Com base em vasta pesquisa, livro escrito pela jornalista Regina Echeverria retrata a trajetória do cantor

Fortaleza,Ce,Brasil,16.04.2019: Biografia de Raimundo
Fagner é lançada na livraria cultura com a presença do artista. A biografia foi escrita pela jornalista Regina Echeverria. (Foto: Tatiana Fortes/Tatiana Fortes
Para reencontrar fãs e outros instigados por sua música, o cantor Fagner veio a Fortaleza lançando a biografia autorizada “Raimundo Fagner: Quem me levará sou eu”. Pesquisa e escrita da experiente Regina Echeverría, a obra é agora lançada nacionalmente. Nesta terça-feira, 16, o público ganhou bate-papo e sessão de autógrafos na Livraria Cultura, na Aldeota.
“Fagner é uma referência no cancioneiro nacional e admirável como ser humano. Além disso, é da nossa terra, temos que prestigiar”, disse o empresário Carlos Menezes, um dentre as centenas que esperavam na longa fila da sessão de autógrafos.
Fagner em bate-papo com o público (Foto: Tatiana Fortes/ O Povo)
“Quem me levará sou eu” trata das amizades e inimizades colecionadas ao longo da carreira de Fagner — conhecido pelo pavio curto —, bastidores de shows e gravações, entre muitos outros episódios.
O livro recebeu recursos por meio da Lei Rouanet. O cantor já havia criticado o uso de lei de incentivo, em entrevista ao jornal O Globo, em 2013. É uma política cultural, aliás, comumente criticada pela direita. “Quando olhei, a cena já estava feita, não tive muito o que fazer. Mas não gostei e reclamei”, disse ele ao mesmo jornal, em entrevista recente.
Em Fortaleza
Antes da sessão de autógrafos, em conversa com o público, no auditório da livraria, Fagner respondeu a tudo que foi perguntado. Falou, inclusive, da relação difícil com o cantor e compositor Belchior, falecido em 2017. “Na composição, foi um dos meus principais parceiros. Foram cinco ou seis músicas, só, mas ‘Mucuripe’ é uma das mais importantes. Ele me podava, mas se sentia responsável por mim”, conta, sobre a ida ao Rio de Janeiro, no início da carreira.
Ele mencionou ainda o início da Fundação Raimundo Fagner, criada em abril de 2000, para a educação complementar de crianças e adolescentes. “Lá em casa tinha um movimento danado de gente vindo de Orós pedindo ajuda. Lá, o pessoal dizia que eu era o padre, o prefeito, tudo. Então, me pediam muito as coisas”, lembra, com bom humor.
Autoria
Regina, que é amiga de Fagner desde a década de 1970, foi convidada pelo artista para fazer a biografia. Após quase três anos de trabalho e mais de 60 entrevistas e pesquisas documentais, o livro está nas lojas físicas e virtuais do País.
Regina, que é amiga de Fagner desde a década de 1970, foi convidada pelo artista para fazer a biografia. Após quase três anos de trabalho e mais de 60 entrevistas e pesquisas documentais, o livro está nas lojas físicas e virtuais do País.
Público lotou auditório e saguão da livraria, nesta segunda (Foto: Tatiana Fortes/ O Povo)
A autora conta que a maior dificuldade no processo de produção foi a falta de tempo do biografado. “Ele trabalha muito, tem muitos shows para fazer, muitos compromissos. É impressionante pelo tempo de carreira e idade que ele tem [Fagner vai completar 70 anos em outubro]. A gente sentar, conversar e eu fazer as entrevistas com ele foi o mais difícil”. A jornalista se diz, contudo, satisfeita com o resultado.
A biografia, de mais de 400 páginas e recheada de fotografias históricas, contempla detalhes da vida pessoal e obra do cearense, com relatos nunca antes conhecidos pelo público.
O gênero já é consolidado na carreira de Regina, que, após passagens por grandes redações de jornais e revistas, dedicou-se a biografar personalidades. A jornalista diz guiar-se pelo faro de interesse do público, com fatos que ajudam a compreender melhor o personagem e aproximá-lo do leitor. São onze títulos, principalmente nomes da música nacional (Elis Regina, Cazuza, Gonzaguinha, Gonzagão e Jair Rodrigues).
