Dilma Rousseff
Quem ouviu a entrevista da presidente Dilma Rousseff à rádio 98 FM Correio e seus discursos na entrega de conjunto habitacional em Campina Grande e no Dialoga Brasil, na Capital, com certeza teve a sensação de volta no tempo, precisamente ao período da campanha de 2014, quando ela falava de um Brasil com inflação sob controle, com pleno emprego, moeda forte e investindo muito em Educação. Tudo azul.
Ela falou do Pronatec, como se a oferta de vagas este ano não estivesse 57% menor do que em 2014. De graduação como se não tivesse cortado R$ 9,2 bilhões da Educação. As universidades estão em greve porque estão sem verbas para custeio. O Fies ficou 33% menor neste ano e forçou muitos a fecharem matrícula, adiando sonho de um diploma.
Sobre a transposição, disse que será concluída em 2017, ignorando o atraso de cinco anos em relação ao prazo inicial da obra, que começou em julho de 2007 para ser concluída em 2012. Depois, mudou para 2014, em seguida 2016 e agora é 2017. Quem garante que se confirmará? E está previsto um novo e poderoso El Niño, o que significa seca na região, mais perdas econômicas e sofrimento para o povo.
Depois de ter ouvido discursos tão estimulantes dos políticos paraibanos, especialmente os do governador Ricardo Coutinho, Dilma deve ter se sentido compensada por sair de Brasília, onde a crise política ganhou nova perspectiva com a previsão do seu vice, Michel Temer, de que ela não conseguirá chegar ao fim do mandato se mantiver a aprovação no nível atual - apenas 8%, segundo o Datafolha.
Ricardo criticou os adeptos do quanto pior, melhor: "O Brasil não está imune a isso, tem erros, mas é fundamental compreender que uma nação mostre sua unidade e sua invencibilidade e que consegue derrotar aves do mau agouro que ficam a todo momento querendo quebrar este país". Fez outro afago: "Deixa quem for eleito governar e governar cada vez melhor, pois eleições só em 2018".
Não foi à toa que foi chamado de "Querido Governador" por Dilma. Será que, enfim, vai conseguir um gesto de reciprocidade da petista, na forma de apoio à sua gestão?
Se tivesse parado para ouvir prefeitos, Dilma teria solicitado uma caixa de lenços. A choradeira é grande. Já não podem arcar com a conta de programas federais como o Samu, Farmácia Básica, transporte e Merenda Escolar, cujos recursos não chegam. No Brasil deles, a crise é grande.
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Torpedo
Não podemos voltar atrás e perder aquilo que já conquistamos. Não podemos perder o Minha Casa Minha Vida, precisamos zelar para que isso não ocorra. O país pode ficar muito melhor porque nós no unimos e somos capazes de superar esse momento. (Da presidente Dilma Rousseff, PT, no discurso em Campina Grande)
Lena Guimarães
Jornalísta
Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 05 de setembro de 2015
Política

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