quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Olhem para estas mãos



João Pelegrini 
Girassol flor do sol

Só te peço uma coisa hoje, peço-te por favor. 

Olha para estas mãos. Sabes que mãos são estas?

Sabes quanto respeito merecem estas mãos? 

Pois, eu digo-te: 

merecem todo o respeito do mundo!!!! 

Eu atrevo-me a dizer que estas são as mãos de Deus. 

Quando olho estas mãos, sinto vontade de chorar, porque me sinto envergonhado comparado com as minhas mãos. 

Estas são as mãos dos meus pais, dos meus avós. 

Estas são as mãos dos teus pais, dos teus avós. 

São as mãos que Deus colocou na nossa vida. 

Mãos que trabalharam a terra de sol a sol. 

Mãos que com um pequeno pedaço de terra engendravam tudo para o cultivar, para manterem os seus filhos. 

O trabalho destas mãos só tem dois nomes: trabalho duro por amor! 

Muitas destas mãos nem ler nem escrever souberam, mas converteram-se em grandes sábios:

A sabedoria da vida. 

Criaram os seus filhos à base de muitas penalidades. 

São mãos sacrificadas para darem o melhor pedaço de “pão” aos filhos e, estas mãos, diziam-se sem fome para darem apenas tudo aos outros. 

A estas mãos fizeram-se-lhes pequenos os olhos para darem um futuro melhor aos filhos. 

E hoje? 

Quem és tu para exigir a herança dos teus pais? 

Quem sou eu ou tu para julgar estas mãos que dizemos não conhecerem mundo, porque não viajaram?

Quem somos nós para dizer a estas mãos que não sabem o que é a moda? 

Quem somos nós para dizer que os tempos são outros? 

Sabes, estas mãos foram e são as mãos que nunca pararam de se levantar ao céu, erguendo-se em trabalho e oração, para que os tempos que tu vives hoje, sejam melhores do que o deles. 

Estas são as mãos que te acariciaram o rosto, as lágrimas, que te alimentaram, mãos que estão rasgadas, calejadas, desidratadas, não pelo trabalho mas pelo amor que tiveram e tem por ti. 

Peço-te, por favor, não permitas que estas mãos sejam invisíveis. 

Elas deram tudo. 

Dá-lhes reconhecimento. 

Deixa que estas mãos falem, que te contem a sua infância. 

Isso só nos enriquece como pessoas. 

Faz com que estas mãos que agarraram no colo a vida dos filhos que nasceram, são também aos mãos que agarraram os filhos que viram morrer. 

E quando estas mãos chegarem ao fim recorda que foram mãos de mestres!

Um dia muito feliz

Ricardo Esteves

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