quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Fátima Araújo - Valor E Autoestima


Um conto - uma crônica

A melhor maneira de preservarmos a autoestima é não permitirmos que nos atinja nenhum juízo destrutivo ao nosso valor como pessoa, é não deixar que a negatividade nos alcance como seres humanos únicos e ao mesmo tempo plurais no âmbito da sociedade.

Nossa pior desgraça é desdenhar o que somos, de forma que encarnamos nossos próprios inimigos na medida em não nos valorizamos o suficinte para bloquear possíveis invasões. Isto porque as pessoas pensam o que querem de nós, não dá para controlar e, se alguém se afasta do nosso convívio, é porque era um mal, não servia. Não oramos a Deus, todos os dias: Pai, afasta de nós todo o mal?

Para manter a autoestima, precisa-se ainda não se culpar por nada. Não deu, não deu. Se alguém não te aceitou, não te valorizou, não captou o bem vindo de ti, paciência. Mesmo porque a competição, hoje, engessa até a ética e o bem. Mas se a autoconfiança é conservada, se o indivíduo estabelece um conceito sobre si mesmo, nada o desestabiliza.Lógico que os cortes e as feridas são inevitáveis, mas se a autoestima está de pé, a dor é menor. Isto é arte. A arte de viver, que Jung considerava "a mais sublime de todas as artes", garantindo que "poucas são as pessoas que são artistas da vida". É a velha história que vai dar no caminho da resistência benfazeja: se a vida é dura, eu sou mais que ela, e não posso desperdiçar o tempo que realmente existe: o presente, no qual a vida verdadeiramente se cumpre. John Lennon já dizia que "A vida é aquilo que acontece enquanto planejamos o futuro".

De uma hora para outra, a crise bate, a bolsa despenca, torna-se mais devastadora a ação humana sobre o planeta, um louco pode atacar uma pessoa de bem, um maledicente pode ofender com palavras vis, o desamor que impera em nossa sociedade pode determinar o fim de tudo. Em meio ao caos, salvar-se-ão os mais fortes, os que colocarem a personalidade a serviço da segurança própria. E aí, aqueles que trabalham para subestimar os outros nunca encontrarão respaldo nos iluminados que cultivam a autoestima, se impõem e se valorizam. É a força maior, que vem de dentro, portanto invencível e indomável.

Fátima Araújo
Escritora, jornalista,
historiadora e pesquisadora.

Publicada no Jornal Correio da Paraíba
Caderno: Cultura/Lazer
Coluna: Acalanto
Edição de 16/08/2011.

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