrão, e a paranoia se espalha como um veneno invisível. Sem possibilidade de fuga, cada suspeito precisa enfrentar seu passado e sua culpa. O isolamento da ilha transforma o cenário em um tabuleiro mortal, onde lógica e instinto colidem. Ao final, a revelação desafia tudo o que se supunha saber sobre justiça, redenção e a verdadeira natureza do mal.

Rádio e Televisão

quarta-feira, 14 de maio de 2025

9 livros de mistério para quem ama Agatha Christie


Por Helena Oliveira

Se você é do tipo que não resiste a um bom mistério, daqueles que fazem o coração bater mais rápido e a mente trabalhar a mil, então está no lugar certo. Afinal, quem nunca se pegou tentando desvendar um assassinato antes do detetive da história? E quando falamos de mistério, é impossível não lembrar da rainha do gênero, Agatha Christie, que com suas tramas engenhosas e personagens memoráveis, conquistou leitores ao redor do mundo. Mas e quando já lemos todas as obras dela e queremos mais? Não se preocupe, pois há um universo vasto de escritores talentosos que seguiram seus passos e criaram histórias igualmente envolventes.

Pensando nisso, preparamos uma seleção especial de nove livros de mistério que vão agradar em cheio os fãs de Agatha Cristie . São obras que mantêm o suspense do início ao fim, com enredos bem construídos, personagens cativantes e reviravoltas surpreendentes. Cada um desses livros foi escolhido com base em sua qualidade literária, fidelidade ao gênero e reconhecimento da crítica. E o melhor: todos já foram traduzidos e publicados no Brasil, facilitando o acesso para os leitores ávidos por novas aventuras.

Então, prepare sua lupa, afie seu raciocínio lógico e embarque conosco nessa jornada por crimes intrigantes, pistas escondidas e soluções inesperadas. Afinal, o mistério está no ar, e cabe a você, caro leitor, desvendá-lo.

O Mistério dos Chocolates Envenenados (1929), Anthony Berkeley
Uma caixa de chocolates envenenados é enviada a Sir Eustace Pennefather, mas acaba sendo consumida por outra pessoa, resultando em uma morte inesperada. O caso intriga o Círculo do Crime, um grupo de entusiastas de mistérios que decide investigar o assassinato. Cada membro apresenta sua própria teoria, baseada nas mesmas evidências, levando a múltiplas soluções plausíveis. Berkeley desafia as convenções do gênero, explorando a subjetividade da verdade e a complexidade da investigação criminal. Com humor sutil e inteligência, o autor convida o leitor a participar do quebra-cabeça, questionando a lógica e os métodos tradicionais de resolução de crimes. Uma obra inovadora que encanta tanto pela trama quanto pela metalinguagem. Perfeita para fãs de mistérios que gostam de ser desafiados.

Os Mares do Sul (1979), Manuel Vázquez Montalbán
Pepe Carvalho, detetive particular e ex-agente da CIA, é contratado para investigar o assassinato de um empresário que supostamente estava em uma viagem pelos mares do sul. À medida que aprofunda a investigação, Carvalho descobre que a vítima nunca deixou Barcelona e que sua vida era repleta de segredos e contradições. Montalbán oferece uma crítica social afiada, explorando temas como corrupção, identidade e desilusão. Com uma narrativa rica e personagens complexos, o autor constrói um romance policial que vai além do mistério, mergulhando nas nuances da sociedade espanhola pós-franquista. A escrita é envolvente, combinando suspense com reflexões filosóficas. Uma leitura profunda e instigante para quem busca mais do que um simples enigma a ser resolvido.

A Mandíbula de Caim (1934), Edward Powys Mathers
Este enigmático livro apresenta um desafio único: 100 páginas fora de ordem que o leitor deve reorganizar corretamente para desvendar seis assassinatos e identificar vítimas e culpados. Repleto de trocadilhos, referências literárias e jogos de palavras, a obra exige atenção e raciocínio aguçado. Mathers, sob o pseudônimo Torquemada, criou um dos quebra-cabeças literários mais complexos já publicados. A solução correta permanece um mistério para a maioria, tornando a leitura uma experiência interativa e desafiadora. Ideal para leitores que apreciam enigmas intricados e desejam testar suas habilidades dedutivas. Mais do que um livro, é um verdadeiro jogo de inteligência. Uma obra-prima para os amantes de mistérios e desafios literários.

O Cão dos Baskervilles (1902), Arthur Conan Doyle
O detetive Sherlock Holmes é chamado para investigar a misteriosa morte de Sir Charles Baskerville, cuja família é assombrada por uma lenda sobre um cão demoníaco. Com seu fiel companheiro Dr. Watson, Holmes viaja até a sombria charneca de Dartmoor para desvendar o caso. Doyle combina elementos sobrenaturais com lógica dedutiva, criando uma atmosfera de suspense e tensão. A narrativa é rica em detalhes e reviravoltas, mantendo o leitor intrigado até a revelação final. Considerada uma das melhores aventuras de Holmes, esta obra-prima do gênero policial é indispensável para os fãs de mistérios clássicos. Um exemplo brilhante da genialidade de Doyle em criar tramas envolventes e personagens inesquecíveis.

O Apartamento de Paris (2012), Lucy Foley
Jess, uma jovem inglesa em busca de um novo começo, chega a Paris para se hospedar no apartamento de seu meio-irmão, Ben. Ao chegar, encontra o local vazio, com sinais de que Ben desapareceu misteriosamente. Determinada a descobrir o que aconteceu, Jess começa a investigar os vizinhos do prédio elegante, cada um com seus próprios segredos e comportamentos suspeitos. Conforme mergulha mais fundo na vida dos moradores, percebe que todos têm algo a esconder e que o prédio guarda mais mistérios do que aparenta. A narrativa envolvente de Lucy Foley mantém o leitor em suspense, explorando temas de confiança, segredos e a complexidade das relações humanas em um ambiente claustrofóbico e intrigante.

A Mulher na Cabine 10 (2016), Ruth Ware
Lo Blacklock, jornalista de uma revista de viagens, embarca no luxuoso cruzeiro Aurora Boreal, esperando dias de descanso e trabalho leve. Porém, uma noite, ela ouve um grito e vê algo suspeito sendo jogado ao mar da cabine ao lado. Ao relatar o ocorrido, descobre que ninguém está hospedado naquela cabine e que todos os passageiros estão presentes. Isolada em alto-mar, Lo enfrenta a dúvida: testemunhou um crime ou sua mente lhe pregou uma peça? Ware cria um thriller claustrofóbico e psicológico, onde a protagonista luta contra seus próprios medos e a incredulidade alheia. Com uma atmosfera tensa e uma trama cheia de surpresas, o livro mantém o suspense até a última página. Ideal para quem aprecia mistérios envolventes e protagonistas complexas.

Lugares Escuros (2009), Gillian Flynn
Libby Day sobreviveu a um massacre que tirou a vida de sua mãe e irmãs quando tinha apenas sete anos. Seu testemunho levou à condenação de seu irmão mais velho, Ben. Décadas depois, Libby é abordada por um grupo obcecado por crimes reais que acredita na inocência de Ben. Relutante, ela começa a revisitar o passado, confrontando memórias dolorosas e descobrindo segredos enterrados. Flynn entrelaça passado e presente em uma narrativa sombria e envolvente, explorando temas como trauma, manipulação e a complexidade das relações familiares. Com personagens profundos e uma trama cheia de reviravoltas, o livro prende o leitor do início ao fim. Uma leitura intensa que desafia percepções e revela que a verdade pode ser mais obscura do que se imagina.

Todas as Cores da Escuridão (2024), Chris Whitaker
Em 1975, na pequena cidade de Monta Clare, Missouri, meninas desaparecem misteriosamente, mergulhando a comunidade em medo e desconfiança. Patch Macauley, um garoto de treze anos com um tapa-olho e espírito resiliente, impede o sequestro de uma colega, mas acaba capturado. Mantido em cativeiro, encontra Grace, cuja voz na escuridão se torna seu alento. Enquanto isso, Saint Brown, sua melhor amiga, inicia uma busca incansável por respostas, desafiando autoridades e enfrentando segredos sombrios. A narrativa entrelaça mistério, drama e uma profunda exploração das emoções humanas, conduzindo o leitor por reviravoltas inesperadas e questionando os limites entre obsessão e esperança. Com personagens vívidos e uma ambientação rica, o romance revela como traumas e laços afetivos moldam destinos, oferecendo uma leitura envolvente e emocionalmente impactante.

A Última Festa (2016), Lucy Foley
Durante o réveillon nas isoladas Terras Altas escocesas, um grupo de amigos de longa data se reúne para celebrar, mantendo uma tradição anual. O que deveria ser um encontro festivo transforma-se em um cenário de tensão crescente, à medida que segredos antigos e ressentimentos vêm à tona. A nevasca que os cerca impede qualquer contato com o mundo exterior, e quando um corpo é encontrado, a suspeita recai sobre todos. Narrado por múltiplas perspectivas, o enredo mergulha nas complexidades das relações humanas, explorando até que ponto a amizade pode resistir às verdades ocultas. Com uma atmosfera claustrofóbica e reviravoltas surpreendentes, este thriller psicológico prende o leitor do início ao fim, questionando a confiabilidade dos laços afetivos e revelando que, às vezes, o perigo está mais próximo do que se imagina.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Assassinato no Expresso do Oriente: um clássico do mistério de Agatha Christie

Desvende a intrigante trama do livro de suspense
Postado em 20 de dezembro de 2024 por Eduarda Leão


Agatha Christie

“Assassinato no Expresso do Oriente” é uma das obras mais emblemáticas de Agatha Christie, publicada originalmente em 1934. 

