quarta-feira, 6 de junho de 2012

Onaldo Queiroga - Poder, Dinheiro E Amizade


um conto - uma crônica 
Poder é bicho danado, não é para qualquer um, assim já dizia um velho amigo. O tapete vermelho embriaga, empina o queixo do "dono do mundo", de caneta na mão sentencia como se fosse imortal, imagina-se Deus.



Da mesma forma é com o dinheiro. Liso o camarada é tímido, anda pelos cantos das esquinas, se veste como pode, quase não sai de casa, tem carro modesto, no bar pede sua cerveja contada. Agora, basta colocar um dinheirinho no bolso, que cabra cria fôlego, se veste com roupas de grife, só bebe o whisky 12 anos, compra logo um carro importado e, o mais fascinante é que emerge um ilusório pensar de que com o dinheiro no bolso, ele tudo pode, compra tudo, o céu e a terra.



Não é a toa que tanto no caso do dinheiro, como do poder, o homem revela muitas vezes uma face até então obscura, colocando para fora sua vaidade, sua prepotência, sua ingratidão, uma luxúria desnecessária e aí começa a passar por cima de princípios que norteiam os bons costumes e uma convivência saudável. Eles se vestem com a roupa do egocentrismo e da inveja. Desfilam hipocrisia. são seres que verdadeiramente acreditam que o dinheiro e o poder compram amizades e até a eternidade. Pensam, equivocadamente, que todos aqueles que participam dos banquetes, ali estão por serem fiéis amigos. Ledo engano. Dinheiro e poder nem sempre resolvem as coisas. Não compram a saúde, podem até nos levar aos centros hospitalares mais avançados e, com isso, prolongar a nossa existência, contudo, não dispensam jamais a morte.



Agora, com amizade muitas portas se abrem. Não duvide, pois existem coisas que dinheiro e poder não dão solução, mas fique certo de que com amizade o inimaginável, surpreendentemente, pode emergir, e as dificuldades são equacionalizadas. Amizade é amizade.



A verdade é que devemos arrancar os monstros que habitam no nosso âmago. Se expulsássemos o invejoso, o fuxiqueiro, o ganancioso, o prepotente, o egocêntrico e o esnobe que reside em nós, quem sabe conseguiríamos enxergar a verdade contida no pensamento de Cora-Coralina quando nos fala: "Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não focarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser : colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa do outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina".

 Onaldo Queiroga.
Escritor e Juiz de Direito.

Publicada no Jornal Correio da Paraíba.Coluna: Opinião Edição de sábado.
26/05/2012 

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