quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Carlos Vereza

De figurante a grande ator da teledramaturgia brasileira, até hoje Carlos Vereza não sabe se escolheu a carreira de ator ou se foi escolhido por ela. Mas o fato é que ele saiu de casa em Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro, dizendo para a mãe que iria trabalhar na TV Tupi e foi para a porta do Cassino da Urca, esperando uma oportunidade para entrar em cena. Quando ouviu um diretor reclamar da ausência de um ator, percebeu sua deixa: "Falei: 'eu faço'. Ele me mandou ir ao camarim e botar um smoking', relembrou. E foi fazendo figuração que Vereza se aproximou de atores já acostumados com a telinha. "Sentava no muro, na Urca, e ficava esperando que aparecesse alguma oportunidade. Tenho boas recordações daquela época. Atores consagrados como Gilberto Martinho, Angelito Mello, Dari Reis, eram muitos carinhosos e pacientes comigo", contou.
Ele está de volta à TV em Além do Tempo - tem uma carreira marcada por tipos distintos, como vilões, políticos e religiosos.

O fascínio pela TV foi o que levou Carlos Vereza, de 76 anos - o Padre Luiz, de Além do Tempo - a escolher a arte de representar como ofício. Filho de um pintor de paredes e de uma enfermeira, ele começou a carreira em 1959, como figurante de um comercial na extinta TV Tupi. E foi paixão à primeira vista! A partir daí, virou figurinha fácil nos programas de auditório da emissora. O resto da história o público já conhece e ele se tornou um dos atores mais talentosos do Brasil. Mas o sucesso para Vereza, de fato, só chegou nos anos 70.

'Simpático' vigarista e primeiro desajustado

A Ponte dos Suspiros (1969))


Carlos Vereza na novela A Ponte dos Suspiros.
A primeira oportunidade de fazer uma novela surgiu em 1969, quando foi convidado por Dias Gomes para entrar no elenco de A Ponte dos Suspiros. Em seguida, esteve em Verão Vermelho.

Verão Vermelho (1969)


Carlos Vereza na novela Verão Vermelho
Em 1969, Carlos Vereza em Verão Vermelho como Raul, líder camponês que se apaixona por Patrícia (Maria Cláudia) e tem embates com o latifundiário Carlos  (Jardel Filho), pai da moça. O casal fica junto no final.

Assim na Terra como no Céu (1970)

Carlos Vereza e Osmar Prado na novela  Assim na Terra como no Céu
 Em Assim na Terra como no Céu, viveu o motoqueiro Ricardinho , o primeiro de uma série de personagens desajustados. "Ele não tinha o carinho dos pais. A mãe vivia fazendo operação plástica. E, como não tinha ninguém para conversar, levava a motocicleta para a sala e ficava falando com ela", relembrou.

Querido por todos

Selva de Pedra (1972)

Carlos Vereza na novela Selva de Pedra
Um dos grandes destaques da trajetória deste grande ator na telinha foi em Selva de Pedra (1972), que na trama deu vida ao mau-caráter e vilão Miro, que se aproximou de Cristiano (Francisco Cuoco) na intenção de subir na vida por meios escusos. Mesmo fazendo um vilão, Carlos Vereza virou o queridinho do público interpretando Miro, na primeira versão de Selva de Pedra. "Ele não era exatamente o bandido da história, mas sempre passava um desamparo muito grande por ter sido abandonado pelos pais e, por isso, carregava aquela carência", argumentou o artista.

O Rebu (1974)
Carlos Vereza na novela O Rebu
Carlos Vereza fez o personagem  Laio Martins grande industrial como um tipo raro de  autismo. Sua interpretação acabou influenciando a opinião pública como um industrial autista. "Uma psiquiatra do Recife me escreveu, dizendo que havia mudado o tratamento  com seus pacientes, despertado pelo comportamento de meu personagem", disse.

Mais um maluquinho

Aritana (1978)
Carlos Vereza na novela Aritana
Em 1978, depois de quatro anos se dedicando a outros projetos, Carlos Vereza retornou à TV como Julião, em Aritana, de Ivani Ribeiro, na TV Tupi.  Eu fazia um vilão que chegava ao ponto de pegar uma camisa infectada e jogar numa tribo para matar os índios e eu ficava horrorizado com isso, mas tinha que fazer para denunciar. Conseguimos fazer da novela uma grande denúncia em relação às arbitrariedades que são cometidas contra o povo indígena.

Coração Alado (1980)

Carlos Vereza e Nívea Maria na novela Coração Alado
Mas não demorou muito para voltar à Globo como Gabriel Pitanga, em Coração Alado, em 1980.Estabeleceu-se no Rio de Janeiro alguns anos antes, e acabou envolvido em sérias complicações policiais. 

O Jogo da Vida (1981)

Carlos Vereza na novela O Jogo da Vida
E, se nesse folhetim ele fez um vilão clássico, em Jogo da Vida ele o artista interpretou um vigarista e trapaceiro, no entanto, incapaz de cometer crimes bárbaros.  Lafaiete - mais conhecido como Badaró - era procurado pela polícia por ter cometido alguns delitos,Ele vivia enrolando Clarita (Lucia Alves), de quem era noivo há 12 anos. Sempre que se aproximava a data do casamento, ele fugia.Isso não o impediu de tentar se reaproximar da ex-noiva, Clarita (Lúcia Alves). O motivo? O malandro descobriu que a amada se casou com um milionário, Etevaldo (Cláudio Corrêia e Castro).

Padre Cícero (1984)


Carlos Vereza e Stênio Garcia  na minissérie Padre Cícero

Carlos Vereza é Simas , um mascate que  cruza o caminho de Padre Cícero (Stênio Garcia) que o incentiva a continuar sua luta.

A minissérie conta a trajetória do polêmico padre Cícero Romão Batista (Stênio Garcia), que morreu aos 90 anos de idade, em Juazeiro do Norte, Ceará.


O grande vilão

Direito de Amar (1987)

Carlos Vereza, Suzana Faini e Glória Pires na novela  Direito de Amar

Vereza caiu na boca do público como o abominável Francisco Montserrat, em Direito de Amar. Banqueiro poderoso, ele era um homem de ideias monarquistas e bipolar. Sua maior revolta era criar Adriano (Lauro Corona), filho de um envolvimento de sua mulher, Joana (Ítala Nandi) com Ramos (Carlos Zara). E para provar seu poder, Montserrat se casou com Rosália (Glória Pires), jovem por quem Adriano era apaixonado. O papel lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator de Arte (APCA). "Foi a novela em que eu recebi mais cartas de amor das mulheres. Era bastante curioso", explicou.


De Coprpo e Alma ( 1992)

Carlos Vereza na novela De Corpo e Alma
Vereza apareceu em várias tramas na década de 90. Em De Corpo e Alma foi o misterioso e vilão Vidal, um garçom intelectual que citava filósofos como Nietzsche e Sartre, mas era um cínico, garçom do Clube das Mulheres  Ele se suicida no final da novela. Esta novela ficou marcada pelo assassinato da atriz Daniela Perez.

Senador incorruptível

O Rei do Gado (1996)

Carlos Vereza na novela O Rei do Gado
 Já em O Rei do Gado, fez o incorruptível senador Roberto Caxias e gerou polêmica em Brasília. "Ele tinha uma pureza quixotesca. Não era um cara engajado, não era filiado a nenhum partido, mas acreditava em uma sociedade com direitos e deveres, que é o mínimo", comentou o ator, que na época chegou a receber pedido dos fãs para que se candidatasse à Presidência da República.


Hilda Furacão (1998)
Carlos Vereza na novela Hilda Furacão 
Hilda Furacão (1998) permitiu a Vereza (conhecido por ser homem politizado), exercer esse lado também na ficção. Na minissérie, ele deu vida a Lorca, um comunista que acabou assassinado por conta de suas convicções 'revolucionárias'. 

O Cravo e a Rosa (2000)
Carlos Vereza na novela O Cravo e a Rosa 

E o que era para ser outro vilão em O Cravo e a Rosa , se transformou em um personagem cômico, carismático e de grande popularidade. Joaquim era um milionário frio e calculista, que odiava Petruchio (Eduardo Moscavis) por acreditar que ele teria 'desonrado' a sua filha, Marcela (Drica Moraes).Mas o pai que não enxergava um palmo à frente de seu nariz e não via que a herdeira é que não valia um centavo, acabava fazendo rir, já que pensava ser esperto, mas era um verdadeiro idiota. Joaquim também desenvolveu uma bonita relação com o filho, Januário (Taumaturgo Ferreira), um caipira criado longe do pai e que tinha um inseparável porquinho de estimação.



Um Só Coração (2004)




Carlos Vereza na novela Um Só Coração
Na minissérie Um Só Coração, ele foi o personagem  David Rosenberg, judeu e professor, integro, inteligente e culto. Recusa-se a aceitar a discriminação imposta pelos nazistas ao seu povo e a proibição de continuar lecionando. É dado como morto e, por isso, sua família foge da Alemanha. Mas reaparece no Brasil para surpresa de todos.

Sinhá Moça (2006)
Carlos Vereza na novela Sinhá Moça
Sinhá Moça (2006) exemplifica esses dois casos. Na trama, o ator interpretou Augusto, um jornalista abolicionista que tinha a justiça como lema de vida. Era uma figura muito respeitada por todos os cidadãos de bem da fictícia Araruna.



Duas Caras (2008)


Carlos Vereza na novela Duas Caras
Carlos Vereza participou da novela Duas Caras como o fazendeiro Helmut.


Paraíso (2009)

Carlos Vereza na novela  Paraíso 
Na segunda versão de Paraíso  coube a ele viver o Padre Bento, um pároco amigo, conselheiro, mas que, nas horas vagas, adorava jogar sinuca no bar de Bertoni (Kadu Moliterno), o que lhe rendia críticas por partes de algumas 'beatas'.


Escrito nas Estrelas (2010)



Carlos Vereza na novela Escrito nas Estrelas
Carlos Vereza interpreta o espírito de luz Athael em Escrito nas Estrelas e doutrina as pessoas principalmente Daniel (Jaume Matarazzo).

Amor Eterno Amor (2012)
Carlos Vereza na novela Amor Eterno Amor
Carlos Vereza como o personagem seu Francisco Mainardi em Amor Eterno Amor

Além do Tempo (2015)


Carlos Vereza na novela Além do Tempo
Já também religioso Luiz em Além do Tempo só pensa em ensinar as leis de Deus
Em Além do Tempo, o veterano ator empresta o seu talento para outro padre, o Luiz, um homem sério, humano e comprometido em difundir os ensinamentos cristãos. Com certeza mais um bonito capítulo nessa trajetória de sucesso.

Velho Chico (2016)


Carlos Vereza na novela Velho Chico
Recentemente, foi chamado às pressas para compor o elenco de Velho Chico na pele do padre Berício. O personagem foi criado depois da morte súbita de Umberto Magnani, que interpretava padre Romão na trama de Benedito Ruy Barbosa.

Na telinha

1969 -  A Ponte dos Suspiros
Frei Vicente
1969 -Verão Vermelho
Raul
1970 -Assim na Terra como no Céu
Ricardinho
1972 - Selva de Pedra
Miro
1974 - O Rebu 
Laio Martins
1978 - Aritana
Julião
1980 - Coração Alado
Gabriel pitanga
1981 - Jogo da Vida
Lafaiete 'Badaró'
1984 - Padre Cícero
Simas
1987 -  Direito de Amar
Francisco de Montserrat
1992 - De Corpo e Alma
Vidal
1996 - O Rei do Gado
Senador Roberto Caxias
1998 - Hilda Furacão
Lorca
2000 - O Cravo e a Rosa
Joaquim
2004 - Um Só Coaração
David Rosenberg
2006 - Sinhá Moça
Augusto
2008 - Duas Caras
Helmut
2009 - Paraíso
Padre Bento
2010 - Escrito nas Estrelas
Athael
2012 -  Amor Eterno Amor
Francisco Mainardi
2015 - Além do Tempo
Padre Luiz
2016 -  Velho Chico
Padre Benício

Por Cristina Souza
 Por Núcia Ferreira

Publicado na rervista TV Brasil
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