Allan Kardec
um conto - uma crônica
Costuma-se dizer que religião não se discute, mas que seria da filosofia se não fossem as perguntas, o diálogo. Sem dúvida, nesta época áurea da comunicação mundial, as ideias e o pensamento humano só têm a enriquecer sujeitando-se ao debate. E diante da grande proliferação de novas crenças e igrejas que se ramificam em segmentos empresariais, e até políticos, com direito a "bancada" no Congresso, não há como deixar de abordá-las.
Não é exatamente em uma discussão que hoje colocaremos o Espiritismo, que há poucos dias completou 155 anos. Apenas 155 anos. Isso mesmo, convivendo com religiões tradicionais que remontam a milênios de existência, como o Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, e outras.
Na metade do século 19, em Paris, os fenômenos conhecidos como "mesas girantes" chamaram a atenção de educadores e cientistas. Dentre eles, um discípulo do pedagogo suíço Johann Pestalozzi, chamado Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec), foi incentivado a pesquisar tais fatos, embora descrente de tudo. Mas, qual não foi a sua surpresa ao constatar que as tais "mesas" eram influenciadas fisicamente por forças ocultas inteligentes (!), e respondiam a perguntas da plateia.
Abraçando a causa, Allan Kardec entregou-se de corpo e alma a um trabalho de pesquisa fundamentado em uma série de reuniões em que 3 jovens médiuns, Caroline e Julie Boudin (irmãs) e Celine Japhet, intermediavam as perguntas e respostas formuladas aos espíritos, "visivelmente" presentes.
Deste ciclo resultou a compilação de 1018 questões em um livro intitulado "O Livro dos Espíritos",depois complementado por mais 4 volumes - "A Gênese", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "O Céu e o Inferno" , e "O Livro dos Médiuns", chamadas as obras básicas do Espiritismo.
Tais conhecimentos me fascinaram desde criança por não se restringirem a uma crença dogmática e ter um tríplice perfil - "Ciência", pois nasceu do fenômeno; "religião", ao tomar os ensinamentos de Jesus como lema de conduta; e "filosofia", por se basear em questões fundamentais para compreensão da vida.
Entretanto, o que mais me atrai nessa religião, tão nova, é o seu ecumênico e principal slogan - "Fora da caridade não há salvação". Além da lúcida recomendação do próprio Kardec, acerca do futuro de seu trabalho "Quando o Espiritismo se confrontar com a Ciência, fiquem com a Ciência".
Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música.
Publicado no jornal Correio da ParaíbaEdição de 04/05/2012
Coluna Opinião.
Livros de Allan Kardec - As Obras Básicas do Espiritismo.www.lake.com.br/livros
Foto de universoespirita.multiply.com/photos/album/7/Allan_Kardec

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