Antigamente, as viagens tornavam-se mais demoradas e cansativas, por causa das velhas estradas de barro, com a poeira cobrindo os olhos dos viandantes e de imundícies os veículos.
A era asfáltica trouxe muito alento e prazer aos amantes de excursões por terra próximas ou distantes. A esse avanço, outro maior ainda, o da cibernética garantiu aos homens informações rápidas nunca vistas.
Mas impressionante tornou-se ouvir a voz do amado, dos pais, dos filhos e familiares num átimo. Nessa fase, tudo era tão incrível que até chegava a ser inacreditável. O progresso, em todas as searas do conhecimento humano, facilitou a vida das pessoas.
A televisão possibilitou a comodidade do cinema em casa, de notícias, ao vivo, atualíssimas, boas e também ruins. Sem falar, no uso de eletrodomésticos plurais, mais cortinas fechadas e abertas por controle remoto.
As aeronaves cruzam os céus, conduzindo os tripulantes para lugares longínquos do planeta, embora, ultimamente, de forma lamentável, são explodidas nos ares, pelas cruéis ações de espíritos maléfico.
A modernidade dos inventos não impediu, contudo, que o mundo se tornasse mais louco, mais cruel e mais incógnito em seus desígnios. Esta fase de terror inibe as pessoas de irem à praça, às compras, ao cinema ou de singrarem por mares nunca dantes navegados. Será que isso é progresso ou arte do maligno?
Será que não temos mais o direito de ir e vir? Será que a evolução dos tempos vai nos impedir até de sonhar? Se isto acontecer, é sinal de que o mundo vai se acabar. Que Deus nos salve, antes que a tragédia aconteça.
Onélia Queiroga
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas da Faculdade de Direito da UFPB.
Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 25 de março de 2018
Aos Domingos
Caderno 2

Nenhum comentário:
Postar um comentário