domingo, 19 de junho de 2011

Carlos Romero - Sorriso Do Sol, Choro Da Chuva


um conto - uma crônica

Desde que me entendo de gente nunca vi tanta alternância meteorológica: um dia de sol hoje, um dia de chuva amanhã. Parece até que o sol fez um acordo com a chuva: "hoje é sua vez, amanhã será a minha". E nessa nova parceria, chuva e sol vão caminhando juntos.

Não dá nem para a gente reclamar. Se o céu cobriu-se de nuvens, se a escuridão desceu sobre a Terra, depois de algumas horas, a luz vai expulsando as nuvens, e o sol volta a reinar.

E nessa união de extremos, podemos tirar excelente lição: que devemos conciliar as diferenças, que devemos aceitar as diversidades, que devemos caminhar para unidade.

Viver é coexistir, é conviver. Portanto, saibamos conviver com as diferenças. Disse bem o filósofo: nenhum homem é uma ilha.

Agora mesmo o sol desfila na paisagem com muito charme. Não demorará muito e tudo se cobrirá de nuvens. Aí teremos escuridão invés de claridade. E é necessário que haja essa dança dos contrastes. É nisto que reside a beleza da vida. Não fosse assim, tudo cairia na monotonia, no tédio. É preciso que existam as trevas para darmos valor à luz. É preciso que haja a doença para darmos valor à saúde. É preciso que ocorra o barulho para valorizarmos o silêncio.

Que venham o sorriso do sol, o calor do sol, o frio da chuva, a escuridão da chuva. E nada de reclamação, nada de revolta, nada de julgamento, nada de apego, nada de exclusividade.

Sorrisos e lágrimas, alegria e tristeza, presença e ausência, vida e morte. Eis o eterno rítmo da vida.

Carlos Romero
Professor e cronista.
Membro da Academia Paraibana de Letras.

Publicada no site
www.carlosromero.com.br
Em 13/06/2008.

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