sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Insuficiência cardíaca,


Como identificar a insuficiência cardíaca

Problema de saúde crônico que ocorre quando o coração se torna incapaz de bombear o sangue de forma adequada; conheça os sinais e sintomas

Atriz Claudia JimenezReprodução / Redes Sociais

Lucas Rochada
em São Paulo
22/08/2022 às 16:25 | Atualizado 22/08/2022 às 19:45

As doenças que afetam o coração podem se apresentar de maneira silenciosa, o que contribui para o diagnóstico tardio e o desenvolvimento de complicações.

A insufiência cardíaca é um problema de saúde crônico que ocorre quando o coração se torna incapaz de bombear o sangue de forma adequada para os outros órgãos do corpo. A condição pode trazer impactos nas funções dos pulmões, dos rins e do fígado.

A doença atinge cerca de três milhões de brasileiros e se manifesta através de sintomas como falta de ar, fadiga e inchaço dos pés e pernas. A World Heart Federation estima que a prevalência da insuficiência cardíaca aumentará em 25% até 2030, devido ao aumento de fatores de risco como obesidade, hipertensão arterial e diabetes, somado ao envelhecimento da população.

Os principais sinais da insuficiência cardíaca

fadiga, 

inchaço nas pernas, 

dificuldade para respirar

e intolerância ao exercício físico.

Outros sintomas também podem ser evidenciados, como 

tosse durante a noite, 

perda de apetite, 

inchaço e dor abdominal, 

ganho de peso ou perda de peso acentuada ao longo dos meses.

O médico cardiologista Roberto Kalil, apresentador do CNN Sinais Vitais, explica que a insuficiência cardíaca é fruto do enfraquecimento de músculos do órgão que compromete o bombeamento sanguíneo no organismo.

“Várias doenças podem levar ao enfraquecimento do músculo do coração, uma delas é infarto em que se fecha uma artéria que leva sangue para o coração, chamada coronária e parte daquele músculo morre. O coração vai perder a força dependendo da região acometida. Há também problemas das válvulas do coração e doenças intrínsecas do músculo do coração”, explica Kalil.

Diagnóstico e tratamento

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece assistência para pessoas com insuficiência cardíaca, incluindo ações de prevenção e controle, diagnóstico, oferta de medicamentos específicos, orientações e acompanhamento.

A insuficiência cardíaca tem grande potencial de reduzir a expectativa de vida. Após o diagnóstico, metade dos pacientes podem morrer em até cinco anos. 

O tratamento envolve cuidados diários, controle dos fatores de risco e a utilização correta das medicações, conforme orientação dos profissionais de saúde.

Segundo o Mistério da Saúdee, em 2021, foram registrados mais de 167 mil atendimentos de pessoas com a doença na Atenção Primária à Saúde. Em 2022, até o mês de abril, já foram registrados mais de 59 mil atendimentos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), os sintomas da insuficiência cardíaca podem ser controlados, mas não há cura. Por isso, os cuidados devem ser contínuos e com uma combinação de tratamento medicamento e mudança de hábitos.

“Manter comportamentos de autocuidado como pesagem diária para monitorar a retenção de fluidos, monitorar a pressão arterial e a frequência cardíaca, comer uma dieta saudável, aderir ao plano de medicação e se exercitar regularmente pode ser difícil. Os profissionais de saúde devem ajudar os pacientes com insuficiência cardíaca a desenvolverem suas próprias estratégias para se manterem motivados e engajados em seus cuidados”, diz Evandro Tinoco Mesquita, presidente do Departamento de Insuficiência Cardíaca da SBC, em comunicado.

Impacto da insuficiência cardíaca em hospitalizações

Os impactos da insuficiência cardíaca podem ser comparados aos de doenças graves como o câncer. Em um estudo publicado na revista International Journal of Cardiovascular Sciences, cientistas brasileiros analisam a mortalidade pela condição em comparação com cânceres usando informações de um banco de dados nacional.

De acordo com a pesquisa, os cânceres  estudados, incluindo de estômago, cólon, pulmão, mama e próstata, foram responsáveis ​​por maior mortalidade, menor internação e maior mortalidade intra-hospitalar. Em uma análise de grupo, a insuficiência cardíaca apresentou taxas de mortalidade de 100 a 150 por 100.000 habitantes no período, inferior aos cânceres selecionados.

Por outro lado, a condição cardíaca teve uma taxa de mortalidade maior do que cada tipo de câncer, mesmo quando comparada aos mais prevalentes e mortais. Em relação às taxas de hospitalização, a insuficiência foi associada a maior risco quando comparada às condições relacionadas ao câncer como um grupo.

“No cenário brasileiro é uma doença extremamente desafiadora devido à alta mortalidade, comorbidades descontroladas, pacientes com hospitalizações frequentes e a vivência diária de algumas doenças negligenciadas, como as reumáticas e Chagas”, afirma a médica Daniella Motta da Costa Dan, diretora científica da regional Espírito Santo da SBC.

CNN

Isuficiência Cardíaca

O que é

A insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica caracterizada pela incapacidade do coração de atuar adequadamente como bomba, quer seja por déficit de contração e/ou de relaxamento, comprometendo o funcionamento do organismo, e quando não tratada adequadamente, reduzindo a qualidade de vida e a sobrevida.

