Um conto - uma crônica
Costuma-se dizer de alguém que gosta de ouvir conversas, de bisbilhotar a vida alheia, de saber de tudo o que se passa na vizinhança e no trabalho, que é, no mínimo, uma pessoa curiosa.
Os que estão numa roda a tratar de temas diversos, quando avistam alguém desse tipo, põem-se em conveniente silêncio, cautela no falar ou mudam de assunto. A persona non grata vem chegando.
O homem, ser curioso por natureza, não deve eximir-se da curiosidade no seu sentido positivo. Deve usá-la para descobrir as coisas, para dedicar-se à atividade exploratória que já começa no instante mesmo em que se nasce.
Na infância, essa atividade cresce assustadoramente. Daí porque os meninos, curiosos para saberem como os brinquedos funcionam, desmontam-nos, quebram-nos, quando não constroem dos destroços de todos um novo, como aconteceu com o meu neto, Antônio Hortêncio que arrancou o bracelete de um relógio de plástico e nele colocou uma tampa azul de garrafa, que encontrou na rua, no local do antigo mostrador. E, certo dia, disse-me: - "Olhe vovó, o meu relógio. Fui eu que o inventei!"
As meninas também nessa fase, equiparam-se àqueles: assanham e cortam os cabelos das bonecas; descolam-nas somente para ver o que tem no seu interior. Ambos estão na fase da curiosidade evolutiva que pode levá-los a uma grande descoberta.
A curiosidade é instrumento do saber. Mas, é preciso discipliná-la e desenvolvê-la. Em interessante artigo sobre esse foco, Sheila Lobato afirma que "todo avanço, toda invenção, toda especulação filosófica têm a curiosidade como seu primeiro motor".
A curiosidade é tida como o sexto sentido. Tinham-no aguçado: Cristovão Colombo, Santos Dumont, Craig Venter que deve à curiosidade sua decisão de estudar durante anos o DNA humano e, de publicar, em 2008, o mapa total do seu patrimônio genético: a sequência dos seus 46 cromossomos.
O mais completo curioso de todos os tempos foi Leonardo Da Vinci, por isso chegou ao mais alto grau do intelecto: foi inventor, pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, matemático, músico e anatomista. Deixou para a humanidade um grande legado e o sorriso mais enigmático do planeta: o da Mona Lisa.Onélia Queiroga.
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas
da Faculdade de Direito da UFPB.
Publicada no Jornal Correio da Paraíba.
Coluna Aos Domingos.
Caderno Cultura/Lazer.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Onélia Queiroga - Curiosidade
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