domingo, 14 de novembro de 2010

Estevam Fernandes - Limpando As Gavetas




Mensagem de fé com Estevam Fernandes


Ao longo da nossa vida, acumulamos muitas experiências que determinam os conteúdos da nossa existência. Na verdade, as experiências nos ensinam a viver. Algumas delas são benéficas e faz-nos bem lembrá-las; outras, no entanto, trazem as marcas da dor, e por isso mesmo tentamos esquecê-las. Todavia, como apagar da memória aquilo que já está enraizado dentro de nós?


Não fomos programados para esquecer. Temos memória viva. Acumulamos não somente experiências, mas lembranças também. Temos um arquivo mental onde vão sendo armazenados informações sobre fatos, pessoas, sentimentos e lugares que fizeram (e ainda fazem) parte da história da nossa vida. Algumas coisas - aquelas que gostaríamos de esquecer - são guardadas a sete chaves, em gavetas especiais, e vivemos a ilusão de que nunca mais serão lembradas. É apenas uma ilusão!

É difícil conviver com as lembranças amargas. Tentamos esquecê-las, trancando-as em gavetas escondidas dentro de nós,, em nosso inconsciente. Ficam ali, guardadas a sete chaves. São sentimentos que precisamos negar, pessoas que queremos esquecer, culpas de que desejamos libertar-nos. Engavetar tanto veneno é tão perigoso quanto encobrir a ferrugem sob o manto vermelho do zarcão. O ferro vai morrendo aos poucos e, quando cair, levará consigo a estrutura de sustentação.

É assim que vivem muitas pessoas. São vidas corroídas pelas lembranças amargas, escondidas nas gavetas do inconsciente; existências presas às ferrugens do passado. Pessoas assim necessitam de cura interior. São almas prisioneiras.

Geralmente sabemos como lidar com a raiva, os ressentimentos e as revoltas que surgiram em momentos diferentes da nossa vida. Estes sentimentos são danosos e, geralmente, são mais fortes do que a nossa capacidade de resistência. O que fazer, então? O caminho mais fácil é trancarmos um a um dentro de nós e vivermos na ilusão de que nos livramos deles. Grande engano! A alma fica minada, ameaçando a vida. Tal qual fazemos com alguns sentimentos, "engavetamos" as pessoas com as quais não queremos mais conviver. Algumas dessas pessoas nos fizeram muito mal. Feriram nossa dignidade, traíram nossa confiança, interromperam nossa felicidade. Como não é possível livrarmo-nos delas em vida, declaramos que estão mortas para nós. Mas elas estão por aí, nas rotinas do nosso cotidiano, numa esquina qualquer. Enterrá-las em uma gaveta escondida é apenas uma maneira de ressuscitá-las de vez em quando. Lembranças engavetadas não são lembranças mortas. Ninguém mata as lembranças.

Podemos, isto sim, com a graça de Deus, livrar-nos dos fantasmas do passado, e das recordações que adoecem a nossa alma, mediante a presença curadora de Jesus Cristo no nosso coração. Ele diz:"Eis que Eu faço nova todas a s coisas" (Apoc. 21:5).

Estevam Fernandes de Oliveira.
Pastor da 1ª Igreja Batista.

Publicada no Jornal Correio da Paraíba

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