Quando alguém usa esse termo,logo vem à nossa mente a idéia de que está se referindo ao conhecido vocábulo que significa prisioneiro, cativo. Ou,então, o indivíduo que, por decisão judicial, encontra-se encarcerado, preso em cadeias ou presídios públicos. Mas, nesse mundo de tantos "homens/deuses", que se utilizam, de maneira megalomaníaca, do poder, para exercerem o domínio inescrupuloso sobre uma legião de miseráveis, certamente, encontraremos vários outros tipos de aprisionados circulando nesse espaço terráqueo.
Por exemplo, no Iraque e Paquistão, seus povos estão aprisionados ao medo, à miséria, ao poder de fogo dos tanques de guerra, das metralhadoras, dos fuzis AR-15 e dos mísseis. Aprisionados ao egocentrismo do imperialismo que insiste insanamente na construção de guerras. Nos dois exemplos, as guerras têm por objetivo o controle do petróleo, esse líquido que, por culpa do homem, na maioria das vezes, escurece as manhãs e as tardes da humanidade. A expansão imperialista vem, na verdade, globalizando o homem que fica, cada vez mais aprisionado à violência e ao terrorismo.
No Brasil, a violência está crescendo assustadoramente e, por isso, vivemos sob a égide do medo. Vivemos aprisionados em nossas casas, com medo dos assaltos que atemorizam todos os cidadãos, da violência nas ruas, no trânsito, nas esquinas, nos ônibus, nos shoppings, nos campos de futebol, enfim nos olhares dos transeuntes conhecidos ou não.
Temos medo de navegar na internet e de nos depararmos com vírus, quando não com usuários marginais que se apropriam de senhas bancárias e de acervos particulares, vilipendiando dados e patrimônio. Vivemos aprisionados a um aparelho de televisão que, diariamente, vomita a desarmonia familiar. Os programas televisivos apresentam comportamentos desviados, numa rotina capaz de nos levar a encará-los como normais.
Noutra visão, Eillen Campbell afirma que somos demasiadamente apegados ao passado. E isso dificulta decisões a serem tomadas no presente e, até mesmo, com repercussão no futuro.Realmente, esse apego ao passado não deixa de ser uma forma de aprisionamento a determinados fatos pretéritos. Prendemo-nos ainda, como afirma Eillen, "às pessoas que amamos, às propriedades, aos empregos e status, às opiniões, às aparências, às memórias etc."
Porém, é preciso dizer que o sol das manhãs traz consigo, todos os dias, a certeza de que não podemos nos libertar inteiramente do passado. É olhando para ele que percebemos que não resta apenas saudade, mas que as lições já vividas servem de norte para a caminhada da longa estrada da vida.
O homem é prisioneiro de situações, para as quais nem mesmo a própria razão visualiza explicação. Ele deve entender que é um pecador e "pecadores são como espelhos; quando apontamos suas faltas, devemos perceber que elas apenas refletem o mal que exister em nós" (Isael Bem Eleazar).
Onaldo Queiroga
Escritor e Juiz de Direito.
Monólogos do Meu Tempo.
Páginas 60, 61, 62 e 63.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Onaldo Queiroga - Aprisionado
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