um conto - uma crônica
A sorte é fascinante e enigmática. Nunca sabemos quando ela está ou não ao nosso favor. Buscamos sempre contar com ela em nossas vidas, apesar de saber de que em alguns momentos emerge a sensação de que ela nos deixou na mão. Há pessoas que são predestinadas, parece que andam com a sorte o tempo todo. Ainda assim, não podemos menosprezar a capacidade de criatividade, competência e de trabalho das pessoas. Algumas delas materializam a sorte. Os supersticiosos acreditam que determinadas cores trazem sorte, outras implicam em abraçar o azar. Conduzem amuletos e os colocam como norteadores dos seus próprios destinos. Para alguns pensadores, isso significa imaginar que a existência da sorte é supor que há viabilidade de modificação do destino. É entender que algumas condições que geram os eventos, como competência e capacidade, por exemplo, são na verdade, providências da sorte.
Diante desses aspectos nos vem a lembrança de um dito que diz:"A sorte é cega". Olha, não sei se é verdade, mas é bom insistir no ponto de que às vezes quando você não tem autoconfiança, não acredita em seu próprio potencial, então, é mais fácil esquecer de que somente você pode determinar o seu sucesso ou fracasso e, assim, passa a justificar que "fulano só me venceu porque a sorte estava ao seu lado".
Mas há também quem diga que a sorte abre caminho para talentos, entregando ao mundo seres maravilhosos, com suas invenções, arte, cultura, saber e exemplos a serem seguidos. Costumo dizer que sempre contei com a sorte, mesmo quando me vi diante das adversidades da vida. Alguém pode questionar dizendo que não foi a sorte, mas sim a força da superação. Sei que existe um dito que apregoa que são nos instantes de profunda dificuldades que encontramos forças para bater a poeira, levantar a cabeça e seguir em frente, ou seja, nesses pontuais momentos de crise, emerge grandiosamente no espírito uma energia que nos conduz à persistência, à fé e à superação, que creditamos serem irmãs gêmeas da sorte.
Também existem pessoas que entendem que nesses momentos de sorte somos muitas vezes auxiliados por Anjos. E o exemplo disso é quando nos livramos de acidentes que fatalmente nos fariam transpor os umbrais da eternidade. Acreditam que Eles, os Anjos, os benfeitores, ou mesmo, os nossos guias espirituais, por permissão Divina, muitas vezes, prontamente, conseguem agir em instantes difíceis e, assim, afastam-nos do perigo e nos possibilitam prosseguir na longa caminhada da existência humana.
Daí me vem um questionamento: Sêneca estava ou não com razão quando disse "A sorte nunca fez um homem sábio?
Onaldo Queiroga
Escritor e juiz de Direito
Publicada no jornal Correio da Paraíba
Coluna Opinião.
Sábado 28 de julho de 2012.

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