segunda-feira, 22 de maio de 2023

Solidão que dói.

Alma intensa


A solidão dói e derruba as pupilas, elas com as mãos tremidas tentam agarrar-se à vida, as palavras ficaram sem dentes e a cor do mundo combina com o bege amarrado às paredes do seu pequeno espaço... 

O lugar onde espera..

Para chegar na cozinha é preciso seguir as pegadas que deixaram várias cicatrizes no chão... imagina que uma chuva enganosa sem nuvens e sem céu encharcou a cama dela... e perguntando como?

Consegue continuar a viver nas suas memórias, abrindo as portas da sua alma cansada e deixa repousar as estrias do seu rosto nos lados da sua boca, deixando espreitar o seu sorriso calado, quando se lembra do riso dos seus filhos e dos seus netos tomando banho na praia

Enquanto finge rir... ele se afoga no seu silêncio e senta-se para tomar um café contemplando a paisagem pela janela... 

Ela sabe os horários das pessoas o que acontece e cumprimenta-as... até se sente importante e agradece quando seus vizinhos falam quase todas as manhãs.

Volta a noite e esperando um abraço suspira e diz... certamente virão me ver amanhã, só que eles não têm tempo, os pobres, essa rotina que não para...

Consola-se com retalhos enquanto acomoda outra pequena lágrima perdida no travesseiro e reza pela sua família, pelos seus amigos e pela sua gata, e volta a contar estrelas até que o sono chegue e deita-se na sua cama mais uma madrugada... enquanto comenta em voz baixa...

Eles vêm amanhã!

Todo dia é dia das mães, não espere para ir vê-la, ela está sempre esperando por você.

Autora: Mirtha Milian

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