Ronaldo Cunha Lima
1936 - 2012
Tinha sete ou oito anos. Não lembro bem, afinal já se vão mais de vinte anos. Sítio Cabra Assada, lugarejo perdido na poeira da zona rural de São João do Rio do Peixe, localidade berço do lado materno de minha família.
Suspeito que a solenidade era de inauguração da eletrificação da modesta comunidade. Só me recordo direito da atração que levou uma multidão espremida até o palanque improvisado no terreiro da casa do então vereador Cícero Alexandre.
A benfeitoria era realmente revolucionária para o acanhado sítio acostumado ao clarear da lamparina e ávido pela chegada dos sonhados televisores e geladeiras, naquele tempo objeto e sonho de consumo de qualquer cidadão do Interior.
Mas, a celebração ali era em torno de um homem: Ronaldo Cunha Lima, idolatrado pela turba irradiante e ansiosa e cheia de expectativa para ouvir o discurso do poeta. Faz tempo, embora a memória não tenha apagado o que vi e ouvi.
Ao anúncio do locutor, aquele Ronaldo, um desconhecido pra mim e um mito para a platéia, justificara tamanha espera. A habilidade com as palavras, a genialidade das frases, a sensibilidade e o dom de encantar o público me marcaram.
Tanto que ainda hoje guardo nas reminiscências dos arquivos infantis as rações de júbilo, frisson e paixão do povo inebriado e vibrante a cada verso do poeta. Ali, na tenra idade, eu já havia feito minha primeira análise e descoberta política.
Ronaldo nunca teve correligionários. Seus seguidores eram fãs, veneradores de um dominador do verbo, um mito da política, um poeta das coisas do coração. Um gênio.
Pesar
Pelas histórias, gestos e trajetória - com seus muitos acertos e humanos erros - dá pra se ter noção do pesar familiar. Se para a Paraíba Ronaldo foi um mito, para os filhos o poeta era um mundo particular.
Heron Cid
Jornalista e Repórter Políticoda Rede Correio SAT de Rádio,do programa Correio Debate eda Rádio CBN João Pessoa.
Publicado no jornal Correio da ParaibaCaderno PolíticaEdição de 08/07/2012
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