Ainda hoje quando, às vezes, abro a sexta página do "Correio da Paraíba", pocuro a sua crônica. Busco, nas linhas que já não escrevo, as construções poéticas que eram como uma suave melodia a entrar pelos meus ouvidos. De "O Piano e a garoa" aos "Caminhos de Mim" - tudo que ele escreveu foi belo, terno e até carinhoso.
Quando se referia às mulheres, sabia fazê-lo como ninguém. Se a dama já era bonita, ficava mais atraente, mais feminina, mais tudo. E até quando a beleza não era o seu forte, tinha o condão de transformá-la e, tal qual Gata Borralheira, mudá-la para a Cinderela de todos os contos.
Quando falava da natureza, o fazia com esmero, com dedicação e principalmente com ares do poeta que sempre tentou esconder e nunca conseguiu. Era um esteta e a natureza, ele a pintava com raro esplendor - fosse representada pelas árvores frondosas da Bica (que ele tanto frequentou), pelos ipês amarelos do Liceu ou mesmo por uma simples roseira de alguma jardineira perdida num prédio qualquer da cidade.
Muitos dizem que ninguém é insubstituível. Se isso é verdade, abra-se, por favor, uma honrosa exceção e concedam-me a permissão para dizer que ele e sua obra não tiveram substitutos e, ao que parece, jamais terão.
A ausência de Luiz Augusto Crispim, que há um ano foi engalanar com sua beleza física e espiritual os saraus do céu, ainda hoje é sentida e será - não somente por mim, mas por toda esta cidade de Nossa Senhora das Neves que foi cantada e decantada tantas vezes nas suas crônicas.
Ás vezes, numa esquina qualquer das ruas da praia, cruzo com um carro preto e, de relance, imagino que o vi na direção, de terno e gravata, óculos escuros, cabelos bem penteados, baixando o vidro para me cumprimentar...
Mas, tristemente, volto à realidade, dura realidade que me obriga a entender que foi apenas uma alegoria, e que devo aceitar a verdade de que há um ano estamos sem Crispim. Fazer o que? Lamentar, não basta. Lembrá-lo sempre, sim. E lembrá-lo da forma como ele foi melhor - amigo, companheiro, marido, pai e principalmente uma beleza de pessoa.
Daquelas que, seguramente, só aparecem por aqui, de muitos e muitos anos.
Saudades dele pelo seu porte garboso e pelo seu sorriso aberto e franco que o fazia cativante até pelos homens mais empedernidos.
Saudades do colega generoso, sempre pronto a conceder a quem o solicitasse , sem se fazer de rogado, uma palavra de apoio, um gesto de solidariedade, um preito de amizade.
Enfim, são saudades e muitas saudades de verdade, do muiestimado LAC - o caro amigo Luis Augusto Crispim, que para mim continua sendo o eterno "postal da cidade" e que também, por isso, tanta falta nos faz.
Carlos Pereira
Jornalista, escritor, engenheiro e
professor universitário
Publicada no jornal A União.
Edição 05/12/2009.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Carlos Pereira - Um Ano Sem Crispim
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