
Um conto-uma crônica
Não há como negar que na vida existem momentos alegres e outros tristes. Todos os dias temos obstáculos a serem enfrentados e vencidos, porém, ultimamente, parece que eles estão se avolumando, crescendo de tal forma que muitas vezes vem aumentando a sensação, no nosso âmago, de exaustão, como se nós estivéssemos perdendo força nesta luta diária.
É aquela história, quando se resolve um problema, outro logo surge, e, como o tempo também parece ter encurtado, então, as situações adversas vão se acumulando ao ponto de o cansaço físico e mental constituírem, também, osbtáculos a serem vencidos.
Vivemos num mundo de muitas conturbações, de uma violência irracional e inaceitável para uma sociedade que se diz evoluída.
Em alguns casos, vislumbramos marginais que se travestem de torcedores e transformam o espetáculo esportivo em praça de guerra. Saem de casa para um campo de futebol não desejando assistir seu time jogar, mas sim externar violentamente seus traumas, frustrações, complexos e a sua incapacidade de amar a si mesmo. Com isso, agem de forma insana, com agressões bárbaras, explodindo bombas, lesionando e até matando torcedores do time adversário.
Mas essa violência, hoje, pode ser vista em cada esquina de nossas vidas, no trânsito, nos ambientes de trabalho, de ensino e até mesmo no familiar. Diante disto, o que pensar para justificar tantas desigualdades, indiferenças e violência.
O homem deve repensar muitos valores. Se, de um lado, as maiores riquezas se concentram nas mãos de poucas pessoas, a miséria alcança um enorme número de pessoas, que vivem completamente abandonadas e desassistidas no âmbito material e espiritual.
O egocentrismo, a ganância e a crença de que o ter é tudo na vida, vem empurrando o homem para um futuro cinzento. Sob o pálido argumento de fazer fortuna, o ser humano derruba florestas, produz lixo de forma desordenada, destrói os rios, lagos, mares, polui o meio em que vive e se transforma num ator do próprio apocalipse de sua raça.
Diante de tanta escuridão, temos que acreditar naquele dito popular que diz: a esperança é a última que morre. Com a fé que conduz a nossa existência, devemos lembrar que a mudança a ser empreendida no mundo depende exclusivamente do próprio homem.
É bom também sempre lembrar o pensamento de Chico Xavier, que nos ensina: "que eu não perca o otimismo, mesmo sabendo que o futuro que nos espera pode não ser tão alegre; que eu não perca a vontade de viver, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos dolorosa; que eu não perca a vontade de doar este enorme amor que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e rejeitado".
Onaldo Queiroga
Escritor e juiz de Direito.Publicada no Jornal Correio da Paraíba.
Coluna: Opinião
Edição de sábado.
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