Filme protagonizado por Giovanna Lancellotti e Mika Guluzian
Giuliana Muneratto
O drama espírita baseado na obra homônima de Zíbia Gasparetto (1926-2018) é protagonizado por Giovanna Lancellotti , Rafael Cardoso, Mika Guluzian e Tiago Luz.
A trama segue a história de duas mulheres: Marina (Giovanna Lancellotti), uma advogada que passou uma temporada em Londres e volta para casa esbanjando dinheiro, e Maria Eugênia (Mika Guluzian), herdeira de família rica, casada, com um filho bebê. Aparentemente, elas não se conhecem e têm tramas completamente distintas, mas eventualmente se percebe que ambas carregam segredos com potencial de mudar suas vidas.
O que aconteceu em Londres é um mistério que Marina prefere enterrar e, quando questionada por seu interesse amoroso Rafael (Rafael Cardoso), ela foge do assunto como o “diabo foge da cruz”. Já Maria Eugênia tem um reencontro com Pierre (Fernando Alves Pinto), um homem que ameaça destruir seu casamento com Henrique (Tiago Luz) caso não dê dinheiro a ele.
Enquanto o suspense paira no ar, ambas começam a se interessar cada vez mais pelo espiritismo. O irmão de Marina, Cícero (Guilherme Garcia), tem o dom da psicografia, enquanto Rafael estimula a advogada a buscar cada vez mais seu lado espiritual.
O filho de Maria Eugênia entra em transe em alguns momentos, uma paralisação que só têm explicação no centro espírita –o mesmo que Marina passa a frequentar. Por mais que pareça que elas não têm nada a ver uma com a outra, o encontro das duas é inevitável.
A adaptação dirigida por Márcio Trigo faz jus à obra de Zíbia Gasparetto, apesar das diferenças entre livro e filme.
O diretor e o roteirista Audemir Leuzinger acertaram ao focar no fato de que se trata de uma obra de entretenimento.
Por isso, nas telas, o livro tornou-se um suspense, que prende o espectador e faz com que ele busque mais pistas para descobrir o segredo de Marina. Diferentemente do livro, que entrega o segredo da advogada logo no começo.
O suspense até que carrega bem o filme, e a adaptação misteriosa funciona para o cinema, mas nada disso o torna memorável. Criar suposições ao longo do filme é fácil, mas ainda assim o segredo de Marina pode surpreender e, por isso, prender bastante a atenção do espectador.
É fácil entender o público para o qual o filme é destinado e, certamente, ele deve agradar a quem tanto almeja. Porém, ao focar em questões polêmicas que envolvem as personagens femininas (que não serão citadas por aqui por causa dos spoilers), a adaptação cai um pouco no lugar do julgamento.
Porém, mesmo assim, o filme se segura na mensagem de que há um propósito para tudo e pode conquistar o coração daqueles que buscam um pouco de esperança em dias caóticos.
O visual e a fotografia, assim como os cenários e figurinos, dão o ar espiritualista de que a obra de Zíbia Gasparetto precisa. Mesmo se sobressaindo e transgredindo o espiritismo de certa forma, oferecendo uma trama que entretém até quem não busca a religião, o filme poderia ter sido aperfeiçoado, principalmente em aspectos técnicos.

Giovanna Lancellotti , Rafael Cardoso, Mika Guluzian e Tiago Luz.
1h46
Drama
14
Direção
Márcio Trigo
Produção
Imagem Filmes
Onde assistir
Cinemas
Elenco
Giovanna Lancellotti
Guilherme Garcia
Mika Guluzian
Rafael Cardoso
Tiago Luz
Giulianna Muneratto
Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero. Adora um filme clichê, música pop e sonhava em ser cantora de cruzeiro, mas não tem talento pra isso.
Tangerina.Uol.com.br
Giovanna Lancellotti e Rafael Cardoso
“Nada É por Acaso”, é um filme que aborda a teoria reencarnacionista numa adaptação do best-seller de Zibia Gasparetto. Dirigido pelo escritor, ator e músico Márcio Trigo Loureiro, o longa é protagonizado por Giovanna Lancellotti, Rafael Cardoso, Mika Guluzian, Tiago Luz, Werner Schünemann e Laura Proença.
Este é o primeiro filme espírita de Márcio Trigo. “Sempre fui um leitor contumaz de vários gêneros, e minha ex-esposa gostava muito dos livros da Zibia Gasparetto. Eu li alguns: ‘Nada é por Acaso’, ‘Advogado de Deus’, ‘Esmeralda’ e ‘Entre Dois Mundos’. Considerava a obra dela muito audiovisual, mas não tinha pretensão de filmar nada dela”, narra o diretor.
Até que o produtor Tomislav Blazic o convidou para dirigir esse filme. “Realmente, nada é por acaso. Veio tudo na hora certa. Foi muito legal e gratificante. Durante quase dois anos estudei muito para fazer um filme bonito, envolvente e emocionante”, diz Trigo.