Serviço
“Raimundo Fagner: quem me levará sou eu”, de Regina Echeverria
Editora Agir. Páginas: 440
Preço sugerido: R$ 49,90
Lucas Braga.
O rico acervo sobre a vida e a trajetória de Raimundo Fagner, organizado pela irmã dele Marta Lopes, com cartas, fotos e reportagens de jornais, foi o que motivou a criação do livro Raimundo Fagner: quem me levará sou eu, escrito pela jornalista e biógrafa Regina Echeverria.
“Essa biografia não estava nos meus pensamentos. Foi iniciativa da minha irmã e da Teresa (Tavarez), que é diretora da fundação (Fundação Raimundo Fagner).
A gente tem um arquivo tão grande, com tanta história e tanta coisa acumulada que elas acabaram sugerindo e, quando olhei, estava tudo encaminhado”, lembra o artista em entrevista exclusiva ao Correio.
“Essa biografia não estava nos meus pensamentos. Foi iniciativa da minha irmã e da Teresa (Tavarez), que é diretora da fundação (Fundação Raimundo Fagner).
A gente tem um arquivo tão grande, com tanta história e tanta coisa acumulada que elas acabaram sugerindo e, quando olhei, estava tudo encaminhado”, lembra o artista em entrevista exclusiva ao Correio.
A obra demorou cerca de três anos para ser concluída, e hoje tem lançamento oficial em Brasília, na Livraria Leitura do Terraço Shopping, com a presença do cearense, que está na cidade desde segunda-feira para participar da programação do Encontro Internacional do Choro, no Clube do Choro (Eixo Monumental), onde se apresentou na última terça-feira.
“Agora está vindo muito convite para fazer (o lançamento) em várias cidades. Mas aqui em Brasília é importante, pois faz parte da minha história. Foi o lugar que me acolheu quando sai do Ceará para viver, fazer faculdade, participar do festival do Ceub, tudo isso está muito ligado. A minha história em Brasília é muito forte. Então, merecia (esse lançamento) e foi uma coincidência por conta da minha vinda para a festa do Clube do Choro”, explica.
Com 440 páginas, a obra perpassa diferentes momentos da vida do artista, desde a infância em Orós, cidade que ele considera a natal, apesar de ter nascido em Fortaleza; a passagem por Brasília quando estudou na UnB; o início da carreira no Rio de Janeiro; e toda a trajetória de altos e baixos dentro da música a partir dos anos 1970.
Momentos mais pessoais também são lembrados na obra, como a descoberta tardia da paternidade, história que abre o livro.
Em 2006, aos 57 anos, foi revelado que tinha um filho, Bruno, que, na época, tinha 32 anos. Naquele momento, além de um filho, ele ganhou ainda dois netos: Clara e Arthur.
Em 2006, aos 57 anos, foi revelado que tinha um filho, Bruno, que, na época, tinha 32 anos. Naquele momento, além de um filho, ele ganhou ainda dois netos: Clara e Arthur.
Foi o mote inicial da pesquisadora Regina Echeverria. “Achei que era uma história inusitada que pouca gente sabia. Nem eu sabia. Eu sempre faço isso nas biografias que escrevo. Começo por uma história que acho legal e depois volta para o nascimento e vou na cronologia mesmo. Achei que era uma história muito interessante para um cara que nunca se casou e tinha essa solteirice convicta”.
Outro destaque é a relação de Fagner com a política e com o futebol, dois assuntos bastante importantes na trajetória do artista. “Minha vida sempre foi muito intensa, são 45 anos de carreira, viajando muito, participando de muitos momentos da vida brasileira, política e esportiva. Sempre fui muito ligado e acho que isso faz um pouco a força da biografia. Não só a música, como a política e o futebol, acho que isso dá uma perspectiva diferente para o conteúdo do livro”, destaca o personagem da biografia.





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