segunda-feira, 8 de abril de 2013

Interrogações Sobre A Aspirina

Novas pesquisas ressaltam os resultados contraditórios sobre os benefícios do AAS.

Um dos medicamentos mais utilizados pela humanidade, a aspirina (ou seu princípio ativo, o ácido acetilsalicílico, o AAS) é também um dos mais estudados - e cada nova pesquisa apresenta resultados contraditórios sobre seus benefícios.

Dois estudos recentes, publicados na revista médica The Lancert, por exemplo, mostraram que o AAS pode reduzir o risco de câncer. Um deles descreveu os resultados conjuntos de 34 estudos clínicos que apontaram queda no risco de morte por câncer em 15%. O outro analisou pacientes de cinco pesquisas, revelando uma redução de 36% na chance de um tumor se disseminar (as metástases).

Há pouco mais de um mês, um estudo publicado na revista Archives of Internal Medicine confirmou que o AAS comprovadamente reduz o risco de eventos cardiovasculares não fatais, como infarto agudo do miocárdio (IAM), mas não proporcionaria uma redução significativa na mortalidade por câncer.

Outra má notícia para usuários regulares do AAS veio de uma pesquisa que analisou dados coletados ao longo de 20 anos com mais de 5 mil pacientes nos Estados Unidos. Ela sugere que o uso continuado de aspirina pode aumentar o risco de perda de visão em idosos.

Conforme o trabalho dos pesquisadores da Universidade de Wisconsin, publicado na revista Journal of the American Medical Association, os pacientes que tomaram aspirina regularmente (mais de duas vezes por semana durante três meses) ao longo de 10 anos ou mais apresentam risco quase duas vezes maior de desenvolver degeneração macular (uma lesão no centro da retina): a chance é de 1% para quem não tomou aspirina e de 1,8%, para quem tomou.

Apesar dos resultados contraditórios, os cientistas garantem que, para pacientes com doença cardíaca, os benefícios de tomar uma aspirina diariamente supera o risco de efeitos colaterais. 

Publicado no jornal Zero Hora

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