quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Estevam Fernandes - Livre E Feliz!




Mensagem de fé com Estevam Fernandes


Para muitas pessoas o passado é uma grande ferida. Anelam pela liberdade mas não conseguem se libertar das garras da sua história sofrida. Uma das piores formas de escravidão é viver sob o jugo de um passado marcado por lembranças traumáticas. É como tocar um corpo cheio de chagas. Qualquer toque é uma experiência de dor. Qualquer lembrança é uma lágrima revivida.

Dentre as muitas feridas que insistem em não ceder à terapia do tempo, três são muito resistentes: a dor da rejeição, da traição e da mentira. Quando não superadas, elas evoluem rapidamente de feridas emocionais a tumores na alma, com alto poder de metástase, afetando áreas vitais da existência, como a esperança, a alegria, a capacidade de amar, de perdoar e sonhar.

A rejeição é uma ferida que precisa ser sarada. Ela produz insegurança, medo, frustração e inferioridade. Não há como mensurar a dor de uma pessoa que se sente rejeitada, sobretudo por alguém que ela julgava especial. É como sentir-se um nada. Humanamente desnecessária. Essa horrível dor tem machucado os corações de muitos filhos, diante da separação dos pais; de muitos pais na solidão da velhice; de muitas mulheres, ao verem o marido abandonar o lar, nos braços de outra.

A dor da traição é terrível. Ela é silenciosa e como tal, insuportável. Ela afeta a auto-estima, produz revolta e desejo de vingança. Geralmente, a resposta à traição é outra traição. Que acaba se tornando em auto-agressão. Quando uma pessoa age assim fere-se a si mesma e aumenta a sua própria dor. A pessoa traída se enche de culpa e revolta e expõe sua existência a uma grande enfermidade emocional: a amargura. Pessoas amarguradas perdem a visão de novos horizontes, por viverem presas a um passado sombrio. A superação da traição envolve o perdão e o amor próprio. Perdoando, somos libertos; nos amando, podemos amar outra vez e sonhar com novos dias.

A mentira produz, também, muitos males. A dor de sentir-se enganado é tão dolorosa quanto mais perto do coração estiver quem enganou. Por exemplo, a mentira que provém do pai, da mãe, dos irmãos, do cônjuge, da pessoa amada, dói sempre muito mais. Quanto mais significativa for a aproximação de quem nos enganou, tanto maior será a ferida que se abre no coração. A dor do engano produz desconfiança, insegurança, revolta e isolamento. É como se uma porta, em nós, se fechasse para a vida.

Como então tratar destas feridas e curá-las? O remédio está na combinação de três fatores que interagem terapeuticamente: a força do tempo, a experiência do perdão e a graça divina. O tempo ameniza a nossa dor, o perdão nos liberta do passado sombrio, e a graça divina nos fortalece e faz-nos sonhar outra vez. A presença de Deus em nós produz cura interior. Ele sara todas as nossas feridas. Contamos com a sua graça, que nos fortalece, com o seu amor, que nos faz viver e com a força do perdão, que nos liberta. Não vale a pena viver sendo corroído por lembranças de um passado doloroso.
Felicidade e liberdade são irmãs gêmeas. Ambas refletem a presença de Deus em nós.

Estevam Fernandes
Pastor da lª Igreja Batista.

Publicada no Jornal Correio da Paraíba

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