quarta-feira, 23 de maio de 2012

Estevam Fernandes - Mãe, Um Amor Diferente



mensagem de fé com Estevam Fernandes



Hoje, dizer "eu te amo" pode significar muitas coisas, menos amor. Infelizmente, poucos acreditam no amor como experiência afetiva, presente na convivência humana.



Apesar da crise do amor, e da desconfiança afetiva que permeia as relações humanas, há um amor que ainda nos fascina, e continua como referencial para todos nós - o amor de mãe, especialmente pelas seguintes características - doação, renúncia, perdão e sacrifício. Por tudo isso, o amor materno é descrito pelos poetas como "um amor quase divino". Desta analogia nasceu uma expressão popular que consagrou a singularidade do amor materno - "amor só de mãe".



Vivemos, hoje, uma época em que cada um pensa primeiro em si e em como obter algum lucro através dos relacionamentos. Doação é um conceito e uma experiência muito ausente em nossa cultura contemporânea. Cada vez mais nos tornamos individualistas e auto-centrados. A maternidade é uma demonstração eloquente de que amor e doação estão intrinsecamente comprometidos. Todo filho deveria reconhecer que alguém deu muito de si mesma para que ele pudesse existir - a sua mãe.



Uma das marcas inerentes do amor de mãe é a renúncia. Todo verdadeiro amor implica, necessariamente, na experiência da renúncia. É impossível amar de verdade, pensando apenas em si mesmo. Quantas mães abrem mão do seu tempo, do seu lazer, seus direitos, seus sonhos em função dos filhos, da família e do lar. Mãe e renuncia são quase sinônimos. Por isso mesmo, o amor de mãe é um paradígma ainda não quebrado em nossa sociedade tão egocêntrica.



Uma outra característica do amor materno é a sua natureza sacrificial. Aliás, se pensarmos bem, doação, renúncia e sacrifício são inseparáveis. A mulher, ao tornar-se mãe, já põe sua vida em risco e muitas jamais voltaram vivas após o parto. Há também o sacrifício do tempo, das prioridades, da individualidade, dos desejos pessoais; enfim, são muitos os sacrifícios na experiência de vida de uma mãe.



Como se não bastasse, o amor de mãe é também fonte de inspiração. Em meio a uma existência tão árida, carente de afeto e ternura, as mães se revelam como oráculos do amor. Elas nos inspiram reverencia a vida, renuncia ao egoísmo, gratidão a Deus pelo dom da existência. Estão certos os poetas quando afirmam que o amor de mãe, de tão singular e tão presente, é um amor quase divino.


   Estevam Fernandes de Oliveira.
Pastor da 1ª Igreja Batista.

Publicada no Jornal Correio da Paraíba

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