quarta-feira, 28 de junho de 2023

Crítica Todas as Flores



Crítica Todas as Flores | Novela tropeçou no meio do caminho e nunca levantou

Todas as Flores, novela original do Globoplay, estreou muito bem. No entanto, a segunda parte da trama se perdeu no roteiro e não conseguiu se recuperar

Natalie Rosa
9 jun2023- 23h31
(atualizado em 11/6/2023 às 10h22)

A Novela  Todas as Flores, do autor João Emanuel Carneiro, estreou em 2022 no Globoplay e logo se transformou em uma das queridinhas da plataforma de streaming. E muito disso foi devido aos personagens cheios de personalidade, fossem eles os bonzinhos ou os vilões.

A interpretação de Leticia  Colin  como a vilã Vanessa, inclusive, foi um dos maiores atrativos de Todas as Flores. A atriz revoltou e nos fez rir ao mesmo tempo com cada atrocidade falada contra a irmã Maíra, personagem de Sophie Charlotte.

A novela foi dividida em duas partes, uma lançada em 2022 e outra em 2023. Até o final do primeiro bloco, Todas as Flores ainda mostrava todo o seu potencial para ser tão grande quanto foi Avenida Brasil, entregando teasers que trariam a grande vingança de Maíra. Toda essa promessa, no entanto, foi por água abaixo no segundo bloco.

O auge e a queda

A diferença de qualidade da primeira e da segunda parte de Todas as Flores é gritante. Assistimos em todos os capítulos Maíra sofrer nas mãos da irmã Vanessa e da mãe Zoé, personagem de Regina Cazé, então o mínimo esperado era que ela sairia por cima da situação.

Os últimos episódios da primeira parte chamaram a atenção por mostrar que Maíra faria uma cirurgia para começar a enxergar e, então, colocaria em prática seu plano de vingança. Isso de fato aconteceu, mas da maneira mais burra possível, com o perdão da palavra.

Com a história centrada no esquema da organização de tráfico humano, do qual Zoé participava, Maíra achou interessante se tornar uma rival de Zoé nos negócios e também começar a comprar crianças, ainda que seja para devolvê-las aos pais.

Foi nessa decisão que entendemos que tudo começaria a desandar. Nenhum passo tomado por Maíra fazia sentido e nada chegou perto da melhor decisão que ela poderia tomar para se vingar. Enquanto isso, Rafael (Humberto Carrão) mudou da água para o vinho e passou a ter coragem para enfrentar seus problemas, mas também da pior forma possível.

Cheia de furos e maçante

Em meio ao enredo principal, a novela se tornou maçante, com núcleos repetitivos e desinteressantes. Além disso, Todas as Flores mudou vários detalhes dos personagens de forma descarada, como a aproximação de Brenda (Heloísa Honein) da mãe Mauritânia (Thalita Carauta), a quem não queria ver nem com muito dinheiro na conta.

O núcleo da família do Oberdan (Douglas Silva), então, teve todo seu potencial desperdiçado do começo ao fim com uma história sem pé nem cabeça de Celinho (Leonardo Lima Carvalho) e seu celibato. O que dizer, então, do Concurso Rhodes, que durou uma eternidade, ou ainda dos saltos temporais em que nenhum bebê cresceu.

A lista de falhas da segunda parte é imensa. Porém, apesar de suas falhas mescladas a acertos, como trazendo inclusão de pessoas cegas e com baixa visão para mostrar que é completamente possível ter uma vida comum, Todas as Flores fez história.

Terra.com

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