segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Brígida Brito - A Bolacha

Cantinho da paz

Uma moça estava à espera de seu voo, na sala de  embarque de um grande Aeroporto. Como ela deveria esperar por muitas horas pelo seu voo, resolveu comprar um livro para matar o tempo. Comprou, também, um pacote de bolachas. Sentou-se numa poltrona,na sala VIP do aeroporto, para que pudesse descansar e ler em paz.Ao seu lado, sentou-se um homem. Quando ela pegou a primeira bolacha, o homem também pegou uma. Ela se sentiu indignada, mas não disse nada. Apenas pensou:"Mas que cara de pau!Se eu estivesse mais disposta, lhe daria um soco no olho para que ele nunca mais esquecesse!"

A cada bolacha que ela pegava, o homem também pegava uma. Aquilo a deixava tão indignada que não conseguia nem reagir. Quando restava apenas uma bolacha, ela pensou: "O que será que este abusado vai fazer agora?" Então o homem dividiu a última bolacha ao meio, deixando a outra metade para ela. Ah! Aquilo era demais! Ela estava bufando de raiva! Então, ela pegou o seu livro e as suas coisas e se dirigiu ao local de embarque. Quando ela se sentou, confortavelmente, numa poltrona já no interior do avião, olhou dentro da bolsa para pegar uma bala, e, para sua surpresa, o pacote de bolachas estava lá... Ainda intacto, fechadinho! Ela sentiu tanta vergonha! Só então ela percebeu que a errada era ela, sempre tão distraída! Ela havia se esquecido que suas bolachas estavam guardadas, dentro da sua bolsa...

O homem havia dividido as bolachas dele sem se sentir indignado, nervoso ou revoltado, enquanto ela tinha ficado muito transtornada, pensando estar dividindo as delas com ele. E já não havia mais tempo para se explicar... nem para pedir desculpas.

Reflexão:

Quantas vezes, em nossas vidas, nós é que estamos comendo as bolachas dos outros, e não temos a consciência disto? Antes de julgar, observe melhor!

Talvez as coisas não sejam exatamente como você pensa! Não pense o que não sabe sobre as pessoas.

Brígida Brito
Médica e terapeuta de regressão.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Espaço do Ser.

Edição de 23/11/2013

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