segunda-feira, 30 de setembro de 2013

José Leite Guerra - O Papa E Os Jovens


Francisco vem de longe e pousa em terras brasileiras. Traz consigo uma imensidão de vozes, um cântico dos cânticos para dizer e cantar, junto ao coral da juventude que o aguarda. Flutua no simbólico traje branco, asas de paz que transportam o representante da Igreja Católica Apostólica Romana. Uma liderança espiritual que, na corrente da História, é anotada como representante, em continuidade prolongada desde Pedro, o escravo Lino, Clemente de Roma. 

Uma sucessão sacudida por maremotos, percorrer vias crucis numa instituição vezes branda e fiel aos postulados deixados pelos rastros e ecos de Jesus Cristo, ora sacudida por escândalos ameaçadores do seu sepultamento.

A Instituição burocrática, do castelo, da bela arquitetura gigantesca fincada em Roma, a Basílica de São Pedro que olha para um obelisco restante de desarmado circo, onde as feras rasgavam os cristãos. Nessa praça se aglomeram multidões vindas de todas as partes do mundo para escutarem a Palavra na palavra do Papa. Muitos, mais de duzentos sucessores, com a delegação dada pelo Senhor, ocuparam a "janela", escreveram orientações ao rebanho, viveram seus tempos, cada qual com sua mácula, seu claudicar, sua mancha, homens sujeitos a erros, a pecados, todavia arautos da Mensagem, firmados na Pedra dos ensinamentos hauridos em Cristo e nos atos dos apóstolos. 

Digladiando-se com sua mazelas, derretendo a consciência por práticas incoerentes ao Evangelho, porém estendendo as mãos em busca do perdão de Deus e do Mestre, o meigo Rabi da Galileia.

Vemos em Francisco o protótipo, a imagem  viva do santo da Porciúncula de Assis, mostrada através de humilde inclinação perante o povo que o ovacionava, no dia de sua eleição para comandar os destinos da Igreja. Ao invés de abençoar, se reclinou, pedindo a bênção da multidão que tomava o pátio defronte à Basílica. E, desde o começo, tem demonstrado como nota de sua inicial caminhada a virtude da humildade.

Seu estilo franciscano, embora seja o Papa Francisco um jesuíta, é evidente. Desprendido do material, fazendo opções de vida que não tocam à petulância, se sente, apenas, um discípulo escolhido, com a grande responsabilidade: dirigir a Barca, num momento delicado na formação e envio em meio a um secularismo devastador. O Encontro Mundial da Juventude, celebrado no Rio de Janeiro, é a reciclagem, a Renovação da Palavra a passar por uma releitura. Os jovens como protagonistas, inspirados no ânimo juvenil do Profeta de Nazaré. 

A missão dos jovens, em comunhão com a Igreja Viva, espelhados num ainda moço martirizado é visceral na possibilidade da Ressurreição Permanente, mesmo  em veredas ínvias e cheias de desníveis sociais, políticos, econômicos e religiosos. Na juventude corre a seiva renovadora e revitalizadora de que precisa a humanidade.

Papa Francisco é um jovem de setenta anos.

José Leite é escritor.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 28/07/2013
Opinião

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