quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mulheres E Crianças Desamparadas Nos Livros De José Lins Do Rêgo



Vera fischer e herson Capri na série Riacho Doce
http://riacho-doce.blogspot.com/2010/01/fotos_08.html

Na obra de José Lins do Rego, pode-se descortinar um cenário de mulheres infelizes. Mulheres mal amadas, carentes, solitárias... Umas vivendo com sobras de amor, outras, vítimas da loucura.Tomadas por uma solidão sem limites, não têm para quem apelar. Algumas recorrem ao suicídio.

Numa galeria de mulheres devastadas pela dor, encontram-se:

Edna - de Riacho Doce
Luisinha - de Àgua Mãe
Eurídice - de Eurídice
Laura - de Banguê
Guiomar - de O Moleque Ricardo
D.Olegária - de Eurídice
Sinhá Josefina - de Cangaceiros
D.Olívia - de Fogo Morto
Margarida - de Pureza
Maria Paula- de Pureza
D.Dondom - de Usina


Nos romances, nem mesmo sua mãe escapou de um trágico destino.

Em menino de Engenho:

"Levaram-me para o fundo de casa, onde os comentários sobre o fato eram os mais variados. O criado, pálido, contava que ainda dormia quando ouvira uns tiros no primeiro andar. E, correndo para cima, vira o meu pai com o revólver na mão e minha mãe ensanguentada."O doutor matou a D.Clarisse!". Por que? Ninguém, sabia compreender."

Em Banguê:

"Naquela sala comprida do hospital, com outros doentes gemendo, via Laura como uma mártir, uma sacrificada por mim. Os olhos verdes cercados de olheiras profundas, pálida, sem tinta no rosto, dava-me assim a impressão perfeita da maternidade. A dor enobrece deste jeito as criaturas."

Em Eurídice:

"Ela estava ali, quieta, mole, vencida. E senhor de mim, capaz de vencer todos os obstáculos, debrucei-me sobre ela para esmagá-la. Eurídice resistiu, quis erguer-se do chão úmido, mas minha força era de uma energia descomunal. E procurei a boca que fugia, que gritava, e aos poucos tudo foi ficando em silêncio pesado. As minhas mãos largaram o pescoço quente de Eurídice."

Nem as crianças são poupadas. A começar por:

Carlinhos - em Menino de Engenho
Julinho - em Eurídice
Aurélio - em Doidinho
Lili - em Menino de Engenho
Josefa - em Banguê
Ricardo - em O Moleque Ricardo

Em Menino de Engenho:

"A morte de minha mãe me encheu a vida inteira de uma melancolia desesperada. Por que teria sido com ela tão injusto o destino, injusto com uma criatura em que tudo era tão puro? Esta força arbitrária do destino ia fazer de mim um menino meio cético, atormentado de visões ruins."

"No outro dia, me acordei, a minha priminha tinha morrido. Lembro-me do seu caixão branquinho, cheio de rosas, e da tia Maria chorando o dia inteiro."

Em O Moleque Ricardo:

"A menina aleijada é quem sentia mais. Era quem mais tinha tristeza na cara."

Em Doidinho:

"A solidão do menino continua no colégio, onde se vê preso como os canários do seu alçapão. A liberdade do engenho, que amenizava sua melancolia, é substituida por um quotidiano restrito em normas. Os meninos internos pareciam pássaros cativos".

Nessa galeria sombira, passam as ciraturas de José Lins do Rego, seguindo um mesmo destino.

Mariana Soares - escritora
Nelson Coelho da Silva - jornalista
William Costa - jornalista

Publicado na Revista Paraiba Nomes do Século
A União Editora - Governo da Paraíba

Nenhum comentário:

Postar um comentário