Um conto - uma crônica
O forró é uma festa de raiz do Nordeste brasileiro. Para Câmara Cascudo, forró "é derivado do termo africano forrobodó e era uma festa que foi transformada em gênero musical, tal seu fascínio sobre as pessoas".
Mas, é comum associar o vocábulo forró à expressão inglesa "for all" (para todos), porque no início do Século XX, quando da construção da ferrovia "Great Westem", no Estado de Pernambuco, os engenheiros ingleses costumavam organizar bailes abertos ao público e, por isso, na entrada havia sempre uma placa sinalizando "for all", então, os nossos irmãos nordestinos, à época, passaram a ler forró. Para alguns estudiosos, essa versão é fantasiosa, porém, foi difundida brilhantemente por um dos ícones da música nordestina, ou seja, Geraldo Azevedo, quando gravou a música "For All", onde ele faz uma viagem sobre o tema, relacionando-o à estrada de ferro "Great Westem".
Já Marinês costumava conceituar o Forró como "o espaço onde se dançava o xaxado, o baião, quadrilha e o xote e não a música". Na sua visão, "quando Jackson do Pandeiro começou a sua carreira musical, numa de suas músicas cantou: "eu fui lá pra limoeiro e gostei do forró de lá". Então, alguém pegou de Jackson, de Luiz Gonzaga e de Marinês e criou isso, ou seja, a música forró. Forró é, como se diz popularmente, eu vou para um forró ali, referindo-se ao local onde há festa, onde se toca o baião, o xote, o xaxado e a quadrilha. Ou ainda, por exemplo, quando há uma confusão, uma briga, então, se diz:"eita tá havendo um forró ali".
Luiz Gonzaga, quando entrevistado por Roberto Faro, no programa Conexão Nacional, da TV Manchete, foi indagado sobre o que era o Forró, e, respondeu: "O que for puxado a fole é forró". Ele dizia também que o Forró era filho do Baião. Realmente, o Forró, esse rítmo contagiante, que, como diz o poeta, "começa na cabeça e acaba no pé", descende dos oito baixos de seu Januário, da sanfona de Luiz Gonzaga e do pandeiro de Jackson, difusores iniciais dessa musicalidade que tomou conta do mundo.
Esse rítmo é patrimônio de um povo chamado Nordeste. Não podemos deixar que mutilem algo tão importante. Refiro-me a esse plástico que anda por aí, poluindo e denegrindo a imagem do Forró. Plástico é plástico, forró é cultura de raiz, é a alma nordestina.
Está na hora de separar as coisas, pois, quando essas bandas se apresentam nacionalmente como representantes do forró, estão, na verdade, cometendo um estelionato musical.
Cada um no seu quadrado. E viva ao forró.
Onaldo Queiroga.
Escritor e Juiz de Direito.
Publicada no Jornal Correio da Paraíba.
Coluna: Opinião
Edição de sábado.
16/07/2011.
sábado, 16 de julho de 2011
Onaldo Queiroga - Forró
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário