terça-feira, 22 de outubro de 2013

José Leite Guerra - Pedras Sólidas

Pedro e Paulo

Pedro e Paulo, mártires, através de recontada  tradição conservada pelos cristãos do início da propagação do Cristianismo, aceita historicamente, foram vítimas da sanha levantada contra os primeiros grupos de seguidores de Jesus Cristo. 

Simão Pedro, a quem o Rabi entregou a responsabilidade de cuidar do rebanho que se ia formando, recusou ser crucificado como ocorrera com seu Mestre. Morreu pregado na cruz, de cabeça para baixo e foi sepultado numa área conhecida como vaticanus, cemitério de pagãos, onde, segundo se assegura, está erguida a famosa Basílica. Assim procederam para evitar suspeitas, num momento intranquilo por que passavam os sequazes do Nazareno. 

Paulo, que se chamava Saulo, antes de converter-se, o decapitaram na estrada de Óstia. 

Os martírios desses dois apóstolos, colunas mestras da Igreja nascente, sinalizam o comprometimento com uma causa que vem atravessando mais de dois séculos, cujo timbre único é a prática do amor ao próximo.

Todo o ensinamento transmitido por Jesus, a prática dele emanada se concentra na simplicidade de coração e na declinação de toda pompa espiritual e material. O seguidor e missionário do Amor feito pessoa humana não pode ornar-se de vestes vistosas e arrogantes, quer exteriores, quer interiores. Este é um proceder esquálido, oco, vazio, um perfil maquiado frente ao soar dos exemplos, das parábolas singelas e de uma profundidade a toda prova. Todavia, é um pecado maior que teima em macular a institucionalidade semeadora de sementes danosas, que florescem em contumazes conjecturas, construindo-se um piramidal, onde se colocam poderes que marcham na contramão do Caminho.

Jesus era leigo e singelo em seu perfil, como homem, como Cristo. Ao longo do tempo, os tropeços de certos detentores dessa empáfia foram responsáveis pela deserção de muitos. O senhorio de Jesus foi solapado por um volumoso caudal de mesquinhos ditames de autoritarismo inflexível capaz de marcar pessoas com ferretes de prescrições e descrições dantescas punitivas, castigos nada condizentes com a bondade infinita de Deus.Ainda hoje, perdura uma mentalidade pegajosa destilada por certos pregadores obtusos a exaltarem retrógradas emanações, dando ao Evangelho um caráter de terror, ao invés de um jardim de misericórdia. Os que assim o fazem fogem da luminosidade de São Paulo e da humildade de São Pedro. Sobre esta pedra de alicerce e essa coluna de sabedoria evangélica se ergue um Monumento indestrutível: o da Caridade para a qual a Fé e Esperança apontam.

Para que se conserve a memória e atualização dos dois apóstolos comemorados neste final de junho, faz-se necessário que os cristãos se revistam da espiritualidade que ambos nos legaram, por meio de seus testemunhos.

José Leite Guerra é escritor.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 30/06/2013
Opinião

Nenhum comentário:

Postar um comentário