Francisco Cândido Xavier
E foi surpreendente. Era tarde de sábado, brisa amena, sossego do lar, quando veio a vontade de dar um pulinho no centrinho espírita que tem em Tabatinga, no litoral sul, chamado "União Espírita Chico Xavier". Só o nome já atrai, pois homenageia o "Maior brasileiro de todos os tempos", título auferido em votação nacional ao maior médium do "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", outro título que o próprio Chico deu ao nosso país e a um de seus quase 500 livros, assinado por Humberto de Campos, há 77 anos.
E setenta e sete até lembrou o significado de uma passagem evangélica, quando, de tanto falar em amor, incondicional e ilimitado, Jesus foi interpretado pelos discípulos acerca de quantas vezes teriam de perdoar? A resposta foi: "Setenta vezes sete!". Claro que o Mestre não estava sugerindo que perdoássemos só 500 vezes, e sim infinitamente. O perdão deve ser um estado permanente de compreensão e tolerância, que só benefícios nos traz, pois, ao extirpar o ressentimento, diminui o peso do carma, o que nos fará evoluir mais rápido e ascender aos estados elevados de transcendência espiritual.
E veio a ideia: Ir à União Espírita Chico Xavier de bicicleta, juntando o útil ao agradável, exercitar corpo e espírito! Lá chegando com o sangue quente e bem dispostos, uma boa surpresa ao ver o amigo Almir Laureano como palestrante da tarde,falando numa casa simples, acolhedora, pequena no tamanho, mas grande na ideia.
E Almir soube dar conta do recado. Reforçou a fé na imortalidade da alma, na resignação diante dos fatos inexoráveis e dolorosos a que todos estamos naturalmente sujeitos, como esse acidente que matou o jovem cantor goiano. Ressaltou a noção de ecumenismo, de amor ao próximo, ao dizer que o ateu não é inferior ao crente, apenas por ver as coisas de uma maneira diferente, desde que ame os seus semelhantes, sem preconceito ou discriminação.
Relembrou que os tais direitos humanos, hoje tão decantados, não são nenhuma novidade, pois foi Jesus quem deu início aos princípios de direitos humanos, há mais de dois milênios, ao pregar a maior mensagem de irmandade entre os semelhantes, ensinando a orar começando pela reverência ao Criador, chamando-o de Pai Nosso!
Ora, se o Pai é nosso, que sejamos irmãos em tudo, sem distinção alguma. Isso é o que realmente importa.
Germano Romero é arquiteto e bacharel em Música.
Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 03 de julho de 2015
Opinião

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