O romance destaca o detetive belga Hercule Poirot, um dos personagens mais célebres da autora, conhecido por sua sagacidade e métodos investigativos peculiares.

A trama se desenrola a bordo do luxuoso trem Expresso do Oriente, que parte de Istambul rumo a Calais. 

Durante a viagem, Samuel Ratchett, um empresário americano, solicita a proteção de Poirot, alegando estar recebendo ameaças de morte. Poirot recusa o pedido, desconfiando das intenções de Ratchett. Na noite seguinte, Ratchett é encontrado morto em sua cabine, vítima de múltiplas facadas.

Devido a uma nevasca que interrompe a jornada do trem, Poirot é convidado a investigar o assassinato antes que as autoridades locais possam intervir. 

Ao interrogar os passageiros, ele descobre que todos possuem álibis aparentemente sólidos, mas também motivos ocultos que poderiam implicá-los no crime.

A investigação revela que Ratchett era, na verdade, Cassetti, um criminoso notório responsável pelo sequestro e assassinato de uma criança anos antes.

Christie constrói uma narrativa envolvente, explorando temas como justiça, vingança e moralidade.

A ambientação claustrofóbica do trem parado pela neve intensifica a tensão, enquanto a diversidade dos personagens adiciona profundidade à trama. 

A conclusão surpreendente desafia as expectativas do leitor, consolidando o romance como um clássico do gênero policial.

O detetive Hercule Poirot, com sua personalidade meticulosa e olhar atento aos detalhes, é o coração da narrativa de “Assassinato no Expresso do Oriente”.

Ele utiliza seu método característico, baseado em lógica e observação minuciosa, para conectar os detalhes aparentemente desconexos dos depoimentos dos passageiros.

Cada personagem carrega um fragmento do passado de Cassetti, e cabe a Poirot desvendar como essas peças se encaixam em um quebra-cabeça moralmente complexo. 

A investigação revela não apenas um crime, mas também as motivações e os traumas que unem os envolvidos, transformando o caso em uma reflexão sobre o significado da justiça.

O sucesso do livro resultou em diversas adaptações para cinema, televisão e teatro, destacando-se o filme de 1974, dirigido por Sidney Lumet, e a versão de 2017, dirigida e estrelada por Kenneth Branagh como Poirot. “Assassinato no Expresso do Oriente” permanece uma leitura essencial para os amantes de mistérios, exemplificando a maestria de Agatha Christie em criar enredos complexos e personagens memoráveis.

OHOJE.COM.BR

sábado, 23 de novembro de 2024

Identidades em Jogo

Divulgação / Netflix

Se você ama Agatha Christie, este é o filme de mistério de 2024 que não pode perder na Netflix

Por Helena Oliveira
em Filmes
22/11/2024 - 16:30

“Identidades em Jogo” é uma narrativa engenhosa que mistura tensão e psicologia, trazendo ecos das histórias intrincadas de Agatha Christie com uma dose provocante de suspense ao estilo de Adrian Lyne. 

Sob a direção de Greg Jardin, o filme evita cair nos clichês previsíveis e mergulha em um território desconcertante, especialmente em momentos de maior impacto. 

A trilha sonora assinada por Andrew Hewitt, por vezes exagerada, e a fotografia marcante de Kevin Fletcher, ajudam a construir o clima de inquietação que permeia a trama. 

O ponto de partida é um encontro aparentemente inocente: 

um grupo de amigos reunidos para uma celebração pré-casamento. 

Mas tudo desanda quando uma brincadeira imprudente é introduzida, transformando o que deveria ser um evento festivo em uma espiral de desordem e violência. 

Dessa situação, tanto os personagens quanto o público são conduzidos por um emaranhado emocional e moral, culminando em rancor, tragédias e sangue, numa atmosfera de desconforto cuidadosamente orquestrada pelo roteiro.

O filme faz um retrato incisivo da impulsividade juvenil e das consequências de decisões tomadas sem reflexão. 

Jovens, frequentemente guiados por uma ingenuidade audaciosa, tendem a acreditar que o mundo lhes deve algo — uma ilusão desfeita pelas duras lições da vida.

Essa premissa é levada ao extremo em “Identidades em Jogo”, onde cada passo em falso dos personagens parece ecoar o caos inevitável de nossa própria condição humana. 

Jardin nos lembra que somos criaturas frágeis e inconsequentes, sempre tentando compreender um universo que nos ignora completamente. 

Assim como na vida, a ignorância dos personagens os conduz a situações limite, em que a vulnerabilidade e a falta de controle tornam-se evidentes.

No ambiente do filme, um palacete isolado abriga esse experimento social. 

À primeira vista, tudo parece harmonioso — sorrisos, abraços e camaradagem. 

