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ESCRAVA MÃE
A trama, escrita por Gustavo Reiz, fala sobre o amor que uniu Juliana e Miguel, os pais de Isaura, protagonista da obra que é um clássico brasileiro
Do R7 1/1/2015 às 23h19 (Atualizado em 10/8/2020 às 12h48)
Trama conta a história de Juliana e Miguel, pais da escrava IsauraAntonio Chahestian/Record TV
Algumas histórias são tão marcantes que atravessam gerações. É o caso de A Escrava Isaura, obra de Bernardo Guimarães. A trajetória da escrava de pele clara que vivera perseguida pelo obcecado senhor Leôncio ganhou o mundo pelas páginas e telas, tornando-se uma das mais conhecidas tramas brasileiras.
Mas toda história tem um começo. E nada disso aconteceria sem os personagens e enredos de Escrava Mãe, novela de Gustavo Reiz, livremente inspirada no clássico literário. A história inicia-se em 1789, na região de Angola, na África, principal mercado abastecedor de escravos para as plantações de cana-de-açúcar do Brasil. É de lá que são trazidos os africanos Kamau e Luena, a bordo de um navio negreiro. Ao chegarem em solo brasileiro, os dois conseguem fugir e recomeçam suas vidas em liberdade, mas sempre assombrados pelo terror da escravidão.

Quando uma nova vida se anuncia, Luena frustra-se ao notar a pele mais clara da filha: aquela criança era fruto da violência que sofrera durante a travessia do oceano. Os mesmos homens que invadiram a tribo na África, comandados pelo vilão Osório, retornam para buscar a “mercadoria” que haviam perdido.
Luena morre ao dar à luz, mas consegue entregar o bebê ao menino Sapião (Sidney Santiago), que foge desesperadamente enquanto Kamau é aprisionado, prometendo um dia voltar para buscar aquela criança, a quem considerava sua filha.
Sapião é acolhido em uma grande fazenda açucareira, a Engenho do Sol, e a menina, que ganha o nome de Juliana, será criada com Teresa e Maria Isabel, filhas do coronel Custódio e dona Beatrice Avelar. Se aquele momento já representava uma mudança brusca na vida de Juliana, sua história seria ainda mais repleta de reviravoltas e emoções.
No tão marcante ano de 1808, quando a Corte Portuguesa se transfere para o solo brasileiro, a Vila de São Salvador vivia um momento próspero, sendo bastante beneficiada pelo ótimo desempenho da cultura da cana-de-açúcar. Além de aumentar o poder dos senhores de engenho, isso também atraía bastante gente para a região, em busca de melhores condições de vida. Mas a verdade era que Miguel buscava respostas para um grande mistério que envolvia a morte de seus pais.
O rapaz será o grande amor da vida de Juliana, mas também despertará o interesse de Maria Isabel, a filha do coronel Custódio, que nunca se conformara com o tratamento diferenciado que a escrava recebia.
Contando com a fiel e sarcástica mucama Esméria, Maria Isabel não medirá esforços para prejudicar Juliana, jamais aceitando ser afrontada por uma escrava. Como se não bastasse a perseguição da sinhá, Juliana também enfrentará um obstáculo muito poderoso, o Comendador Almeida.
Maria Isabel não esconde seu ódio por JulianaEdu Moraes/Record TV
Ao casar com Teresa por um arranjo que tiraria sua família da ruína financeira, Almeida se torna o novo senhor da Engenho do Sol e reacende uma rivalidade histórica com a família do coronel Quintiliano Gomes, dono da fazenda Doces Campos. Guilherme, filho deste poderoso senhor, correspondia-se às escondidas com Teresa, que também o amava, apesar da inimizade entre seus pais.
O casamento de Teresa e Almeida marcará o reinício de uma guerra entre as famílias mais poderosas da região e uma fase terrível na vida de Juliana, pois seu novo senhor ficará completamente obcecado por ela.
Juntos, Juliana e Miguel viverão uma intensa e movimentada história de amor, enfrentando inimigos poderosos e obstáculos aparentemente intransponíveis, como o preconceito de uma época que vive à sombra da escravidão. Além de uma trama central forte e emocionante, Escrava Mãe conta com outras histórias de amor, aventura, suspense e comédia.
A pensão Jardineira, taverna liderada por Rosalinda, é o ponto de encontro dos homens do lugar. Por conta disso, um assunto recorrente na Vila é a histórica rivalidade entre Rosalinda e dona Urraca de Almeida, mãe do comendador Almeida. D. Urraca sempre se nomeara a defensora da tradição e dos bons costumes, criticando abertamente o comportamento da inimiga e suas florzinhas, Dália, Petúnia e Violeta, que vivem com ela na taverna. A guerra entre as duas geralmente é aplacada pelo capitão Loreto, chefe da guarda e responsável por manter a ordem na colônia.
Em um período em que a circulação de informações e novas ideias poderiam representar uma ameaça à Coroa, quem também se torna um problema para o capitão é o professor Átila. Determinado a criar um jornal na Vila e espalhar suas ideias abolicionistas, o escritor desperta o interesse de muitos jovens, como a sinhazinha Filipa, filha do coronel Quintiliano Gomes. Não satisfeita com a realidade das mulheres da época, ela está à frente de seu tempo e não se conforma com o tratamento dado aos escravos. Lutará pela igualdade e tomará para si a missão de descobrir um mistério que rondava a morte de sua mãe.
Com um minucioso trabalho de pesquisa, a vida dos escravos na época colonial é retratada ressaltando a trajetória dos homens e mulheres que contribuíram para a construção de nosso país.
A herança cultural, os sonhos, os medos, os anseios por liberdade, o ódio contra a dominação e os dois lados do processo de exploração são alguns dos temas abordados ao longo de toda a trama por meio de personagens como Juliana, Tia Joaquina, Esméria, Catarina, Sapião, Tito Pardo, entre outros.
Além de entreter e emocionar, Escrava Mãe é uma novela que traz à tona assuntos importantes sobre a construção do nosso povo, mostrando que relações bonitas e verdadeiras também podem surgir nos momentos mais turbulentos. E as histórias que atravessam o tempo, como o amor de Juliana e Miguel por sua filha Isaura, merecem ser contadas desde o início.
TVR7



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