Meningite bacteriana: sintomas, transmissão e tratamento
Revisão médica: Dr. Arthur Fraza
Oftalmologista
Novembro 2021
A meningite bacteriana é uma doença caracterizada pela inflamação das meninges, que é o tecido que recobre o cérebro e a medula, devido à presença de uma bactéria no sistema nervoso, resultando no aparecimento de sintomas como febre, dor de cabeça e rigidez na nuca, no entanto nem sempre esses sintomas estão presentes.
A maioria das pessoas se recuperam da meningite ao realizar o tratamento de forma imediata e de acordo com a recomendação do médico. No entanto, a infecção pode trazer algumas complicações, como dano cerebral, perda auditiva e dificuldades de aprendizagem.
A meningite bacteriana pode acontecer em pessoas de todas as idades, no entanto os recém-nascidos, bebês e crianças são os que apresentam maior risco de contrair a infecção. Apesar disso, a incidência da doença tem diminuído devido à vacinação, que é indicada ainda durante a infância.
Sintomas de meningite bacteriana
Os sintomas de meningite bacteriana normalmente surgem 4 dias após o contato com a bactéria, sendo os principais:~
Febre alta;
Dor de cabeça intensa;
Alteração do estado mental;
Dor ao virar o pescoço;
Fraqueza muscular;
Vômitos;
Perda de apetite;
Cansaço excessivo;
Alteração na vista;
Paralisia, que pode afetar apenas um lado do corpo;
Manchas roxas na pele;
Maior sensibilidade à luz;
Convulsões.
No caso da meningite nos bebês, os sintomas clássicos podem estar ausentes ou difíceis de serem identificados. No entanto, os bebês podem apresentar irritabilidade, choro forte, convulsões e moleira dura e tensa.
Principais causas
As principais bactérias responsáveis pela meningite bacteriana são Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis, Streptococcus do grupo B, Listeria monocytogenes, Haemophilus influenzae e Escherichia coli. Além disso, o risco de meningite bacteriana é maior em algumas situações:
Bebês e crianças até os 3 anos, já que apresentam sistema imunológico ainda em desenvolvimento;
Idosos, pois têm o sistema imunológico mais enfraquecido e normalmente possuem outras doenças associadas;
Doenças, como pneumonia, sinusite, otite e diabetes;
Situações cirúrgicas e defeitos anatômicos, como traumatismo, ausência de baço e fístulas no líquido cefalorraquidiano;
Sistema imune comprometido, como pode acontecer na infecção pelo HIV, transplante de órgãos ou desnutrição grave.
Outras situações que podem causar a infecção de meningite são o uso de alguns medicamentos como o Eculizumab ou Ravulizumabe, por exemplo, exposição a diferentes bactérias devido à atividade profissional, ou viagens para lugares em que a doença é comum.
Como acontece a transmissão
A transmissão da meningite acontece por contato direto, de pessoa para pessoa, por meio de gotículas das secreções respiratórias do nariz ou da boca de pessoas infectadas. Por isso, a pessoa com meningite deve usar uma máscara facial e deve evitar tossir, espirrar ou falar próximo a pessoas saudáveis.
Além disso, a meningite pode acontecer em recém-nascidos caso seja infectado pelo Streptococcus do grupo B durante o parto normal, já que essa bactéria pode estar presente na vagina da mãe sem que cause sintomas. Outra forma de contágio é por meio do consumo de alimentos que contenham a bactéria Listeria monocytogenes, como verduras cruas, carnes processadas e salsichas cruas, por exemplo.
No entanto, a prevenção da meningite bacteriana pode ser realizada por meio da vacinação, que é indicada aos 2, 4 e 6 meses de idade.
Como é feito o diagnóstico
Para diagnosticar a meningite bacteriana, o médico deve avaliar os sintomas apresentados pela pessoa, além de também ser solicitada a realização da análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) para verificar a presença de bactérias.
Caso o exame seja positivo, é possível também solicitar a realização de um antibiograma com o objetivo de verificar qual o melhor antibiótico para tratar a infecção.
