quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Estevam Fernandes - Ele Vive

Jerusalém nunca mais seria a mesma depois daquela madrugada de domingo, após a Páscoa. Sem dar-se conta, a cidade abrigava em um de seus túmulos a Semente da qual brotaria a vitória definitiva sobre a morte. A vida estava para irromper triunfante, ainda que uma pedra gigante tentasse impedi-la. Todavia, como o Senhor indagou: "Operando eu, quem impedirá? (Isaías 43.13).

Sem ter a consciência do que estava acontecendo, Jerusalém acordou diferente, mais silenciosa do que o habitual. Parecia até que estava preparando-se para ouvir uma notícia diferente, que quebraria suas rotinas dominicais. O grito de uma mulher marcaria para sempre aquela madrugada, como também a história da humanidade.

Numa manhã fria, Maria Madalena, com o coração saudoso, chegou até o sepulcro de Jesus, à procura de alento para si. Devia haver lágrimas no rosto dela e uma intensa dor em sua alma. A saudade do Mestre e Amigo lhe partia o coração.

Aquele túmulo era um lugar de desolação, assim como se torna, às vezes, nosso quarto, nossa casa, enfim, tudo ao nosso redor, quando a sensação de perda, a frustração e outras experiências dolorosas se instalam, provocando sofrimento e pranto. Geralmente, as lágrimas são denunciadoras de uma tristeza que o coração humano não consegue mais suportar nem esconder. Elas expõem os limites da nossa dor.

De repente, um homem de branco, tão misterioso quanto belo, surge no alto da pedra removida, interrompendo o silêncio e a solidão. Era um anjo de Deus! Para Maria Madalena, aquela era uma visita inesperada. Tanto pelo local como pelas circunstâncias. Deus é o Senhor das surpresas! Chega de repente, não importa a hora nem as circunstâncias; Ele sempre nos surpreende! 

É interessante como o sofrimento provoca nosso diálogo com Deus! Quanto maior a dor, maior a intensidade do desabafo e dos questionamentos! Muitas pessoas aprenderam a conversar com Deus quando não tinham mais com quem conversar. A solidão as fez descobrir a companhia do Pai e a necessidade de dialogar com Ele.


Nunca estamos sozinhos! Há sempre um anjo de Deus ao redor dos que o temem (Salmo 34.7). Davi afirmou que eles são guardiões da nossa entrada e da nossa saída(Salmo 121.8). Guardam, portanto, os caminhos que precisamos percorrer. Além disso, são mensageiros celestiais enviados a terra, para nos confortar quando estamos vivenciando provações, para nos proteger quando corremos perigo, e para nos transmitir recados do Senhor quando precisamos de alguma revelação especial.

Aquela notícia consolou Madalena, iluminou a manhã de Jerusalém, alegrou os discípulos, mudou a história e fundamentou a nossa esperança. A semente brotou. Jesus vive!

Estevam Fernandes é pastor da 1ª Igreja Batista.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 31/03/2013
Opinião.

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