Cristiane Querino Defendi
Quando ele veio ao encontro do povo,um homem se lhe aproximou e,lançando-se de joelhos a seus pés,disse
Senhor, tem piedade do meu filho,que é lunático e sofre muito,pois cai muitas vezes no fogo e muitas vezes na água.
Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar.
Jesus respondeu, dizendo:
Ó raça incrédula e depravada,até quando estarei convosco?
Até quando vos sofrerei?
Trazei-me aqui esse menino.
— E tendo Jesus ameaçado o demônio,este saiu do menino, que no mesmo instante ficou são.
Os discípulos vieram então ter com Jesus em particular e lhe perguntaram:
Por que não pudemos nós outros expulsar esse demônio?
— Respondeu-lhes Jesus:
Por causa da vossa incredulidade.
Pois em verdade vos digo,se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda,diríeis a esta montanha:
Transporta-te daí para ali e ela se transportaria,e nada vos seria impossível.(S. MATEUS, cap. XVII, vv. 14 a 20.)
No sentido próprio, é certo que a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais,que não consegue fazer quem duvida de si.
Aqui porém unicamente no sentido moral se devem entender essas palavras.
As montanhas que a fé desloca são as dificuldades,as resistências,
a má-vontade,em suma,com que se depara da parte dos homens,ainda quando se trate das melhores coisas.
Os preconceitos da rotina, o interesse material,o egoísmo,a cegueira do fanatismo e as paixões orgulhosas são outras tantas montanhas que barram o caminho a quem trabalha pelo progresso da Humanidade.
A fé robusta dá a perseverança,a energia e os recursos que fazem se vençam os obstáculos, assim nas pequenas coisas,que nas grandes.
Da fé vacilante resultam a incerteza e a hesitação de que se aproveitam os adversários que se têm de combater;essa fé não procura os meios de vencer,porque não acredita que possa vencer.
Noutra acepção,entende-se como fé a confiança que se tem na realização de uma coisa,a certeza de atingir determinado fim.
Ela dá uma espécie de lucidez que permite se veja,em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá,de sorte que aquele que a possui caminha,por assim dizer, com absoluta segurança.
Num como noutro caso,pode ela dar lugar a que se executem grandes coisas.
A fé sincera e verdadeira é sempre calma;faculta a paciência que sabe esperar, porque,tendo seu ponto de apoio na inteligência e na compreensão das coisas,tem a certeza de chegar ao objetivo visado.
A fé vacilante sente a sua própria fraqueza;quando a estimula o interesse,torna-se furibunda e julga suprir,com a violência, a força que lhe falece.
A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança;a violência, ao contrário,denota fraqueza e dúvida de si mesmo.
Cumpre não confundir a fé com a presunção.
A verdadeira fé se conjuga à humildade;aquele que a possui deposita mais confiança em Deus do que em si próprio,por saber que, simples instrumento da vontade divina,nada pode sem Deus.
Por essa razão é que os bons Espíritos lhe vêm em auxílio.
A presunção é menos fé do que orgulho,e o orgulho é sempre castigado,cedo ou tarde,pela decepção e pelos malogros que lhe são infligidos.
O poder da fé se demonstra, de modo direto e especial,na ação magnética;por seu intermédio,o homem atua sobre o fluido,agente universal,modifica-lhe as qualidadese lhe dá uma impulsão por assim dizer irresistível.
Daí decorre que aquele que a um grande poder fluídico normal junta ardente fé,pode, só pela força da sua vontade dirigida para o bem,operar esses singulares fenômenos de cura e outros,tidos antigamente por prodígios,mas que não passam de efeito de uma lei natural.
Tal o motivo por que Jesus disse a seus apóstolos: se não o curastes, foi porque não tínheis fé.
(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, itens 1 a 5.) — sentindo-se abençoada.
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