sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Século 20 - Gente - O Papa João Paulo II

Mônica Weinberg e Viviane Kulczynski

O papa mais pop da História

João Paulo II

João Paulo II: somadas suas viagens, já deu 25 voltas ao redor da Terra.

Dono de imbatível poder de comunicação, o papa João Paulo II tornou-se uma espécie de superstar religioso. Aprendeu setes discos, um deles com repertório pop. O sumo pontífice polonês consolidou fama internacional em 87 viagens empreendidas em 21 anos. É uma média espantosa. O papa percorreu mais de 1 m línguas, escreveu treze encíclicas, lançou quatro livros e gravou trêilhão de quilômetros, o suficiente para dar 25 voltas ao redor da Terra.

O escritor que odiava ler


Ernest Hemingway
Hemingway: infância sem livros.

O americano Ernest Hemingway, o mais genuíno entre os escritores deste século, odiava ler na infância. Seus amigos contam que ele morria de vergonha porque praticamente nunca tinha chegado perto de um livro. Dizia que não gostava dos intelectuais. Hemingway não soube explicar, mas aos 21 anos começou a devorar livros. Ironicamente, virou um escritor de mão-cheia, que adorava falar sobre guerras e fatos que davam manchete de jornal. Aos 55 anos, ganhou o prêmio Nobel de Literatura.

A voz imortal
Frank Sinatra
Sinatra: sessenta anos encantando o mundo com suas canções

Aqueles olhos azuis, aquela voz de barítono e pronúncia cristalina eram para durar para sempre. Frank Sinatra surgiu no final da década de 30 e encantou o mundo durante sessenta anos. Ele gravou de tudo, até música de discoteca. Fez filmes bons e ruins, arrasou os corações adolescentes, foi feliz  e infeliz nos casamentos, naufragou na bebida, desapareceu num período de decadência, ressuscitou e voltou ao trono. A Voz, como era chamado, tornou-se imortal.


Briga de pincéis
Pablo Picasso e Henri Matisse
Matisse e Picasso: derrotados por VanGogh

Pablo Picasso e Henri Matisse eram bons amigos, mas viviam às turras. Os dois maiores pintores do século cultivavam uma rixa digna de jardim-de-infância. Em leilões, eles enviavam mensageiros para fazer subir o valor de suas telas. Picasso tinha especial obsessão por saber quem valia mais no mercado de artes plásticas. O desfecho foi irônico. O espanhol encerra o século como o segundo pintor mais valioso. Mas não está atrás de Matisse. Ele perde o trono para Van Gogh, gênio do século 19. 

Um Rockefeller vale dois Gates

John D.Rockefeller

Atenção, Bill Gates, dono da Microsoft, contente-se com o segundo lugar. O magnata americano John D.Rockefeller, o todo-poderoso do petróleo, morto em 1937, é o homem mais rico do século. Enquanto esteve à frente de 90% das refinarias americanas, Rockefeller acumulou uma impressionante fortuna estimada em 236 bilhões de dólares, em valores de hoje. As contas são da revista Forbes. O valor representa mais do que o dobro do patrimônio de Gates, atualmente em torno dos 90 bilhões.

Rainha do bisturi
Cindy e Barbie: retoques no próximo século

Cansada do visual caipirão e da silhueta rechonchuda, a americana Cindy Jackson, ex-frentista de posto de gasolina, superou todos os limites da cirurgia plástica. A moça passou pela faca catorze vezes nos últimos dez anos para conseguir virar uma espécie de sósia da boneca Barbie. Entre os feitos do bisturi estão a remoção de bolsas de gordura sob os olhos, duas operações de nariz, duas boas levantadas na pele do rosto, implantes de silicone e farta lipoaspirações. Doeu no corpo e no bolso, Cindy torrou uma herança com as cirurgias, mas não descansa. Quer fazer uns retoques no próximo século.

Papai presidente não gostava
Alice Roosevelt: badalação e fofoca

Alice Roosevelt, a filha do presidente americano Theodore Roosevelt, não se conformava em ser a moça pacata que convinha ao pai. Ela vivia nas colunas sociais protagonizando histórias que alimentavam fofocas e escandalizavam os ricaços no início do século. Bateu recordes de badalação: em quinze meses compareceu a 407 jantares, 350 bailes e 300 festas. Nessas ocasiões, ela sempre escolhia seu par e fumava em público. A filha de Roosevelt virou modelo de mulher emancipada e inspirou uma geração de moças batizadas Alice.

