Com dói essa saudade...Bem sabia que era assim. Mas a falta de costume ou da plena consciência faz a gente indiferente ao raiar do novo dia.
Como dói essa saudade...A vontade de apertar,de beijar e de chorar. Como dói essa saudade que eu tinha esquecido de sentir, de vez em quando, para que não olvidasse que tempo é fugidio. Escapole a toda hora, segue o rimo inexorável. A gente é que não sente que é curto e transitório o abraço apertado.
Como dói essa saudade...que demora a passar e quiçá jamais se vá. Quem sabe até que um dia, acordemos com o sabor da lembrança que ficou. Entendendo que essa ausência, sentida por agora, tão doída e machucada, é sinônimo de um amor que havia, não se foi pra sempre haverá.
Nossa casa, no jardim, há registro indeléveis, como música em partitura. Melodia inesquecível que ecoa lá no fundo. E na frase que ora escuto de um doce violoncelo , vejo toda a poesia que marcou a sua vida, que nos deu tão bom exemplo, que ensinou a prosseguir na esperança do amor. Do amor que demonstrou, na cozinha ou na sala, aqui perto ou bem mais longe, mas que ora sinto em tudo com o manto inseparável que ilumina a sua aura.
E meus olhos à procura do que ele observava seguem o rastro da lembrança, buscando a sintonia com a poesia do viver. Coisa que ele ensinou com a mais sábia maestria. Como dói essa saudade...
Lá fora vejo o mar que também nos quer contar do carinho que sentiu quando ele o contemplou.
E foi grande esse amor, do nosso amado mestre, cujo encanto se espalhava numa flor ou numa pedra, porque nele havia luz.
Como dói essa saudade...Não desejo que se apague, como não se apagará nada do que em nós deixou.Hoje tento aprender outro meio de ouvir, de falar e de sentir sua alma cintilante, que em breve encontrarei. Até lá, exclamarei, com aperto dolorido:como dói essa saudade..
Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música.
Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 22 de fevereiro de 2019,
Opinião.

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