quinta-feira, 28 de junho de 2012

Onélia Queiroga - São João



UM CONTO-UMA CRÔNICA
No Brasil, em cada mês, existem comemorações marcadas nas sutilezsas das folhinhas. E assim, recebido de brinde ou comprado o calendário anual, os mais afixados nas festas tradicionais leem-no dia-a-dia, guardando, apenas, o dos eventos mais importantes.

De dezembro, tempo do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, em Belém, a junho, contam-se seis meses. É a época de São João. Para os mais antigos, a noite desse Santo sempre é mais fria do ano.

Essa crendice metereológica pareceu confirmar-se na folhinha, por antecipação. Pois não é que, na segunda-feira, dia 18, bem dizer às vésperas das comemorações juninas, a natureza encheu a terra dos Tabajaras com fortes chuvas.

A chuva para uma região como a nossa, sujeita a constantes ou intermitentes  secas, é sempre benvinda. Que a sua antecipação seja, realmente, bom augúrio de tempos melhores, a prodigalizarem à terra condição de produzir frutos suficientes à sobrevivência desse povo sofrido, mas de muita fé.

Animem-se, portanto, filhos de Deus e devotos de São João. Ponham a lenha na fogueira; façam-na crepitar em altas labaredas a iluminarem as cidades e fazendas. Outrora, diríamos alpendres e terreiros. Deixem-na arder a noite inteira e, pela manhã, confiram se as suas brasas adormecidas encontram-se sob a diáfana toalha das cinzas.

Nas décadas de setenta e oitenta, em Tambauzinho e Tambaú, viam-se, ainda, enormes fogueiras nas ruas. Em algumas dessas, o trânsito era interrompido para se fazer o São João do bairro ou da vizinhança. Era uma festa de fé, de confraternização e muita alegria. Pena não mais existir esse tipo de tradição.

O São João, no entanto, continua forte, no interior e na capital, preservando as guloseimas da região, as folganças da mais remota proveniência: com balão, passeio no trem caipira, quadrilha de vários estilos, a se apresentarem por todos os rincões de nossa terra, com maior destaque para o São João de Campina Grande, já consagrado como o maior São João do mundo.

Os forrozeiros animam-se, nesta época, ao som das músicas de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Pinto do Acordeon,Valdones, Flávio José e todos os que tocam, abrindo e fechando a sanfona no baião, no xote e no xaxado, para o povo dançar até a exaustão, feliz, saltirilhando na animação do cateretê.

Onélia Queiroga.

Escritora e Professora de Ciências Jurídicasda Faculdade de Direito da UFPB.

Publicada no Jornal Correio da Paraíba

Coluna: Aos domingos.Caderno: Cultura/Lazer.Edição de 24/06/2012.

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