Mas a introdução de um artefato peculiar, uma mala com dispositivos capazes de acessar a mente, transforma radicalmente a dinâmica do grupo. 

Cada participante é forçado a encarar segredos e verdades que prefeririam manter ocultos, enquanto a narrativa nos arrasta para uma reflexão sobre identidade e percepção.

O design do filme é uma extensão de sua proposta conceitual: 

cenários labirínticos que simbolizam os meandros da mente humana, iluminados por uma luz vermelha persistente que evoca perigo e tensão.

A câmera, inquieta, nunca deixa o espectador acomodado, enquanto os diálogos e as atuações intensificam a sensação de desconforto.

Jardin manipula os elementos visuais e sonoros com habilidade para criar uma experiência imersiva, distorcendo vozes e alterando ritmos de fala, sublinhando que os eventos na tela transcendem a simplicidade de um jogo.

Brittany O’Grady, como Shelby, destaca-se ao explorar camadas emocionais profundas, reafirmando sua capacidade de fugir do óbvio, como já demonstrado em “The White Lotus”. Seu desempenho lidera um elenco visualmente atraente, mas que também entrega substância além da aparência.

Em tempos em que a imagem e a identidade são moldadas de forma quase irrevogável pelas redes sociais, “Identidades em Jogo” surge como uma crítica ácida à nossa obsessão pelo controle sobre a narrativa de quem somos. 

A conclusão aberta deixa espaço para especulação:

será este o início de uma franquia? Um spin-off ou uma série podem facilmente expandir o universo de Jardin, explorando ainda mais as camadas sombrias da psique humana e das interações sociais. 

Afinal, no pântano fértil onde nascem essas reflexões, há espaço para muitas outras histórias igualmente provocativas.

Filme: Identidades em Jogo
Diretor: Greg Jardin
Ano: 2024
Gênero: Comédia/Mistério/Suspense
Avaliaçao: 8/10 1 1 Helena Oliveira
★★★★★★★★★★

Revistabula.com

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Não somos invisíveis

Agatha Christie 


Em 1926, Agatha Christie enfrentou uma crise pessoal. Aos trinta e cinco anos, ela ficou devastada pela morte de sua mãe e pela revelação de que seu marido, A
rchie, a estava deixando por outra mulher.

Este golpe duplo levou Agatha a uma depressão profunda, onde ela sentiu que a vida tinha perdido a alegria. A única luz na vida dela era a sua filha de sete anos, Rosalind.

Agatha Miller foi uma escritora talentosa desde pequena. 

Nascida em 1890 numa família rica, ela aprendeu a ler aos quatro anos. Ela se casou com Archie Christie, um piloto encantador, na véspera de Natal em 1914.

Eles suportaram os desafios da Primeira Guerra Mundial e deram as boas-vindas a Rosalind em 1919.

Quando seu casamento começou a desmoronar, Agatha já tinha publicado cinco romances de detetives bem sucedidos.

À medida que Agatha começou a se recuperar de seus problemas conjugais, encontrou conforto na escrita e procurou novas aventuras.

Uma viagem no Expresso do Oriente levantou-lhe o espírito, mas foi uma escavação arqueológica no Iraque em 1930 que mudou a sua vida. Lá, conheceu Max Mallowan, um arqueólogo mais jovem.

Seu romance floresceu, levando ao casamento mais tarde naquele ano e a uma feliz parceria até a morte de Agatha.

O ano de 1926, que parecia o fim para Agatha Christie, acabou por ser apenas o começo de sua notável carreira.

Nas décadas seguintes, ela tornou-se uma das autoras mais bem sucedidas da história, com mais de 70 romances mais vendidos e a peça mais longa de sempre.


Seu segundo casamento lhe trouxe alegria, e tanto ela quanto Max receberam honras por suas conquistas - Max foi nomeado cavaleiro em 1968, e Agatha tornou-se uma Dama do Império Britânico em 1971.

Agatha Christie faleceu em 12 de janeiro de 1976, aos 85 anos.

Com mais de dois bilhões de cópias vendidas, ela continua a ser a romancista mais vendida de todos os tempos, seu legado refletindo sua resiliência e gênio literário.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Como uma trama de Agatha Christie: o melhor filme de mistério da história da Netflix



Por Helena Oliveira 
em Filmes
11/11/2024 - 18:30

O paradoxo da solidão, uma constante inevitável da vida que acompanha o ser humano desde o nascimento até a morte, revela-se ainda mais intrigante quando confrontado com a notória indiferença das pessoas ao longo do caminho. Muitos se recusam a compartilhar experiências e emoções capazes de justificar suas jornadas, preferindo ocultar aquilo que consideram sagrado, longe do olhar alheio, com a intenção de evitar surpresas desagradáveis. Contudo, apesar desse desejo profundo de isolamento, é notável a obstinação quase irracional em moldar-se às expectativas sociais.

