sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O Segredo Dos Centenários


A história de quatro irmãos pode guiar os cientistas na busca da genética que prolonga a vida para além dos 100 anos - e nos ajudar a  envelhecer melhor.

Entre 1901 e 1910, Saul e Mamie Kahn - um vendedor de lustres e sua mulher - tiveram quatro filhos: duas meninas  (Helen e Leonore) e dois meninos (Irving e Peter). Em 2001, quando Helen completou 100 anos , eles eram conhecidos como o quarteto de irmãos mais velhos no mundo.

Helen Khan - A primogênita - 109 anos

1 - Com 1 ano, no colo do pai
2 - Na formatura, aos 23 anos
3 - Na praia, com 56
4 - Aos 108, um ano antes de morrer 
O ousado gosto de Helen pela cerveja Budweiser fez dela uma pequena celebridade na web.

Leonore Khan  - A segunda filha - 99 anos

1 - Com os irmãos, em foto de família
2 - Aos 17 anos, num passeio
3 - Aos 22, numa festa
4- Aos 99, meses antes de morrer.
Leonore Khan, que vivia num local arborizado e foi jardineira daquelas que preferem chamar as plantas pelo nome em latim, era completamente saudável até tropeçar num tapete em 2005, aos 101 anos. Ela morreu algumas semanas depois.

Irving Khan - O terceiro irmão - 106 anos

1 - Com um ano num carrinho de bebê
2 - Aos 16,  lendo um livro
3 - Aos 45, com a mulher
Há cinco anos, ao se tornar centenário, Irving tocou o sino que abre o pregão na Bolsa de Valores de Nova York.

Peter Keane - O caçula - 102 anos  

1 - No cesto, com os irmãos
2 - Aos 35 anos, no Exército
3 - Aos 50, no escritório
Aos 100, em sua casa atual  
Peter estava muito bem até 2007, quando o glaucoma e a degeneração macular, sob controle havia anos, pioraram catastroficamente. Meses depois, ele ficou cego.

Os quatros irmãos Kahn participaram da pesquisa sobre longevidade da Escola de Medicina, iniciada pelo médico Nir Barzilai em 1998. Para esses estudos, Barzilai convocou um grupo de 540 pessoas acima dos  95 anos, como os Khans, que haviam chegado lá sem nunca ter passado pelas quatros grandes doenças: as cardiovasculares, os cânceres,o diabetes e o declínio cognitivo.  Sua teoria é que esses superidosos, como ele os chama, deveriam ter algo que os protegesse em qualquer condição.Caso contrário, se eles não tivessem tido um ataque do coração aos 78 anos, teriam sucumbido rapidamente ao próximo item da lista. Em vez de procurar por pedaços de DNA que se relacionam com a probabilidade de ter doenças, como se faz na maioria dos estudos genéticos, Barzilai procurou pelo oposto: genes que se relacionavam à probabilidade de não tê-las. Ou seja, à longevidade.

Barzilai identificou ou corroborou pelo menos sete características que podem ser associadas à vida longa. A mais significativa é um gene ligado à demora do declínio da memória, ao risco ínfimo de demência e ao grande aumento da proteção contra doenças do coração. É um gene de nome difícil (ligado às proteínas de transferência de ésteres de colesterol), conhecido apenas pela sigla CETP. Os longevos têm versões do gene CETP com propriedades como aumentar o colesterol bom.Na população em geral, só 9% das pessoas têm duas cópias (uma do pai e outra da mãe) da variante protetora do CETP, em relação aos 24% dos centenários, incluindo os Kahns.

Esses idosos afortunados também têm em seu DNA uma incidência maior de versões vantajosas de outros genes. Uma dessas versões protege contra aterosclerose e mal de Alzheimer.Outros genes protege contra a formação de tumores e leucemia. E há outra variante genética que protege contra doenças cardiovascular e diabetes. Sozinha, essa última variante foi associada a uma extensão média da vida em quatro anos. Há evidências também de que a baixa estatura dos superidosos (Irving tem cerca de 1,57 metro) possa refletir a influência de um fator protetor visto na natureza: pôneis vivem mais que cavalos.

Por mais sugestivas que sejam, essas descobertas carecem até hoje de alguma aplicação na vida real.

A MENSAGEM

Para todos

Uma conjunção especial de genes benéficos contribui para a longevidade.

Para os idosos

Quem vive mais tem as mesmas doenças que os outros.
Só que mais tarde.

Os hábitos de vida, como alimentação, interferem na longevidade? A resposta é não.

Por Jesse Green

Parte do artigo publicado na  revista Época
Vida
Longevidade
Fotos: Cristopher Lane e seu Pessoal
Epoca,05/11/2012
Paginas  84 a 91.


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