A literatura de testemunho evoca seu nome, então i,a experiência de memória que não será esquecida, lacunar, mascada tanto por uma espécie de luta contra a mediocridade, como de busca pelo amor das faces da cidade, no seu estilo drummondiano .Acho que nunca o vi triste.
De uma memória sem esquecimento, Carlos vai se deixar recordar, pois, o que lhe importa eram as palavras.
O testemunho meu constitui nele um desdobramento, um tratamento possível do encontro com o real, como experiência que se impõe num campo além do representável, além dos vocábulos, mas que , por isso mesmo, desnudo Carlos se encantava com a vida. Jamais o esquecerei.
Foi Carlos, quase um pai, quem me apresentou a Proust, Baudelare. Machado de Assis e antos outros. Foi Carlos quem me deu numa noite só mais de 200 livros e eu fui atrás de tijolos nas construções e pedaços de madeira para arrumar aqueles clássicos. Nunca vi alguém tão desprendido. O testemunho que sou se torna então um continente, efeito de que aprendi, o que emanava de Carlos, que se destacava nas sombras das árvores de se jardim. Eu tinha amor por ele.
Eu não era ninguém quando ele lançou seu livro "A Dança do Tempo" em 1985 e colocou um trecho da minha crônica na contra capa, ao lado Gonzaga Rodrigues e Biu Ramos.Aquilo significou força e coragem que estão comigo até hoje.
Carlos não morreu. Nunca existiu essa palavra no seu vocabulário. Da dança da vida e do tempo, de seus sentimentos, do amor de seu filho Germano, Carlos está por aí se espalhando no jardim de Nossa Senhora dos Navegantes, no canto, no gesto, no aceno. Logo, o meu testemunho, não é religioso, nem cultural, é a face de Carlos Romero. Abrigado!
Por Kubitschek
Kotidiano.
Publicado no Jornal Correio da Paraíba
Edição de 8 de janeiro de 2019
Caderno 2

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