segunda-feira, 9 de maio de 2011

Carlos Romero - Doenças E Remédios



um conto - uma crônica


Há tantas doenças que a gente tem...Tantas doenças que a gente não leva ao médico. E no mesmo diapasão, tantos remédios que não se vendem nas farmácias e nem são indicados pelos especialistas.

Mas vamos à crônica. Começo pelas doenças. Está aí o ódio. O ódio é uma dolorosa enfermidade. Ele endurece a vítima e é de difícil tratamento, mas não impossível de curar. Contagioso? Sim. E qual o remédio para essa doença? Ora, ora, leitor, é o amor. O amor é um remédio maravilhoso. Tanto é assim que há um livro "best-seller" de autoria de um médico, cujo título é "Quem ama não adoece". Portanto, viva o amor.

E que dizer do egoísmo, da ambição, do ciúme, da inveja, do orgulho? Tudo isso é doença. Ninguém vai ao médico e diz: "doutor, eu estou com ódio, com inveja, com ciúme".

No orgulho você se julga melhor do que os outros, anda como se estivesse com torcicolo, o pescoço duro. Na inveja, a pessoa cresce os olhos. Chamam-no até de "olho grande". E a ambição? É uma enfermidade, segundo a qual o enfermo quer sempre mais. Nunca está satisfeito. Nunca se contenta com o que tem. E nessa inquietação, sofre, se inquieta, entra em depressão.

Vem agora o egoísmo, tido como a doença mais grave. Para ele, não existe o outro. O sofrimento alheio não o comove. Ele só se concentra em si. Não vê a situação alheia. Sofre da indiferença, que é uma cegueira espiritual.

Mas falei das doenças e me esqueci dos remédios. E dentre estes está o maior deles: o amor. Quem ama, não adoece, disse um escritor-médico. É por isso que Jesus citou o amor como o melhor remédio. E chegou a dizer esta coisa quase impossível:"amar ao próprio inimigo".

Vejamos outros medicamentos: a música, o trabalho. Quem trabalha não se deprime. A ociosidade se torna uma enfermidade. E a fé? Extraordinário remédio, receitado pelo próprio Mestre. Muito difícil manter o ódio ouvindo o adágio da Nona Sinfonia, do mestre de Bonn.

Outro remédio: a alegria. Quem está alegre está em harmonia consigo mesmo. O sorriso faz bem a si e aos outros. É salutar ver uma pessoa com o rosto iluminado por um sorriso. Ah, como tenho pena dos carrancudos!...

Mas há ainda outros remédios que você pode encontrar na própria natureza. Contemplar um bosque, um céu estrelado, um mar com suas espumas... Isto é terapêutico, dá muita saúde espiritual.

E me esqueci da oração, como o remédio mais eficiente para a gente tranquilizar o espírito, transcendendo-o.

Portanto, leitor, muito cuidado com a sua saúde espiritual, que não precisa de médico, mas de muita reflexão.

Carlos Romero
Professor e cronista.
Membro da Academia Paraibana de Letras.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Coluna Opinião
Edição de 09/05/2011.

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