No filme, Maria Eugênia (Mika Guluzian) e Marina (Giovanna Lancellotti) não se conhecem no presente, mas tiveram uma forte relação em um passado.
“Enquanto Marina carrega uma culpa grande durante o filme inteiro, um arrependimento por ter se vendido, Maria Eugênia tem um problema sério com o marido. Elas acabam se encontrando e descobrindo o que as une. Este é o momento-chave do filme, mas não vou dizer mais nada, porque não quero dar spoiler. Quem for assistir vai se emocionar com a mensagem bonita do final”, revela o cineasta.
A trama é bem-amarrada e mostra como as decisões do passado se perpetuam na vida futura e como os espíritos que têm débitos podem fazer diferente no presente. De forma instigante, misteriosa, dramática e com forte dose de emoção, elas vão descobrir como suas decisões podem impactar o resgate de uma vida, ou várias. As duas mulheres vão descobrir que estão unidas por laços de amor e amizade que remontam para além desta vida.
O diretor foi criado num lar católico. “Fui batizado, fiz a primeira comunhão, mas não cheguei a ser crismado. Já participei de algumas religiões em busca da espiritualidade e da paz interior e, durante muito tempo, frequentei a Casa de Padre Pio. Hoje me considero espiritualista, estou aberto às energias positivas e ao Evangelho de Jesus”, comenta.
Para o próximo ano, o cineasta já tem um projeto em curso, outro filme com temática espírita – “Figner: O Som do Coração”, baseado na obra “Voltei”, de Chico Xavier. “É uma história fantástica, do início do século passado, no Brasil. Frederico Figner teve o primeiro fonógrafo e gravou com muitos artistas. Era um estrangeiro rico, e sua casa ficava sempre cheia de artistas. Ele começou a ler e simpatizou com o espiritismo. Criou obras de caridade e a Federação Espírita Brasileira (FEB). Ele se doava muito, embora sua vida tenha sido muito glamorosa. Estamos terminando o roteiro para captação, e espero que as filmagens aconteçam no segundo semestre de 2023”, finaliza Trigo.
Encontros que estavam marcados
Como os erros do passado podem afetar a vida atual? É possível resgatar dívidas espirituais? Para a doutrina espírita, a resposta é sim. Esta é a tarefa de Giovanna Lancellotti, que interpreta a personagem Marina no presente e Sofia em uma encarnação passada. “São duas mulheres muito diferentes, em vidas diferentes, mas que possuem essa conexão, uma ligação que vem de outro plano, de outro lugar. E os caminhos das duas são entrelaçados no passado e no presente nessa linda história da Zibia Gasparetto”, comenta a atriz.
É o primeiro filme espírita em que Giovanna atua. “Mais do que focar o tema, o filme traz uma história linda. Foi uma experiência bem marcante para mim. Lembro-me de uma gravação em que a luz do sol entrou no set de uma forma tão poética! Foi um momento emocionante para nós, para mim”, relembra.
A atriz afirma que, mesmo antes de fazer o filme, “já acreditava que nada do que acontece com a gente é por acaso”. “Acredito em destinos, em coisas que tinham que acontecer, encontros que estavam marcados. O filme fala muito sobre isso e só reforçou o que eu já acreditava”, finaliza. (AED)
“Nossa consciência é eterna”
Mika Guluzian dá vida a Maria Eugênia. “Cresci no espiritismo, mas hoje me considero espiritualista, além de seguir a lei do tempo do Tzolkin, que vem dos ensinamentos da civilização Maya. Como atriz e curiosa, tenho passeado por várias religiões, mas tudo em busca de conhecimento, estudo, entendimento e experimentação por conta própria. Acredito no budismo como filosofia de vida e no mundo quântico como leis que regem nosso universo”, define.
A atriz explica que Maria Eugênia é uma mulher que cresceu à sombra de sua mãe. “Muitas vezes, diante de sua família, ela se sente completamente sozinha. No desenrolar de sua história, Maria sempre termina se sentindo culpada e assombrada por decisões do passado. É como se sua vida nunca estivesse sob seu controle de verdade e ela apenas cumprisse com o que esperavam dela. Mas tudo muda quando ela carrega seu filho, Dionísio, pela primeira vez no colo; ali ela descobre uma força e uma coragem dentro dela, que faz tudo mudar para sempre”.
As tramas entre passado e presente sempre encantaram Mika. “A imortalidade da alma sempre foi um dos meus temas favoritos. Desde criança questiono e tento decifrar a morte e buscar informações sobre o surgimento da vida. Minha intuição e minhas experiências me levam a crer que nossa consciência é eterna, que não somos humanos, mas sim estamos humanos. E, por essa linha de raciocínio, a reencarnação me parece lógica e não estaria limitada apenas ao planeta Terra, mas também se aplicaria a todos os demais planetas onde haja vida. E, sim, eu acredito que nada é por acaso”, finaliza. (AED).
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