O indivíduo se adapta a padrões de comportamento, cujos detalhes tornam-se mais meticulosos quanto mais se observa, uma maneira conveniente de esquecer as próprias solidões, traumas e idiossincrasias que tornam a rotina menos entediante. No entanto, nem tudo está perdido; persiste a esperança de encontrar, por acaso ou destino, alguém cuja forma de viver se assemelhe à nossa, sem intenções ocultas.

Com o passar dos anos e o amadurecimento que surge no momento apropriado, percebe-se que as conexões formadas na infância têm maior probabilidade de resistir às separações impostas pela vida, embora essa mesma vida, paradoxalmente, se encarregue de desfazê-las à medida que crescemos. Isso apenas reforça a noção de que a amizade é uma força capaz de transformar histórias e, em casos raros, mudar o curso de vidas e até mesmo do mundo.

Quando essa energia se junta aos desejos humanos, o resultado é um emaranhado de sentimentos conflitantes, mas que pode gerar algo único e indescritível — o verdadeiro mistério das relações que permanecem intactas. Este enigma não se aplica aos personagens de “Glass Onion: Um Mistério Knives Out”. No segundo capítulo dessa franquia, Rian Johnson continua a explorar uma narrativa de suspense engenhosa, retratando figuras abastadas e desinteressadas que se envolvem em jogos arriscados na tentativa de fugir de sua própria futilidade.

Inspirado em uma canção dos Beatles, o roteiro de Johnson desvela as camadas intricadas das relações humanas, que, apesar de parecerem claras, filtram a luz de modo a transformá-la em algo negativo. Com uma abordagem que homenageia a tradição de Agatha Christie de forma inovadora, Johnson não abre mão de trechos cômicos que equilibram a trama. A narrativa, que a Dama do Crime apreciaria pela sua ousadia, rompe com a convenção ao manipular o gênero de mistério de forma a não focar tanto em quem agiu, mas em quando a identidade do culpado será revelada.

Na primeira parte da série, o caso envolvia a morte de Harlan Thrombey, um renomado escritor de suspense morto de forma brutal em sua mansão, com toques metalinguísticos que conquistaram o público. Agora, o detetive Benoït Blanc, interpretado por um Daniel Craig em sua melhor forma, é convocado para se infiltrar entre convidados excêntricos e perigosamente imprevisíveis.

A crítica social, sempre presente, não se perde em meio à complexidade da história. Kate Hudson se destaca como Birdie Jay, uma socialite imprudente que busca diversão através de festas que literalmente saem de controle, enquanto compartilha opiniões que oscilam entre o ingênuo e o ofensivo nas redes sociais. Janelle Monáe, em uma performance dupla, surge como a figura da consciência do grupo. Se “Glass Onion” peca, é pelo tempo de projeção excessivo, que, embora permita a reflexão sobre o desfecho, pode levar a especulações além do necessário.

Contudo, nada que um próximo capítulo de Benoït Blanc não possa corrigir.

Filme: Glass Onion: Um Mistério Knives Out
Diretor: Rian Johnson
Ano: 2022
Gênero: Comédia/Crime/Thriller
Avaliaçao: 9/10 1 1 Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
100

quinta-feira, 14 de março de 2024

O crime que inspirou Agatha Christie em seu primeiro romance policial







01/03/2024 às 10:25•2 min de leitura

Poucas histórias conseguem combinar a emoção de uma disputa familiar com o suspense de um assassinato, mas Agatha Christie , conhecida como a "rainha do crime", conseguiu essa proeza em seu primeiro romance policial.


Publicado em 1920, O Misterioso Caso de Styles gira em torno do enigmático assassinato de Emily Inglethorp, em uma trama repleta de conflitos familiares e um detetive  peculiar, Hercule Poirot. Curiosamente, esse romance é amplamente considerado como inspirado por um assassinato real ocorrido em um hotel na Índia, oferecendo uma perspectiva intrigante sobre o gênio literário de Agatha Christie.

O caso Mussoorie


Hotel Savoy, em Mussoorie. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

Em setembro de 1911, o Hotel Savoy, situado nas colinas pitorescas de Mussoorie, Índia, tornou-se o cenário de um dos crimes mais notórios da época. Frances Garnett Orme, uma mulher de 49 anos, foi encontrada morta em seu quarto, desencadeando uma investigação que ecoaria nas páginas da literatura policial. A causa da morte foi determinada como envenenamento por ácido prússico, um veneno à base de cianeto conhecido por sua rapidez e letalidade.

A principal suspeita, Eva Mount Stephens, uma amiga íntima de Frances, foi acusada do crime e enfrentou um julgamento que capturou a atenção mundial. O caso intrigou os jornais da época, ganhando manchetes, devido à peculiaridade das circunstâncias que envolviam o crime. A absolvição de Eva manteve as verdadeiras circunstâncias da morte de Frances sem resolução.

Paralelos entre realidade e ficção


Agatha Christie. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

As semelhanças entre o caso Mussoorie e O Misterioso Caso de Styles são notáveis. Ambos apresentam mulheres envenenadas, quartos trancados por dentro e suspeitas entre amigos próximos. Agatha Christie incorporou detalhes do caso real em seu enredo, criando uma atmosfera de suspense e mistério.

A conexão entre o assassinato indiano e o romance da autora britânica continua a intrigar fãs e especialistas em literatura policial, destacando a habilidade única de Agatha em transformar eventos reais em obras-primas fictícias. Além do caso Mussoorie, outros eventos na Índia colonial também influenciaram as tramas da "rainha do crime".

O caso Mussoorie reflete o cenário da Índia  do final do século XIX, onde envenenamentos eram tão comuns que levaram à elaboração da Lei de Venenos, em 1904. A venda descontrolada de substâncias tóxicas, como arsênico, proporcionou um ambiente propício para histórias de mistério e intriga.

A influência do assassinato em Mussoorie na criação do primeiro romance policial de Agatha Christie adiciona uma camada fascinante à sua notável carreira. A conexão entre a realidade indiana e a ficção da famosa escritora continua a atrair atenção, destacando o impacto duradouro de crimes reais na história da literatura policial. Para os leitores, O Misterioso Caso de Styles permanecerá como uma obra-prima única, intrinsecamente ligada aos mistérios reais que a inspiraram.

Fonte BBC

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Por que Agatha Christie desapareceu durante 11 dias



Agatha Christie 

Fotografia de Agatha Christie em sua casa - Getty Images

Por que Agatha Christie  desapareceu durante 11 dias

 O sumiço repentino da famosa autora de romances policiais em 1926 causou mistério por décadas; mas um historiador anunciou tê-lo decifrado em 2022

Ingredi Brunato
Publicado  em 05.11.2023

Fotografia de Agatha Christie em sua casa - Getty Images

No dia 3 de dezembro de 1926, Agatha Christie teve uma acalorada discussão com seu marido, o coronel Archibald Christie, se despediu de sua filha pequena, Rosalind, que já estava dormindo, e saiu de carro para visitar amigos, com quem passaria o final de semana.

No dia seguinte, porém, o veículo da autora britânica foi encontrado abandonado sob condições suspeitas, conforme relatou a polícia na época em um comunicado registrado pelo portal de Arquivo Nacional do governo inglês:

O carro foi encontrado em uma posição que indicava que algum procedimento incomum havia ocorrido, o carro foi encontrado no meio de uma encosta gramada, bem longe da estrada principal, com o capô enterrado em alguns arbustos, como se tivesse saído de controle".

Mistério da vida real

Era o início de um enigmático desaparecimento que mobilizaria o país, sendo amplamente noticiado e levando cerca de 15 mil pessoas a se voluntariarem para ajudar nas buscas.

Naquela época, vale mencionar, a autora já estava fazendo grande sucesso no mundo literário com seus romances recheados de mistério, crime e suspense. Seu mais recente lançamento havia sido "O Assassinato de Roger Ackroyd , que foi o sexto livro de Agatha Christie.


Assim, surgiram muitas teorias que tentavam explicar seu desaparecimento. Enquanto alguns sugeriam que ela havia sofrido com alguma tragédia, por exemplo, tendo se afogado de forma acidental ou até mesmo sido assassinada pelo marido, outros acreditavam que era tudo uma manobra publicitária para aumentar suas vendas.

O suspense chegou ao fim no dia 14 de dezembro, quando a escritora britânica foi descoberta em um quarto de hotel com um estado mental precário: ela se encontrava desorientada e não se lembrava nada a respeito dos últimos onze dias.

Um detalhe importante do caso é que Christie havia se registrado no estabelecimento com o nome de "Teresa Neele". O sobrenome desta persona chamou a atenção do público por ser o mesmo da amante do marido da escritora. Archie a havia traído com uma mulher chamada Nancy Neele e pedido pelo divórcio em agosto daquele ano.

Por esse motivo, aliás, houve ainda a especulação que a autora mentia para o público e, na verdade, sumiu de propósito na tentativa de parecer que havia sido assassinada pelo marido, assim buscando se vingar pelo caso extraconjugal dele.


Em 2022, no entanto, o historiador e biografo Andrew Norman afirmou ter solucionado de vez o enigma.

Fotografia de Agatha Christie / Crédito: Divulgação/ Joop van Bilsen/ Anefo/ Creative Commons/ Wikimedia Commons


Trauma e amnésia

Segundo o especialista na trajetória de Agatha Christie, ela havia entrado em "estado de fuga dissociativa ", durante o qual indivíduos embarcam em viagens até lugares aleatórios em uma espécie de transe. Depois, "acordam" dessa dissociação sem saber como foram parar ali.


