quarta-feira, 6 de julho de 2011

Carlos Alberto Azevedo - Cidade "Vestida De Sol"




Singular, simplesmente singular é a minha cidade (João Pessoa, Paraíba). Sua singularidade deve-se a vários fatores: geográfico, climático e cultural. Nesta cidade tropical por natureza, o sol nasce primeiro, antes de qualquer outra cidade do Brasil, por conta da sua posição geográfica privilegiada. São quase 365 dias de sol, iluminando as nossas praias.

Outro aspecto: a morenidade do meu povo dá um colorido especial a nossa João Pessoa, onde vemos homens e mulheres belíssimas - destacam-se tipos antropológicos fortes, vivos e sadios - essa morenidade tropical faz a diferença: mostra a beleza da raça, pura beleza, beleza pura. Diria sem medo de errar, que a nossa Capital é um lugar ideal para qualquer turista passar férias e sonhar que está num "não-lugar" (utopia?), que não existe tão facilmente no mundo globalizado da pósmodernidade.

Como antropólogo, quero, aqui e agora, falar da cidade na qual vivo. Meu olhar etnográfico se volta para o entorno da urbe, para os lugares públicos: mercados, feiras de artesanato que, com certeza, por conta de outra singularidade (são tantas!!!) domina todo o espaço urbano - coisa rara nas cidades tropicais do Nordeste brasileiro.

O olhar atento do turista vê em toda parte uma explosão de criatividade - o artesanato impondo-se por si mesmo. Parece até que toda a população é de artesão e de artesã. Suas obras salientam-se nas avenidas, ruas, becos e vielas. Desde as bonecas de Dona Lindalva aos bichinhos de Chica do Barro, que vende mangaba no Mercado Central.

Pois é, nos nossos mercados, ao lado das frutas tropicais, dos artigos de couro, das tendas que vendem chita, figura também a cerâmica popular: potes, jarras, alguidar, panelas de barro, moringas, "loiça de brincadeira". Esse artesanato típico das culturas Folk do Nordeste, particularmente da Paraíba, é uma reminiscência de culturas indígenas e africanas. A cerâmica grosseira dos Cariri (no singular), as igaçabas com motivos geométricos de cores vivas, vermelho e laranja, eram cores iniciais desse artesanato que sobrevive até hoje.

Vi, recentemente, um turista alemão comprando bonecas de pano (bruxa) no Mercado de Artesanato de Tambaú - na orla marítima de João Pessoa -; escolhera três bonecas e todas elas representavam a nossa belíssima mulata. Bem estilizadas, vestidas de baiana, com as cores de seus orixás (deuses africanos).

Minha observação de etnógrafo foi muito além da imaginação antropológica: notei naquela escolha que o estrangeiro se identificara plenamente com o nosso povo - mistigenado, belamente moreno.

Carlos Alberto
Antropólogo.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 16/06/2011.

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