O som da modernidade
Igor Stravinski

A música clássica ganhou ares de modernidade com as brilhantes criações do compositor russo Igor Stravinski. Polêmico por misturar linguagens musicais, o artista causou a maior confusão na estréia de sua peça A Sagração da Primavera, em 1913. A platéia, indignada com o som revolucionário, promoveu um quebra-quebra em pleno Champs-Elysées, em Paris. Em meio à balbúrdia, o compositor escapou de fininho e fugiu por uma janela dos fundos do teatro. Um ano depois, sua obra foi devidamente valorizada pela crítica e Stravinski ganhou o reconhecimento mundial.

A insustentável leveza
Alberto Santos Dumont
Pioneirismo roubado

Alberto Santos Dumont deixou o mundo de queixo caído ao cruzar pela primeira vez os céus em um dirigível. Em 1901, deu uma volta em torno da Torre Eiffel e conquistou o título de pai da aviação. Mas as duas proezas acabaram perdendo destaque para as dos irmãos americanos Orville e Wilbur Wright, que ganharam o pioneirismo no grito. Frustrado, o aviador escreveu: " Sinto-me como se sentiriam Thomas Edison ou Guglielmo Marconi se, depois que mostraram a lâmpada elétrica e o telégrafo sem fio, surgisse alguém dizendo que os tinha construído antes deles".

Elas gostaram e eles mais ainda
Mary Quant
30 centímetro acima dos joelhos

A animada moça chama-se Mary Quant e ficou famosa em 1966 ao inventar a minissaia. A estilista inglesa passou a tesoura nas antigas e recatadas saias longas e criou um modelito 30 centímetro acima dos joelhos. A moda de Mary Quant virou febre no mundo todo e entrou para a lista das grandes invenções do século. O curioso em torno da peça é que as mulheres a têm como uma grande conquista. Os homens idem.

Orgulho de ser "made in Japan"
Akio Morita
O maior produtor de eletrônicos

Akio Morita é um dos grandes empresários do século 20. Não apenas porque era filho de um produtor de saquê e ficou bilionário ao fundar a Sony, em 1946. Ele é o maior responsável pela mudança de imagem da indústria japonesa. Até sua chegada, a expressão "made in  Japan" indicava a origem do produto e também sua baixa qualidade. Inventor do walkman, Morita costuma contar uma história daquela fase ruim, ocorrida numa sorveteria na Alemanha. Ao lhe entregar a taça de sorvete, o garçom apontou para o guarda-chuva de bambu que servia de adereço e disse: "É da sua terra".


Eu é que sou o mais feio
Bela Lugosi e Boris Karloff
Drácula levou a melhor


O que Drácula e Frakenstein têm em comum? Os dois filmes que consagraram o gênero doo horror foram rodados no mesmo ano, 1931, e tiveram como protagonistas atores que se odiavam e disputavam o posto de imagem mais feia do cinema. Bela Lugosi, o Drácula, dizia que faria um Frankenstein melhor do que o de Boris Karloff ainda que apenas grunhisse.Se a disputa fosse travada pela fama dos personagens, Drácula levaria a melhor. O personagem apareceu em 160 versões cinematográficas, contra 112 de Frankenstein.

De você quero distância
 Ginger  Rogers e Fred Astaire
O ódio era tanto que essa cena só existe no cinema


As imagens do ator Fred Astaire alçando com delicadeza Ginger Rogers às alturas nos dez filmes que fizeram juntos estão entre as mais importantes de sua carreira. Mas o melhor sapateador de todos os tempo não suportava a companhia da moça. Tanto que preferia treinar os passos com um homem, coreógrafo seu, que depois ensaiava com Ginger. Também ela preferia distância. Certa vez a atriz disse: "Eu fazia tudo o que ele fazia, só que de salto alto e para trás".


O beijoqueiro do cinema
Alfred Hitchcock
Hitchcock e duas cenas de seus filmes: 87 beijos

Que crime, que nada. A maior obsessão de Alfred Hitchcock, o mestre do suspense, eram as cenas de beijo. Seu filme Interlúdio, de 1946, detém o recorde do mais longo beijo exibido na telona. Os atores Gary Grant e Ingrid Bergman quase perdem o fôlego, mas permanecem seis minutos com os lábios coladinhos. Em Janela Indiscreta, de 1954, mais uma proeza. O diretor fez com que James Stewart e Grace Kelly ensaiassem 87 vezes o mesmo beijo. 

Mônica Weinberg e Viviane Kulczynski


Publicado na revista Veja - 2000
22/12/1999
Século 20
Gente
Especial






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