Cruz da Menina: história cruel que emociona e cuja lembrança provoca romaria de milhares de pessoas, todos os dias, na cidade de Patos
Ségio Botêlho
A Cruz da Menina encerra uma história que até hoje emociona e revolta a população sertaneja
O monumento da Cruz da Menina, um dos mais visitados da Paraíba, com milhares de romeiros e curiosos anualmente, simboliza o assassinato de uma criança por quem devia protegê-la.
É parte de um enredo cruel em meio às secas e à miséria que já foram bem mais duras, em suas consequências, no Sertão nordestino.
Repartições estaduais terão ponto facultativo nesta quinta-feira


Crédito da foto: PB-Tur
Conta a história que durante a seca dos primeiros anos de 1920 um casal campinense recebeu por doação uma criança, cujos pais fugiam da seca e pensavam que, assim, iriam salvá-la da inevitável morte pela fome.
A menina, chamada Francisca, seguiu para a cidade de Patos (Paraíba) com o casal, onde o homem, de nome Absalão, iria trabalhar na manutenção das fiações elétricas que forneciam energia à cidade.
A mulher, de nome Domila, batia na criança quase que diariamente, enquanto seu esposo nada fazia de concreto para que aquela brutalidade tivesse fim. A cruz que a criança seguia carregando em vida era pesada demais e sua existência se transformou num inferno na Terra.
Como Francisca foi assassinada em Patos
Até que um dia, segundo relata publicação da Diocese de Patos, a mulher foi ao encontro do esposo, deixando a criança com ordem de dormir. No entanto, a menina Francisca distraiu-se com algumas crianças que brincavam lá fora, e adormeceu na janela.
Ao chegar, tomada pela fúria de sempre, Domila bateu tanto que a criança morreu. Daí buscaram esconder o corpo que, afinal encontrado, não deixou dúvida sobre a autoria do assassinato.
Agricultor encontra o corpo da criança e marca o local com uma cruz
Para acobertar o crime, o casal enterrou o corpo da criança, na surdina. Porém, não demorou muito tempo para que o agricultor Inácio Lázaro encontrasse o corpo e denunciasse o fato à polícia.
Protegido por políticos, o casal voltou a Campina Grande. Anos depois, foi julgado e inocentado. Mas, não pelo povo que acompanhou a história, que continuou homenageando Francisca como mártir e considerando o casal como autores do bárbaro assassinato.
A primeira homenagem a Francisca foi prestada pelo próprio agricultor Inácio Lázaro, que ficou uma cruz no local onde encontrou o corpo, o que fez o local ser conhecido como a Cruz da Menina, até hoje.
A partir de então, o símbolo religioso passou a atrair pessoas que por ali passavam e se demoravam em orações. Hoje, a Cruz da Menina é o maior ponto de atração de romeiros que chegam de todas as partes.
Em 1929, o agricultor José Justino do Nascimento ergueu uma capela, inaugurada em 25 de abril de 1929, em louvor à criança martirizada. Foi um sinal de agradecimento por uma graça alcançada em forma de água para o seu rebanho.
No ano de 1993, o governo do estado ergueu um moderno monumento à criança Francisca, em forma de um parque que, em 2020, foi considerado como patrimônio imaterial da Paraíba.
Americano foi a Patos agradecer milagre alcançado
Durante boa parte de sua existência, a patoense conhecida como Dona Odilia dedicou-se a proteger e zelar pelo túmulo e a capelinha dedicada a Francisca. Segundo relatou, em meio a esse tempo um americano foi fisicamente agradecer à menina Francisca uma graça alcançada.
O turismo religioso
O turismo religioso, um dos mais fortes segmentos da indústria do turismo, movimenta milhões de pessoas mundialmente, gerando milhões de dólares. Essas viagens, em forma de peregrinações, mais comumente, é motivada basicamente pela fé.
O Brasil é um dos mais fortes destinos turísticos do mundo, especialmente nos estados da Bahia, do Ceará, de Goiás, de Minas Gerais, do Pará, do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e de São Paulo.
Afora a Cruz da Menina, a Paraíba possui outros destinos que exercem poder de atração. Entre eles, o Santuário de Frei Damião, em Guarabira , o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Araruna, o Cristo Redentor, em Itaporanga, o Santuário de Santa Fé, em Solânea, a Igreja de Nossa Senhora da Guia em Lucena , o Cruzeiro de Roma Bananeiras , a Pedra de Santo Antônio, em Fagundes, e os Caminhos do Padre Ibiapina, em cidades do Brejo Paraibano.
Fonte:
A Santa Cruz e a Cruz da Menina
https:/www..diocesedepatospb.org.br /cruz-da-menina:

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