Trata-se de uma resposta a eventos traumáticos ou então situações de grande estresse, e a escritora inglesa de fato passava por um momento muito estressante em sua vida. Isso, pois ela não apenas precisava lidar com a perspectiva de se separar do marido e com as pressões da fama, como também havia perdido sua mãe recentemente.

Em 1926, Agatha era uma romancista de sucesso e estava sob muita pressão para continuar produzindo livros. Mas sua mãe morreu naquele ano e ela entrou em um episódio do que hoje seria descrito como depressão. Ela relatou esquecimento, choro, insônia, incapacidade de lidar com a vida normal. Seu estado mental piorou tanto que ela pensou em suicídio", explicou Andrew Norman em entrevista à BBC.

O biógrafo lamentou a maneira como a Inglaterra tratou o caso na época, enxergando intenções maliciosas por trás das ações aparentemente inexplicáveis da escritora. "Isso não é incriminar seu marido traidor por assassinato, é viver com um problema de saúde mental realmente sério".

"E ainda assim a narrativa é que ela era de alguma forma uma pessoa má que estava pregando uma espécie de peça no mundo; para incriminar o marido ou chamar a atenção para vender romances", concluiu ao veículo.


Aventuranahistoria.uol.com.br

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Os 10 Melhores Filmes e Séries adaptados das obras de Agatha Christie

Cinema e Straming

Conheça algumas das intrigantes histórias de suspense de Agatha Christie, disponíveis em filmes e séries, para você assistir!

Por Kelvin L. Nunes da Costa
Editado por Bruno Ignacio de Lima


A escritora Agatha Christie (reprodução)

Agatha Christie é uma das autoras mais renomadas e influentes da literatura de suspense e mistério.

Sua obra apresenta tramas de detetive com mistérios instigantes e investigações de crimes e assassinatos marcados por reviravoltas surpreendentes.

Além do sucesso, as histórias de Christie tem tudo a ver com o audiovisual. Por isso, algumas de suas obras ganharam vida nas telas do cinema e da televisão.

A seguir, listamos 10 adaptação de suas obras em filmes e séries para você conhecer ou se interessar ainda mais no mundo de mistério dessa grande autora.

Agatha Christie: filmes e séries

Agatha Cristie`s Poirot (1989-2021)

Assassinato no Expresso Oriente (1974)

Morte sobre o Nilo (1978)

A Noite das Bruxas (2023)

Why Didn`t They Ask Evens (2022)

A Casa Torta (2017)

Quem viu Quem Matou (Murder She Said (1961)

A Maldição do Espelho (1980)

Testemunha de Acusação (1957)

E Não Sobrou Nenhum (And Then There Were None, 2015)

Minissérie britânica de três episódios, “E Não Sobrou Nenhum” se baseia no famoso romance de mistério homônimo, que é uma das obras literárias do gênero mais vendidas de todos os tempos.

O enredo acompanha um grupo de dez pessoas que recebem um convite para passar um fim de semana em uma ilha. No entanto, eles vão sendo misteriosamente assassinados um por um, seguindo os versos de uma poesia. Isso desencadeia uma crescente atmosfera de tensão e suspeita, uma vez que qualquer um dos presentes pode ser o assassino.


Agatha Christie’s Poirot (1989 – 2013)

Ads by KioskedAgatha Christie’s Poirot” (1989 – 2013) / Crédito: ITV (divulgação)

O brilhante detetive belga Hercule Poirot é um dos personagens mais famosos de Christie e protagoniza várias de suas obras. E a versão mais famosa e considerada a definitiva do personagem é a vivida pelo ator David Suchet na serie britanica “Agatha Christie’s Poirot”.

A serie foi ao ar de 1989 a 2013, e teve 13 temporadas, somando 70 episodios. Em cada episódio, a trama adapta um romance ou conto de Christie que apresenta o personagem Poirot.

Assassinato no Expresso Oriente (1974)

Ads by Kiosked“Assassinato no Expresso Oriente” (“Murder on the Orient Express”, 1974) / Crédito: Anglo-EMI Film Distributors (divulgação)

O renomado diretor Sidney Lumet dirigiu esta adaptação de “Assassinato no Expresso Oriente” com um elenco de atores consagrados do cinema: Albert Finney, Lauren Bacall, Ingrid Bergman, Sean Connery, John Gielgud, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave e Michael York. A atriz Ingrid Bergman chegou a ganhar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação neste filme.

O detetive Poirot (interpretado por Finney), que estava a bordo do luxuoso trem Orient Express como passageiro, investiga um assassinato que ocorre a bordo. Durante sua investigação, ele descobre que muitos dos passageiros tinham motivos para querer a vítima morta.

Morte Sobre o Nilo (1978)


Ads by Kiosed“Morte Sobre o Nilo” (“Death on the Nile”) / Crédito: United Artists (divulgação)

Sob a direção de John Guillermin , esta adaptação do romance homônimo de Agatha Christie foi dirigido por John Guillermin e apresenta um elenco estelar que inclui Peter Ustinov como Hercule Poirot, além de Mia Farrow, Simon MacCorkindale, Maggie Smith, Angela Lansbury, Bette Davis, e outros.

Na trama, o detetive Poirot, que está de férias no Egito a bordo de um luxuoso cruzeiro pelo Nilo, investiga o assassinato de uma rica herdeira que ocorre a bordo. Durante sua investigação, ele se depara com uma teia de mentiras e novos assassinatos.

A Noite das Bruxas (2023)


Ads by Kiosked“A Noite das Bruxas” (“A Haunting in Venice”, 2023) / Crédito: 20th Century Studios (divulgação)

O ator, diretor e roteirista Kenneth Branagh vem adaptando obras de Christie com o Poirot para o cinema, e o proprio tem estrelado seus filmes interpretando o detetive. Um de seus destaques é “A Noite das Bruxas”, adapatação do romance “Hallowe’en Party” (que se chama A Noite das Bruxas” no Brasil).

Na trama, um aposentado Poirot participa de uma sessão espírita de Halloween em Veneza e inicia uma investigação apos o assassinato de um dos participantes.

Why Didn’t They Ask Evans? (2022)

Ads by Kiosked“Why Didn’t They Ask Evans?” (2022) / Crédito: BritBox (divulgação)

O ator britanico Hugh Laurie, mais conhecido por seu aclamado e premiado papel como Dr. Gregory House na série de televisão “Dr. House”, dirige e roteriza a minisserie “Why Didn’t They Ask Evans?”.

A obra é uma adaptação do romance policial de mesmo nome de Christie (no Brasil: “Por que não pediram a Evans?”) e é dividido em tres partes. A história segue dois jovens que se envolvem em uma investigação após descobrirem um homem à beira da morte.

A Casa Torta (2017)


Ads by Kiosked“A Casa Torta” (“Crooked House”, 2017) / Crédito: Vertical Entertainment, Stage 6 Films (divulgação)

O filme “A Casa Torta” se baseia no romance de mesmo nome e trás um elenco com nomes como como Max Irons, Glenn Close, Gillian Anderson, Christina Hendricks, Terence Stamp, entre outros.

Na historia, o detetive particular Charles Hayward é chamado para investigar o assassinato do patrica dos Leonides, uma rica e problematica familia. O crime aconteceu na mansão dos Leonides e Hayward se ve em uma investigação que envolve segredos obscuros e rivalidades familiares.

Quem Viu Quem Matou? (Murder, She Said, 1961)










Ads by KioskedQuem Viu Quem Matou?” (“Murder, She Said”, 1961) / Crédito: Metro-Goldwyn-Mayer (divulgação)

Este filme de mistério e comédia é baseado no romance “4.50 from Paddington” (“A Testemunha Ocular do Crime” no Brasil) de Agatha Christie. Essa historia conta com outra das personagens famosas de Christie, a detetive amadora Miss Jane Marple, que participa de varios romances e contos da escritora.

No filme, a atriz Margaret Rutherford vive Miss Marple e a trama gira em torno dela. Miss Marple, uma idosa solteirona aficionda por livros de crime, vive sua primeira aventura como detetive quando testemunha um assassinato em um trem e decide investigar o misterio por conta propria. A partir deste longa, uma serie de filmes com Margaret Rutherford interpretando Miss Marple foram lançados.


A Maldição do Espelho (1980)


Ads by Kiosked“A Maldição do Espelho” (“The Mirror Crack’d”, 1980) / Crédito: Columbia-Warner Distributors (divulgação)

Outra historia com a Miss Marple foi adaptada em um filme. “A Maldição do Espelho” é um filme dirigido por Guy Hamilton e traz a atriz Angela Lansbury como a detetive amadora desta vez. O filme é adaotado do romance “The Mirror Crack’d from Side to Side” (“A Maldição do Espelho”, no Brasil).

Em sua casa, a vila inglesa St Mary Mead, Miss Marple investiga um assassinato por envenemamento quando um filme esta sendo produzido no local. O filme também conta com um elenco de estrelas, incluindo Tony Curtis, Elizabeth Taylor, Kim Novak, Rock Hudson, e Geraldine Chaplin.

Testemunha de Acusação (1957)


Ads by Kiosked“Testemunha de Acusação” (“Witness for the Prosecution”, 1957) / Crédito: United Artists (divulgação)

Este clássico de tribunal, dirigido pelo renomado cineasta Billy Wilder, é baseado em uma peça de teatro de mesmo nome de Agatha Christie. O longa conta com um elenco estelar: Tyrone Power, Marlene Dietrich, Charles Laughton e Elsa Lanchester.

Kelvin L. Nunes da Costa
 Colaboração para o Olhar Digital