Palco de Teatro
um conto-uma crônica
Quando falamos em palco, logo nos vem ao pensamento aquela parte do teatro destinada às encenações feitas por um ator, em forma de monólogo, ou por um conjunto de atores que interpretam fatos,por exemplo, ligados ao trágico, à alegria, à tristeza, ao social, à história, focando gêneros como drama, melodrama, surreal, musical, comédia, enfim, dependendo do que foi preparado pelos dramaturgos, ou mesmo de situações improvisadas, como também da sempre eficaz atuação dos diretores e técnicos que auxiliam aqueles que estão em cena. Contudo, o importante é que no palco os atores têm como escopo levar ao público um espetáculo que desperte sentimentos.
Mas, para muitos, o conceito de palco é mais amplo. Para William Shakespeare, "O mundo inteiro é um palco. E todos os homens e mulheres não passam de meros atores. Eles entram e saem de cena. E cada um no seu tempo representa diversos papéis". Na verdade, são muitos os palcos existentes nesse mundo. Palcos de guerras, onde déspotas agem em nome da "paz", mas na verdade posicionam-se como insanos delirantes em busca da expansão territorial do poder estatal, ou mesmo do poder do dinheiro, que pensa que tudo faz e tudo compra. Mas há ainda outro mundo, aquele se apresenta com um crescente aumento da miséria e da fome.
Na avenida mundo há muitos palcos que nos revelam tristeza, diante das cenas com toques de crueldade, insanidade, misérias físicas e espirituais. Esse contexto se agrava quando observamos a presença de instantes de silêncio emaranhado com essas dores. O silêncio é reflexivamente fustigante e mexe com a nossa alma, seja quando de sua presença nos palcos da vida ou mesmo nas encenações teatrais. Olhar para um palco vazio, principalmente o do teatro, sem a presença deles, os atores, os grandes protagonistas das encenações que traduzem as dores e alegrias do mundo real, é viver instantes em que a serenidade do momento instiga o espírito a voar por céus reflexivos.
Atores recolhidos aos camarins, o sossego do palco, luzes apagadas, uma penumbra silenciosa e a existência em meditação. Esse palco vazio, esse vazio do palco, esse silêncio enigmático nos fazem mergulhar em um oceano de reflexões. O que na hora do espetáculo transmite emoção, na hora do vazio e do silêncio também nos convida a ela. É a pausa do drama que, no vazio do palco, silencia em meditações nosso eu.
O palco, de uma forma ou de outra, é tablado que inquieta a existência humana. É por isso que Charles Chaplin, com muita sabedoria, dizia: "A vida é um palco de teatro que não admite ensaios.Por isso, cante, chore, ria, antes que as cortinas se fechem e o espetáculo termine sem aplausos".
Onaldo Queiroga é juiz de Direito.
Publicada no jornal Correio da Paraíba
Caderno Opinião
Edição de 27/10/2012
Foto: cultura.culturamix.com
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