Tipos

Pode ser considerada sistólica, quando existe déficit de contração e/ou diastólica, na presença de alteração de relaxamento das câmaras cardíacas, além disso, pode acometer os ventrículos esquerdo e/ou direito.

Causas

A insuficiência cardíaca é considerada a via final comum das agressões sobre o coração e neste contexto, os fatores de risco cardiovasculares estão diretamente relacionados quer seja de forma independente, como a hipertensão arterial ou em conjunto (diabetes, hipertensão arterial, tabagismo, dislipidemia, sedentarismo) culminando no desenvolvimento da doença arterial coronariana que pode levar ao infarto agudo do miocárdio ou diminuição da performance do coração por déficit crônico de perfusão do músculo cardíaco.

Outras causas incluem doenças que acometem as válvulas cardíacas (degenerativas ou inflamatórias, como a doença reumática), doenças congênitas, etilismo, doenças genéticas, auto-imunes, inflamatórias (periparto), por toxicidade (tratamento de câncer, anorexígenos e simpatomiméticos) e também infecciosas (mais comumente virais ou mediada por parasitas, como o Trypanossoma cruzi, responsável pelo desenvolvimento da doença de Chagas).

Pela incapacidade do coração em se contrair e/ou relaxar adequadamente, existe um acúmulo progressivo de sangue nos pulmões, levando a intolerância ao exercício, falta de ar ao deitar, fraqueza, astenia, tosse seca e também, devido ao acúmulo de sangue no organismo como um todo, inchaço nas pernas e abdome.

Diagnóstico

O diagnóstico da insuficiência cardíaca é clínico, através da história contada pelo paciente de intolerância aos esforços, falta de ar ao deitar e inchaço nos membros inferiores ou abdome, aliado aos achados do exame físico de acúmulo de sangue nos pulmões e no organismo como um todo.

O exame que confirma a insuficiência cardíaca é o ecocardiograma e substâncias produzidas pelo coração insuficiente também podem auxiliar no diagnóstico, como o peptídeo natriurético tipo B, conhecido como BNP. Parte fundamental do diagnóstico é tentar estabelecer a causa, uma vez que pode implicar em tratamentos específicos.

Por se tratar de uma doença que leva a acúmulo de líquido nos pulmões e no organismo como um todo, o uso de diuréticos e orientação de restrição de ingesta de sal e líquidos para os pacientes sintomáticos é parte fundamental para alívio dos sintomas.

Nos pacientes compensados em relação ao acúmulo de líquido, a atividade física orientada deve ser estimulada e melhora a qualidade de vida e tolerância ao exercício.

Atualmente existe uma série de classes de medicamentos que atuam em mecanismos que podem amplificar a lesão do coração e quando utilizados de forma combinada, podem estabilizar ou até mesmo reverter a disfunção cardíaca, melhorando a qualidade de vida e também a sobrevida.

Destacamos dentre eles os betabloqueadores (carvedilol, succinato de metoprolol ou bisoprolol), antagonistas do sistema renina-angiotensina-aldosterona (captopril, enalapril, losartan, valsartan, entre outros), os antagonistas mineralocorticoides (espironolactona, eplerenona) e mais recentemente um uma combinação de antagonista da angiotensina e inibidor da neprilisina (valsartan / sacubitril).

Em casos específicos podem ser considerados o uso de marcapasso biventricular que auxilia na ressincronização da contração das câmaras cardíacas e o cardiodesfibrilador implantável, reduzindo o risco de morte súbita (por arritmia).

Outros procedimentos cirúrgicos podem ser considerados, em especial a correção de cardiopatias congênitas, revascularização miocárdica na presença de doença arterial coronariana obstrutiva e as trocas valvares em situações de comprometimento das válvulas cardíacas.

Para os pacientes refratários ao tratamento clínico, o transplante cardíaco é uma excelente opção para melhora de qualidade de vida e sobrevida.

Além disso, os dispositivos de assistência circulatória mecânica (ventrículos artificiais) podem auxiliar a manter o paciente estável após uma lesão aguda do coração com potencial de recuperação (ponte para recuperação pós- infarto ou miocardite), manter o paciente até a realização de um transplante (ponte para o transplante) ou até mesmo na contra-indicação ao transplante (terapia de destino).

Prevenção

A prevenção dos fatores de risco cardiovasculares é fundamental para reduzir o desenvolvimento da insuficiência cardíaca, incluindo o tratamento adequado da hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, tabagismo, sedentarismo.

Outras ações incluem a melhoria das condições higiênicas e de moradia (visando minimizar a doença reumática e doença de Chagas), redução da ingesta de álcool, acompanhamento de familiares de pacientes com insuficiência cardíaca de causa indeterminada, bem como de pacientes que utilizam certos quimioterápicos.

Incidência

A insuficiência cardíaca acomete qualquer faixa etária e estima-se sua prevalência em 1 a 2% da população, além disso, por se tratar da via final comum de agressões sobre o coração, incide de forma progressiva com o aumento da idade, sendo que após os 70 anos, mais de 10% da população é acometida; após os 55 anos, existe um risco de aproximadamente 30% de desenvolvimento da insuficiência cardíaca.

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Insuficiência cardíaca, também conhecida como insuficiência cardíaca congestiva, ocorre quando seu coração não está bombeando sangue suficiente para atender às necessidades do seu corpo. Como resultado, fluido pode se acumular nas pernas, pulmões e em outros tecidos por todo o corpo.

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