segunda-feira, 11 de julho de 2011

Estevam Fernandes - Quem Ama, Não Esquece








Mensagem de fé com Estevam Fernandes


Li, certa vez, sobre um fato impressionante, a respeito de um episódio presenciado por Madre Tereza de Calcutá, em 1979, ocasião em que foi receber o prêmio Nobel da Paz.

Em visita a um dos mais luxuosos asilos para idosos, na América do Norte, Madre Tereza ficara impressionada com a beleza física e o luxo daquele local. Contudo, algo a impactou mais ainda: os velhinhos, ali colocados pelos próprios filhos, tinham no rosto uma profunda expressão de tristeza. Intrigada, indagou a si mesma:"por que tanta tristeza e dor naquelas pessoas, apesar do conforto material que as rodeava?"

Por um instante, percebeu que todos eles olhavam na direção de uma grande porta. Curiosa, perguntou à sua acompanhante: " Por que todos olham para a mesma porta? E por que não conseguem sorrir?" A responsável pela visita respondeu-lhe:"Eles olham para aquela porta porque esperam ansiosamente a visita de seus filhos; e este semblante triste que trazem no rosto é porque se sentem esquecidos pela família".

Igualmente, ao nosso redor, muitas pessoas se sentem feridas na alma e sofrem pela dor do esquecimento. Estão famintas não só de pão, mas de afeto também. Existe uma enorme fome de amor, reconhecimento, gratidão, paz e companhia, debilitando a existência de muitos. Na verdade, por trás de tudo isso, o que existe mesmo é uma dolorosa fome por relacionamentos significativos. Fome de afetividade.

Na verdade, todos estamos famintos. Até mesmo a pessoa mais bem alimentada traz consigo uma fome interior, no coração. Esta é uma das maiores mazelas do nosso tempo: subnutrição afetiva. É a fome de significado, uma necessidade urgente de não ser esquecido, de não ser abandonado pelos seus.

Os asilos estão por toda parte. Muitos estão olhando para uma mesma porta, exatamente aquela que lhes possibilitará, sem nenhum risco de rejeição, compartilhar aquilo que realmente são. É o desejo de um abraço sincero, de uma palavra amiga, de um gesto de carinho e de um olhar de aceitação.

Infelizmente, hoje, muitos lares tem se transformado em estranhos asilos, por conta do isolamento, da solidão e da frieza com que são tratadas as pessoas que ali residem. São vidas exiladas em suas próprias casas. Quando isto acontece, a angústia obriga as pessoas a procurarem um alento. Elas precisam enxergar uma espécie de "porta de esperança", pensando: "Quem sabe, algum dia, alguém virá visitar-me?".

Precisamos reaprender a arte de viver, compartilhar o amor dos que nos amam e jamais esquecê-los. Devemos fixar nossos olhos em Jesus Cristo, a nossa sperança, lembrando-nos do seu convite: "Vinde a Mim todos os cansados e "esquecidos", Eu sempre me lembrarei de vocês"!

Estevam Fernandes
Pastor da lª Igreja Batista.

Publicada no Jornal Correio da Paraíba

Nenhum comentário:

Postar um comentário