Tratamento para meningite bacteriana
O tratamento para meningite bacteriana é feito no hospital com a administração de antibióticos diretamente na veia de acordo com o agente infeccioso responsável pela doença e perfil de sensibilidade. De forma geral, o tratamento recomendado é:
Bactéria responsável pela meningite
Antibiótico utilizado
Neisseria meningitidis
Penicilina G. Cristalina, Ampicilina/Amoxicilina
Streptococcus pneumoniae
Penicilina G. Cristalina o Ampicilina/Amoxicilina
Haemophilus influenzae
Cloranfenicol o Ceftriaxone
LIsteria monocytogenes
Ampicilina/Amoxicilina
A pessoa pode ficar internada em isolamento nas primeiras 24 horas após iniciar o tratamento com antibióticos e pode voltar para casa após 14 ou 28 dias, quando ficar curada.
Lula e Arthur Lula da Silva
A meningite, doença que causou a morte do neto de 7 anos do ex-presidente Lula , é uma infecção que se instala principalmente quando uma bactéria ou vírus ataca as meninges, três membranas que envolvem e protegem o encéfalo, a medula espinhal e outras partes do sistema nervoso central.
Mais raramente, as meningites podem ser provocadas por fungos ou pelo bacilo de Koch, causador da tuberculose.
Arthur Lula da Silva
Lula consegue saída temporária da prisão para o velório do neto em São Paulo.
As meningites bacterianas são as mais graves e devem ser tratadas imediatamente. Segundo Celso Granato, professor de infectologia da Unifesp, a doença é fulminante. O risco de morte é de 10% a 20%.
Os sintomas incluem febre alta e repentina, dor de cabeça, rigidez do pescoço, vômitos, em alguns casos sensibilidade à luz e confusão mental.
A doença pode ser prevenida com vacinas. Na rede pública, as vacinas protegem contra as meningites causadas pelo hemófilo B, por pneumococo e pelo meningococo C.
Na rede privada, a vacina quadrivalente protege contra a meningite meningocócica A, C, W e Y. Também há a vacina contra a meningite tipo B.
Os casos de meningite, doença que causou a morte do neto do ex-presidente Lula, estão em queda no país. O número de casos caiu 63% entre 2010 e 2016, segundo dados do Ministério da Saúde.
Esclareça dúvidas sobre a doença
Quem causa a meningite?
Quando a origem é bacteriana, as principais causadoras são as bactérias meningococo e pneumococo. Quando a meningite é viral, há uma gama de vírus causadores – incluindo os responsáveis por gripe, sarampo e herpes. Há também casos de meningite causada por medicamentos.
Quais os sintomas?
Dor de cabeça, vômitos, rigidez na nuca e no pescoço (o paciente não consegue baixar a cabeça), cansaço e febre alta. A doença tem alta taxa de sequelas – entre elas, surdez, perda dos movimentos, confusão mental, paralisia e problemas de raciocínio.
Como é a transmissão?
Por saliva, seja por tosse, espirro ou contato em ambientes fechados e aglomerados.
Como é o tratamento?
Quando a meningite é causada por bactéria, o tratamento é com antibiótico. Quando é causada por vírus, médicos usam, em alguns casos, antiviral, ou, em outros, aguardam a passagem de sintomas, como no caso da gripe.
Há sequelas?
Como a inflamação ocorre no sistema nervoso central, as sequelas dependem de qual área do cérebro foram afetadas pela bactéria ou pelo vírus. Entre os riscos, estão epilepsia, paralisia cerebral e problemas permanentes de fala, compreensão e raciocínio
.
Quem são as principais vítimas?
Crianças, por conta dos hábitos de colocar tudo na boca. Adultos, porém, também podem ser vítimas, uma vez que a transmissão ocorre em locais fechados e por saliva.
Existe vacina?
Sim. Há vacinas na rede pública e privada contra a meningite bacteriana causada por pneumococo e meningococo. A meningite viral pode ser causada por centenas de vírus, mas há vacinas que imunizam contra alguns causadores — caso do sarampo, por exemplo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário