quinta-feira, 9 de junho de 2011

Onaldo Queiroga - A Força Da Palavra


um conto - uma crônica
Muitos duvidam, mas as palavras têm força. Positivas ou negativas, elas podem exercer influências significativas. São expressões de liberdade, como também de opressão. Transmitem mensagens de alegria, como também podem despejar tristeza. Ecoam esperança e fé, mas, às vezes, espalham pessimismo e angústias.

De um lado, os negativistas em suas desesperanças, a descarregarem no mundo as amarguras do seu triste âmago, isto através de palavras cabisbaixas, incrédulas e esmorecedoras, repletas de ódio e de inveja. Espalham o desencanto, os desencontros, a depressão e a infelicidade.

Mas, de outro lado, encontramos pessoas que, mesmo diante de tanta turbulência e maledicências, ainda, distribuem a fé e o otimismo. É por meio das palavras que em momentos difíceis ouvimos de amigos o incentivo para bater a poeira, levantar a cabeça e seguir em frente. É através delas que ouvimos tantas coisas boas, carinhosas e amorosas.

Há quem diga que muitas vezes as palavras podem ser mais ofensivas do que a própria realidade. O conteúdo delas tem sua importância, contudo, elas ganham uma força maior a partir da forma como são pronunciadas, pois, às vezes , pensamos em nos expressar de uma maneira, mas, a forma como pronunciamos as palavras, termina por modificar a conotação daquilo que queríamos dizer. É o velho ditado: até para dizer um "não" é preciso saber a forma como expressar essa negativa.

Muitos, diante da prepotência, atraem uma legião de inimigos; outros, com tato, mesmo negando uma pretensão, ainda conseguem a simpatia de quem teve o pleito negado.

Outro aspecto é o denominado momento de falar. Devemos saber o momento exato para falar certas coisas, sob pena de sermos inconvenientes e constrangedores. Devemos, ainda, ser sábios e usarmos as palavras para desarmar os amargurados. Quando alguém falar para você algo que lhe denigra ou lhe constranja, ao invés de responder em tom grosseiro, pacientemente lhe diga algo solidário, fale uma palavra amiga, pois, certamente, frustrará o intento desse ser carente de amor.

Vivemos num tempo onde a mídia propaga continuamente a desgraça, a corrupção, o assassinato, as tragédias humanas e naturais. Não sou contra a divulgação desses acontecimentos, mas as palavras, como as imagens, têm muita força, e, quando excedemos a propagação do horror, estamos contribuindo para atrair para o nosso universo um número cada vez maior de tragédias.

O dia-a-dia já é tão difícil, corrido, cansativo, cheio de percalços, então, indaga-se: por que essa paixão pelo trágico? Devemos falar de solidariedade, de amor e de fé em Deus. A vida é curta, devemos usar as palavras como meios de propagação de reflexões positivas e de sinalizações das veredas da felicidade.

Onaldo Queiroga.
Escritor e Juiz de Direito.

Publicada no Jornal Correio da Paraíba.
Coluna: Opinião
Edição de sábado.
04/06/2011.

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